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Utilização de ureia para ruminantes

POR SUELI FREITAS DOS SANTOS

E RENAN M. MEDEIROS SANSON

PRODUÇÃO

EM 13/01/2010

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Os ruminantes de modo geral necessitam de um suprimento adequado e equilibrado de proteínas, energia, sais minerais e vitaminas, para atender suas exigências nutricionais que estão diretamente ligadas ao seu desenvolvimento e produção.

A utilização de fontes alternativas de proteína na produção animal é de extrema importância, uma vez que fontes convencionais são concorrentes com a alimentação humana. A ureia destaca-se como uma fonte de nitrogênio não-protéico (NNP), que vem sendo bastante utilizada na alimentação de ruminantes, apesar de sofrer limitações devido à sua baixa aceitabilidade pelos animais, sua segregação quando misturada com outros ingredientes e sua alta toxicidade que é agravada pela elevada solubilidade no rúmen.

O rúmen necessita de certos requisitos para um bom funcionamento e atividade da microflora (população de microrganismos) que nele existe, e dentre essas exigências está à necessidade de 1% de nitrogênio (N). No período da seca as pastagens geralmente não atendem essa exigência, podendo ser suprida pelo uso de ureia. Vale ressaltar que, o equivalente protéico desse insumo varia de 282,02% (VALADARES FILHO, et. al., 2006) a 290% (SANTOS et, al., 2001), porém, a média utilizada na alimentação animal é de 283%.

A ureia pode ser considerada uma alternativa interessante, principalmente no período das secas, podendo ser fornecida em diferentes sistemas de alimentação, como por exemplo, associada ao sal mineral, em misturas múltiplas, com cana-de-açúcar, capim picado, silagem, concentrados e outros. Além de apresentar algumas vantagens na sua utilização, é uma tecnologia simples e acessível a qualquer produtor, é uma fonte de nitrogênio não-protéico de baixo custo, possui baixo custo de implantação, reduz perdas de peso nos animais no período seco e também mantém e/ou estimula a produção de leite.

Para uma melhor eficiência no desempenho dos animais suplementados com uma fonte de nitrogênio não-protéico (NNP), estudos recentes indicam o uso de uma fonte de enxofre para que aminoácidos sulfurosos sejam sintetizados. Uma das indicações seria a combinação de ureia com sulfato de amônia ((NH4)2SO4) na proporção de 9/1. A utilização de nitrogênio não-protéico (NNP) deve sempre também ser associada a uma boa fonte de energia, já que a síntese de proteína microbiana através do nitrogênio (N) é um processo que necessita de boa quantidade de energia. Dentre essas fontes energéticas, pode-se utilizar cana-de-açúcar, melaço de cana, entre outras.

Em sistemas extensivos, as necessidades nutricionais dos ruminantes podem ser plenamente atendidas em pastagens consorciadas ou de gramíneas mais nobres, especialmente nas épocas mais favoráveis do ano. No entanto, em períodos de estiagem as necessidades alimentares dos ruminantes deixam de ser atendidas, principalmente em proteínas, uma vez que nessa situação, as forrageiras apresentam baixas taxas de crescimento e baixos níveis protéicos. Nessa condição, o fornecimento de ureia visa suprir uma deficiência protéica da dieta, resultando em uma melhor eficiência no desempenho dos animais.

Já em sistemas de produção intensiva, em que as necessidades nutricionais (especialmente em proteína), são plenamente atendidas, a ureia pode ser utilizada como fator de economia. Quando associada a fontes alimentares energéticas, poderá substituir integralmente os farelos protéicos das rações, que geralmente são os componentes mais onerosos, promovendo assim, uma economia na utilização desses componentes.

Como mencionado anteriormente, a utilização de ureia deve ser feita com muita cautela, pois níveis elevados podem acarretar em amônia livre no sangue sendo tóxico e podendo levar o animal à morte. Uma outra causa de intoxicação é a presença de água no cocho. A ureia tem alta higroscopicidade (capacidade de reter umidade) e o produto molhada deve ser descartado para que não seja ingerido pelos animais.

Nos casos de intoxicação, podem ser fornecidas ao animal duas garrafas de vinagre como antídoto, logo nos primeiros sintomas. É fundamental que a ureia seja fornecida de forma gradativa, ou seja, deve-se fazer adaptações nos animais que irão consumi-la, fornecendo assim, 1/3 da dose total indicada na primeira semana, 2/3 na segunda semana e a partir dos 14 dias que os animais estiverem recebendo alimento com ureia, poderá ser administrado à dose máxima indicada (0,40g/kg de peso vivo), para todas as espécies de ruminantes.

É importante ressaltar que, o sucesso na utilização da ureia depende de um correto balanceamento da ração e que a escolha do sistema a ser utilizado dependerá da disponibilidade, dos custos e do manejo adotado na propriedade. Os sistemas produtivos regionais podem utilizar com vantagens a ureia na alimentação e suplementação dos rebanhos devido ao leque de alternativas tecnológicas disponibilizadas aos produtores e ao baixo custo desse insumo.

Referências bibliográficas

PETROBRAS. Uréia pecuária Petrobrás: informações técnicas. [Rio de Janeiro]: Petrobrás, [199-]. 23 p.

PETROFÉRTIL. Uréia petrofértil para alimentação de ruminantes. [Rio de Janeiro]: Petrobrás, [199-]. 47 p.

SANTOS, G. T., CAVALIERI, F. L. B., MODESTO, E. C., Recentes Avanços em Nitrogênio não Protéico na Nutrição de Vacas Leiteiras. Lavras, MG, 2001. In: Simpósio internacional de bovinocultura de leite (novos conceitos em nutrição), Lavras, MG, 2001.

VALADARES FILHO, S. C.; MAGALHÃES, K. A.; ROCHA V. R.; CAPELLE, E. R.; In:Tabelas brasileiras de composição de alimentos para bovinos. 2ª edição - Viçosa, UFV, DZO, 2006. XV, 329p.

SUELI FREITAS DOS SANTOS

Zootecnista

RENAN M. MEDEIROS SANSON

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JOSÉ PAIVA SOARES

SÃO PAULO - SÃO PAULO - OVINOS/CAPRINOS

EM 06/08/2017

Olá boa noite a todos! Gostei muito do artigo e eu já estava mesmo querendo usar a ureia na alimentação de ovinos, por isso comecei a pesquisar. No meu entender ficou bem claro a quantidade máxima para  todas as espécies de ruminantes é de 0,40 gramas por quilo de peso vivo do animal ou seja (UMA GRAMA) para cada  2,5 quilos de peso vivo do animal.

Sendo assim cada um pode montar a sua própria receita calculando o peso do animal ou do lote de animais. Eu já iniciei com a ureia na alimentação estou fornecendo 1/3 da dose máxima conforme indicado e faço o cálculo do lote de animais tomando como base os animais de menor peso. Quanto aos tipos de volumosos acredito que isso não mude a quantidade ou a forma de administração. Primeiro eu forneço a cana de açúcar picada pura ou com capim e depois que eles terminam ou resta pouco no cocho eu forneço a mistura de concentrado.  Eu tenho usado a polpa cítrica deixando ela de molho para amolecer pois os cordeiros tem dificuldades para mastigar pois é dura coloco 1 medida de polpa para duas medidas de água e com isto ganho volume depois para cada medida de polpa acrescento uma medida de fubá isto depois que a polpa já absorveu a água e acrescento o sal mineral o vermífugo homeopatia e mais a ureia e misturo bem de acordo com o peso médio do lote. Os animais consomem com muita voracidade. Eu sempre tive medo de usar a ureia pela sua alta toxicidade mas usando com critério acho que não vai ter problema também por medida de segurança não pretendo fornecer a dosagem máxima fornecendo apenas 2/3 da dosagem máxima.

Quanto ao uso do vinagre como antídoto também pairou uma dúvida se é puro ou diluído, mas eu acredito que seja puro pois a no caso de intoxicação por ureia é devido a liberação de amônia na corrente sanguínea que é uma substancia caustica alcalina, sendo assim o vinagre que é uma substancia ácida vai combater a alcalinidade da amônia e com isto equilibrar o PH sanguíneo.  Mas isto é sob meu ponto de vista. Um abraço a todos e boa sorte..
EURICO ALVES FERREIRA NETO

BARRETOS - SÃO PAULO - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 23/05/2014

Além do sulfato de amônia, qual outra fonte de enxofre posso utilizar e em que proporção?
GELSON DIAS ARAUJO SANTOS

CAMPINA GRANDE - PARAIBA - PRODUÇÃO DE OVINOS DE CORTE

EM 04/04/2014

Prezada sueli,



Parabens pelo artigo. Contudo, com exposto pelos demais colegas, restou ausentes as prescrições de uso desse produto de acordo com os tipos de volumosos ofertados ao rebanho.



Abraços e boas pesquisas!
ALAELSON ANTONIO DA SILVA

COLORADO - PARANÁ - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE

EM 21/07/2011

sueli,estou no parana temos aqui grande quantidade de bagaço de cana, ja assisti pelo youtube, um trabalho de um colega seu de alagoas, que ja fez este trabalho mas nao tenho atualizaçao do mesmo, vc por acaso tem alguma experiencia neste sentido se possivel nos comunicar, pois estou interessado pois nesta epoca de seca eh uma boa alternativa

meu email eh alaelson.antonio@hotmail.com
BERNADETE

SOBRADINHO - BAHIA - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE

EM 02/08/2010

Sueli, gostei da informação da ureia como suplemento alimentar dos animais. Envie para nós, pequenos criadores, uma receita para 250 à 300 animais. Fico no aguardo. Grata,Berna.
SUELI FREITAS DOS SANTOS

ITAPIPOCA - CEARÁ - PRODUÇÃO DE CAPRINOS DE LEITE

EM 26/04/2010

Prezado Francisco Emídio, fico feliz por ter gostado do artigo e o agradeço pela sugestão. Abordarei o tema em um próximo artigo.
Abraços,
Sueli
FRANCISCO EMIDIO BARBOSA DE ARAUJO

PORTO VELHO - RONDÔNIA

EM 23/04/2010

Ótimo artigo, excelentes os esclarecimentos, porém, falta o melhor de tudo, a indicação. Sempre que ensinam uma receita seja de bolo ou de culinária estas trazem consigo os detalhes, quantos minutos de fogo, temperatura do forno, se a colher é de chá ou de sopa, enfim, informações detalhadas. Assim não só concordo com Assis de Vasconcelos como faço aqui a mesma sugestão ou cobrança para que ao fornecer estas informações que são importantíssimas para os produtores que forneçam com mais detalhes.

Obrigado.

Francisco
JOSE GUEDES NETO

SOLONÓPOLE - CEARÁ

EM 21/01/2010

Parabens pelo artigo,
conforme o colega assis falou, falta uma melhor indicação prática ao produtor, como exemplo, voces falam em fornecer dois vidros de vinagre. Existe vidros de vários tamanhos e com isso fica dificil saber. Outra indicação é que seja diluido em àgua.
um abraço.
SUELI FREITAS DOS SANTOS

ITAPIPOCA - CEARÁ - PRODUÇÃO DE CAPRINOS DE LEITE

EM 18/01/2010

Prezado Assis Vasconcelos, o agradeço pela sugestão. Em um próximo artigo sobre uréia, abordarei o que sugeriu.
Abraços,
Sueli.
ASSIS DE VASCONCELOS

SALVADOR - BAHIA - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 14/01/2010

Sr. Auditor,

Fica aqui uma sugestão. O artigo sobre o uso de uréia para ruminantes do jeito que foi descrito somente informa ao criador que existe uma fonte de N não proteico que é bom para os animais ruminantes. Será que não seria mais proveitoso que além desta divulgação também foi dado as receitas de bolo para o uso / aplicação do produto de acordo com o tipo de volumoso utilizado. Na bibliografia citada (prospectos da Petrobras) já existem estas receitas mas a empresa não possui os canais de divulgação.

Um abraço

Assis / Pecuarista