Este cenário de frio rigoroso será precedido, no entanto, por uma instabilidade perigosa. Antes da consolidação da massa de ar polar, o ingresso de ar muito quente no Sul do Brasil provocará tardes de calor atípico para o mês de maio. Essa alternância brusca de temperatura precede uma frente fria que traz consigo o risco de chuvas intensas e fortes tempestades.
Além das variações imediatas, o horizonte climático de longo prazo demanda planejamento estratégico devido à possível volta do fenômeno El Niño. O monitoramento do Centro de Previsão Climática (CPC/NOAA) aponta que, embora o Oceano Pacífico esteja atualmente em neutralidade, há um aquecimento gradual das águas. As projeções indicam que a probabilidade de formação do El Niño supera 60% no trimestre de maio a julho, podendo ultrapassar os 90% no segundo semestre de 2026. Para o Rio Grande do Sul e a Região Sul como um todo, isso significa um aumento significativo no transporte de umidade da Amazônia, potencializando tempestades e volumes de chuva acima da média histórica.
A memória recente dos eventos extremos de 2024 serve como um alerta rigoroso para a região. Naquele período, a combinação de um El Niño forte com o aquecimento do Atlântico resultou em inundações severas que desestruturaram a logística e a produção no Sul. Para 2026, as previsões do INMET já indicam tendência de chuvas acima da média para o trimestre atual no Rio Grande do Sul. Diante de um cenário de incertezas climáticas e oscilações bruscas, o monitoramento contínuo das condições oceânicas e atmosféricas torna-se uma ferramenta de gestão indispensável para mitigar riscos e garantir a sustentabilidade da atividade leiteira frente aos desafios do clima.
As informações são do INMET e MetSul, adaptadas pela equipe MilkPoint.
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