Da secagem ao pico de produção

Quando focamos nas três fases críticas do período de transição (60 dias pré-parto, 30 dias pré-parto e 30 dias pós-parto), pequenos ajustes podem aumentar significativamente a saúde e o desempenho do rebanho. A vaca leiteira é exposta a muitos riscos durante a fase de transição.

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Esse texto é parto da publicação Matthew Boyle, na Revista Progressive Dairy em 15/12/2025.

Quando focamos nas três fases críticas do período de transição (60 dias pré-parto, 30 dias pré-parto e 30 dias pós-parto), pequenos ajustes podem aumentar significativamente a saúde e o desempenho do rebanho.

A vaca leiteira é exposta a muitos riscos durante a fase de transição. Esses riscos estão associados a grandes mudanças metabólicas que ocorrem à medida que elas passam de um período de quiescência da glândula mamária para a produção de leite, e ainda passam pelo processo de parto. Identificar maneiras de apoiar a saúde e o bem-estar da vaca leiteira durante o período de transição pode melhorar a produtividade das vacas, aumentando o potencial de lucro e ainda ajudar a proteger a saúde de suas bezerras.

Analisar a otimização de todo o período de transição pode parecer uma tarefa assustadora à primeira vista, mas fica mais fácil quando dividimos em três períodos chave: 60 dias pré-parto, 30 dias pré-parto e 30 dias pós-parto. Pequenos ajustes durante essas fases, muitas vezes pode ter um grande impacto no bem-estar e no desempenho do seu rebanho a longo prazo.

Comece bem – 60 dias antes do parto

A próxima lactação da sua vaca começa no dia da secagem, e o seu plano de prevenção de doenças também deveria começar. Por exemplo a mastite é cara, custando aos produtores até US$ 444,00 por caso. A prevenção no início do período seco ajudará a preparar o sistema imunológico da vaca e garantir que ela permaneça saudável e lucrativa durante toda a próxima lactação.

Siga estes passos simples 60 dias antes do parto para ajudar a preparar suas vacas para o sucesso:

Elimine casos de mastite persistentes para evitar a necessidade de uso de antibióticos na lactação subsequente. Tratamento intramamários para vacas secas ajudam a eliminar infecções mamárias existentes, que muitas vezes poderiam permanecem até serem diagnosticadas na próxima lactação.

Previna a invasão bacteriana utilizando um selante de teto. Durante o período seco, um tampão de queratina se forma no canal do teto e atua como uma barreira física para impedir a entrada de bactérias. No entanto, nem todas as vacas conseguem formar esse tampão de forma eficiente. Um selante interno de teto comprovado e bem pesquisado é uma maneira fácil de oferecer proteção adicional às suas vacas.

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Vacine contra mastite por E. coli. As taxas de infecção intramamária por coliformes são cerca de quatro vezes maiores durante o período seco do que durante a lactação. A vacinação pode reduzir a gravidade desses casos, ajudando a eliminar a necessidade de tratamentos e a diminuir o número de mortes associadas à sepse e toxemia decorrentes dessas infecções.

Implementar essas práticas de prevenção de mastite durante o período seco pode proporcionar aos produtores um retorno líquido de cerca de US$ 21,00 por vaca. Esse retorno, ainda está subestimado, pois a prevenção estratégica da mastite durante o período seco contribui para maior produção de leite, melhor fertilidade e menores taxas de descarte na lactação subsequente, fatores chave para a rentabilidade geral do rebanho.

Avaliar e monitorar – 30 dias antes do parto

À medida que o parto se aproxima, torna-se cada vez mais importante gerenciar o ambiente do seu rebanho e minimizar os fatores de estresse. A Avaliação de Risco de Vacas em Transição (TCRA), desenvolvida pelo Dr. Ken Nordlund, da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de Wisconsin – Madison, EUA, fornece diretrizes úteis quando se trata de otimizar o manejo de vacas em transição. Os pontos mais importantes do TCRA podem ajudar a identificar algumas formas de ajustar protocolos de manejo:

• Espaço por vaca. Procure oferecer pelo menos 30 metro quadrados por vaca de área de cama com material de forragem e pelo menos 75 a 80 cm por vaca no cocho de alimentação.

• Superfície e tamanho das baias. Conforto é prioridade. Sempre que uma vaca quiser deitar-se, ela deve ter uma baia confortável à sua disposição.

• Reagrupamentos sociais. Estruture o fluxo dos animais durante o período seco e o parto para minimizar o número de mudanças de lote e a perturbação social que as vacas precisam enfrentar.

• Métodos de triagem de vacas recém paridas. Foque no treinamento dos funcionários e em tecnologias que permitam avaliar minuciosamente o estado de saúde de cada vaca, todos os dias, mantendo o tempo de contenção bem abaixo de uma hora.

Junto com essas práticas de manejo, podemos fortalecer a saúde do rebanho com um protocolo de vacinação completo e estratégico. Com as mudanças metabólicas que as vacas estão enfrentando, novilhas em crescimento e vacas podem facilmente se tornar vítimas de desafios de doenças. Isso é especialmente verdadeiro durante as cinco semanas que antecedem o parto.

Trabalhe em conjunto com o veterinário do seu rebanho para desenvolver um protocolo de vacinação que atenda aos desafios específicos e às pressões de doenças na sua fazenda.

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Também precisamos ficar atentos ao apoio à imunidade de bezerros recém-nascidos. Vacinar vacas secas e novilhas com uma vacina contra diarreia de bezerros entre três e seis semanas antes do parto coincide com o pico de produção de colostro, o que ajuda a facilitar a transferência ideal de anticorpos para o colostro. Essa transferência ideal de anticorpos, quando combinada com um bom programa de colostragem, conferirá proteção adicional ao bezerro contra bactérias e vírus comuns causadores de diarreia.

Produtividade em foco – 30 dias pós-parto  

À medida que vacas e novilhas entram no período mais produtivo de seu ciclo de lactação, é importante continuar monitorando sua saúde, mantendo um olhar atento para doenças comuns do pós-parto, como metrite e mastite. Os primeiros 10 dias após o parto é um período em que as vacas recém paridas estão particularmente suscetíveis a doenças metabólicas e infecciosas. Considere o seguinte para manter as vacas saudáveis durante esse período crítico e melhorar o potencial reprodutivo:

Identifique doenças precocemente: doenças em vacas no início da lactação podem prejudicar a produção de leite e a eficiência reprodutiva subsequente. Implementar um programa estruturado de monitoramento de vacas recém paridas pode ajudar a garantir tratamento oportuno e reduzir o tempo de recuperação e descarte de leite.

Administre tratamentos rápidos e eficazes: episódios crônicos e recorrentes de doenças podem causar um impacto significativo nas vacas e, em última análise, no seu resultado financeiro. Quando possível considere opções de tratamento comprovadas com menor descarte de leite.

Forneça nutrição de qualidade e consistente: monitore a ingestão de alimento no pré-parto e pós-parto e consulte regularmente seu nutricionista para identificar quaisquer lacunas no programa nutricional que possam ser resolvidas para melhorar a saúde e a produtividade.

No final todos sabemos que ter um rebanho saudável vai melhorar a rentabilidade da fazenda. O manejo das vacas no período de transição consiste em manter a saúde e o desempenho das vacas, enquanto se gerenciam as vulnerabilidades ao longo de cada uma das fases de transição, desde o período de secagem, passando pelo parto e pós-parto.

Muitos produtores de leite já estão implementando muitas das práticas acima em suas fazendas e, muitas vezes, pequenos ajustes em um programa podem ter o maior impacto e abrir caminho para a melhoria da saúde das vacas e da produtividade.

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Material escrito por:

Ricarda Maria dos Santos

Ricarda Maria dos Santos

Professora da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Uberlândia. Médica veterinária formada pela FMVZ-UNESP de Botucatu em 1995, com doutorado em Medicina Veterinária pela FCAV-UNESP de Jaboticabal em 2005.

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