A limitação da oferta é explicada tanto pela sazonalidade, que reduz a disponibilidade de pastagens e eleva os custos de nutrição, quanto pela maior cautela dos produtores após margens mais apertadas em 2025. O Índice de Captação de Leite (ICAP-L) recuou 3,9% de fevereiro para março e acumula queda de 11,1% no trimestre. Ao mesmo tempo, os custos seguem pressionando: o Custo Operacional Efetivo (COE) subiu 0,46% em março, acumulando alta de 2,11% no ano.
Com menor disponibilidade de matéria-prima, os derivados, como leite UHT e muçarela, também registraram valorização. No entanto, na segunda quinzena de abril, o ritmo de alta perdeu força. Segundo o MilkPoint Mercado, o UHT registrou quedas em todas as regiões, com preços entre R$ 4,53 e R$ 4,88/litro e maior pressão nas negociações, diante de compradores mais cautelosos. Já a muçarela também recuou na maioria das praças, com médias entre R$ 34,0/kg e R$ 36,7/kg, refletindo um mercado mais travado e menor apetite de compra. No cenário externo, as importações avançaram 33% em março, somando 604 milhões de litros em equivalente leite no primeiro trimestre — volume apenas 0,9% menor que o de um ano antes.
Para os próximos meses, a expectativa ainda é de valorização em abril, mas com perda de intensidade a partir de maio, diante da resistência do consumo aos preços elevados, da manutenção das importações e de uma possível reação da produção, o que deve aumentar a cautela da indústria nos repasses ao produtor.
Gráfico 1. Série de preços médios recebidos pelo produtor (líquido), em valores reais (deflacionados pelo IPCA de março/2026). Fonte: Cepea-Esalq/USP.
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As informações são do CEPEA/USP, adaptadas pela Equipe MilkPoint.