Quando focamos nas três fases críticas do período de transição (60 dias pré-parto, 30 dias pré-parto e 30 dias pós-parto), pequenos ajustes podem aumentar significativamente a saúde e o desempenho do rebanho.
A vaca leiteira é exposta a muitos riscos durante a fase de transição. Esses riscos estão associados a grandes mudanças metabólicas que ocorrem à medida que elas passam de um período de quiescência da glândula mamária para a produção de leite, e ainda passam pelo processo de parto. Identificar maneiras de apoiar a saúde e o bem-estar da vaca leiteira durante o período de transição pode melhorar a produtividade das vacas, aumentando o potencial de lucro e ainda ajudar a proteger a saúde de suas bezerras.
Analisar a otimização de todo o período de transição pode parecer uma tarefa assustadora à primeira vista, mas fica mais fácil quando dividimos em três períodos chave: 60 dias pré-parto, 30 dias pré-parto e 30 dias pós-parto. Pequenos ajustes durante essas fases, muitas vezes pode ter um grande impacto no bem-estar e no desempenho do seu rebanho a longo prazo.
Comece bem – 60 dias antes do parto
A próxima lactação da sua vaca começa no dia da secagem, e o seu plano de prevenção de doenças também deveria começar. Por exemplo a mastite é cara, custando aos produtores até US$ 444,00 por caso. A prevenção no início do período seco ajudará a preparar o sistema imunológico da vaca e garantir que ela permaneça saudável e lucrativa durante toda a próxima lactação.
Siga estes passos simples 60 dias antes do parto para ajudar a preparar suas vacas para o sucesso:
• Elimine casos de mastite persistentes para evitar a necessidade de uso de antibióticos na lactação subsequente. Tratamento intramamários para vacas secas ajudam a eliminar infecções mamárias existentes, que muitas vezes poderiam permanecem até serem diagnosticadas na próxima lactação.
• Previna a invasão bacteriana utilizando um selante de teto. Durante o período seco, um tampão de queratina se forma no canal do teto e atua como uma barreira física para impedir a entrada de bactérias. No entanto, nem todas as vacas conseguem formar esse tampão de forma eficiente. Um selante interno de teto comprovado e bem pesquisado é uma maneira fácil de oferecer proteção adicional às suas vacas.
• Vacine contra mastite por E. coli. As taxas de infecção intramamária por coliformes são cerca de quatro vezes maiores durante o período seco do que durante a lactação. A vacinação pode reduzir a gravidade desses casos, ajudando a eliminar a necessidade de tratamentos e a diminuir o número de mortes associadas à sepse e toxemia decorrentes dessas infecções.
Implementar essas práticas de prevenção de mastite durante o período seco pode proporcionar aos produtores um retorno líquido de cerca de US$ 21,00 por vaca. Esse retorno, ainda está subestimado, pois a prevenção estratégica da mastite durante o período seco contribui para maior produção de leite, melhor fertilidade e menores taxas de descarte na lactação subsequente, fatores chave para a rentabilidade geral do rebanho.
Avaliar e monitorar – 30 dias antes do parto
À medida que o parto se aproxima, torna-se cada vez mais importante gerenciar o ambiente do seu rebanho e minimizar os fatores de estresse. A Avaliação de Risco de Vacas em Transição (TCRA), desenvolvida pelo Dr. Ken Nordlund, da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de Wisconsin – Madison, EUA, fornece diretrizes úteis quando se trata de otimizar o manejo de vacas em transição. Os pontos mais importantes do TCRA podem ajudar a identificar algumas formas de ajustar protocolos de manejo:
• Espaço por vaca. Procure oferecer pelo menos 30 metro quadrados por vaca de área de cama com material de forragem e pelo menos 75 a 80 cm por vaca no cocho de alimentação.
• Superfície e tamanho das baias. Conforto é prioridade. Sempre que uma vaca quiser deitar-se, ela deve ter uma baia confortável à sua disposição.
• Reagrupamentos sociais. Estruture o fluxo dos animais durante o período seco e o parto para minimizar o número de mudanças de lote e a perturbação social que as vacas precisam enfrentar.
• Métodos de triagem de vacas recém paridas. Foque no treinamento dos funcionários e em tecnologias que permitam avaliar minuciosamente o estado de saúde de cada vaca, todos os dias, mantendo o tempo de contenção bem abaixo de uma hora.
Junto com essas práticas de manejo, podemos fortalecer a saúde do rebanho com um protocolo de vacinação completo e estratégico. Com as mudanças metabólicas que as vacas estão enfrentando, novilhas em crescimento e vacas podem facilmente se tornar vítimas de desafios de doenças. Isso é especialmente verdadeiro durante as cinco semanas que antecedem o parto.
Trabalhe em conjunto com o veterinário do seu rebanho para desenvolver um protocolo de vacinação que atenda aos desafios específicos e às pressões de doenças na sua fazenda.
Também precisamos ficar atentos ao apoio à imunidade de bezerros recém-nascidos. Vacinar vacas secas e novilhas com uma vacina contra diarreia de bezerros entre três e seis semanas antes do parto coincide com o pico de produção de colostro, o que ajuda a facilitar a transferência ideal de anticorpos para o colostro. Essa transferência ideal de anticorpos, quando combinada com um bom programa de colostragem, conferirá proteção adicional ao bezerro contra bactérias e vírus comuns causadores de diarreia.
Produtividade em foco – 30 dias pós-parto
À medida que vacas e novilhas entram no período mais produtivo de seu ciclo de lactação, é importante continuar monitorando sua saúde, mantendo um olhar atento para doenças comuns do pós-parto, como metrite e mastite. Os primeiros 10 dias após o parto é um período em que as vacas recém paridas estão particularmente suscetíveis a doenças metabólicas e infecciosas. Considere o seguinte para manter as vacas saudáveis durante esse período crítico e melhorar o potencial reprodutivo:
• Identifique doenças precocemente: doenças em vacas no início da lactação podem prejudicar a produção de leite e a eficiência reprodutiva subsequente. Implementar um programa estruturado de monitoramento de vacas recém paridas pode ajudar a garantir tratamento oportuno e reduzir o tempo de recuperação e descarte de leite.
• Administre tratamentos rápidos e eficazes: episódios crônicos e recorrentes de doenças podem causar um impacto significativo nas vacas e, em última análise, no seu resultado financeiro. Quando possível considere opções de tratamento comprovadas com menor descarte de leite.
• Forneça nutrição de qualidade e consistente: monitore a ingestão de alimento no pré-parto e pós-parto e consulte regularmente seu nutricionista para identificar quaisquer lacunas no programa nutricional que possam ser resolvidas para melhorar a saúde e a produtividade.
No final todos sabemos que ter um rebanho saudável vai melhorar a rentabilidade da fazenda. O manejo das vacas no período de transição consiste em manter a saúde e o desempenho das vacas, enquanto se gerenciam as vulnerabilidades ao longo de cada uma das fases de transição, desde o período de secagem, passando pelo parto e pós-parto.
Muitos produtores de leite já estão implementando muitas das práticas acima em suas fazendas e, muitas vezes, pequenos ajustes em um programa podem ter o maior impacto e abrir caminho para a melhoria da saúde das vacas e da produtividade.
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