Especial Leite por Elas, com Marlene Kaiut: gestão, transformação e o olhar de quem está todos os dias na fazenda

O Dia Internacional das Mulheres foi celebrado em 8 de março, mas as histórias que inspiram a pecuária leiteira brasileira seguem sendo contadas ao longo de todo o mês no Especial Leite por Elas, do MilkPoint. A série dá visibilidade a produtoras que transformam a atividade e entre essas histórias está a da produtora Marlene Kaiut, conhecida no setor como a "Rainha do Jersey".

Publicado em: - 3 minutos de leitura

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O Dia Internacional das Mulheres, celebrado em 8 de março, continua sendo lembrado no Brasil com o Especial Leite por Elas, do MilkPoint, que destaca produtoras de leite. A história de Marlene Kaiut, a "Rainha do Jersey", é um exemplo de transformação na Chácara São João, onde ela reorganizou a gestão e expandiu o rebanho de 40 para mais de 400 animais. Investimentos em estrutura, bem-estar animal e práticas sustentáveis foram implementados, além de sua presença ativa na rotina da fazenda. O projeto busca compartilhar mais histórias inspiradoras de mulheres no setor.
O Dia Internacional das Mulheres foi celebrado em 8 de março, mas as histórias que inspiram a pecuária leiteira brasileira seguem sendo contadas ao longo de todo o mês no Especial Leite por Elas, do MilkPoint. A série dá visibilidade a produtoras que transformam a atividade por meio de gestão, dedicação e decisões tomadas no dia a dia da fazenda.

Entre essas histórias está a da produtora Marlene Kaiut, conhecida no setor como a “Rainha do Jersey”. À frente da Chácara São João, em Carambeí (PR), ela transformou uma propriedade que enfrentava dificuldades financeiras em uma fazenda estruturada, eficiente e reconhecida na produção leiteira. Ao longo de mais de uma década de trabalho, a evolução foi expressiva. Quando assumiu a gestão da atividade, a propriedade contava com cerca de 60 animais — número que chegou a ser reduzido para 40 durante o processo de reorganização. Hoje, o rebanho ultrapassa os 400 animais e a fazenda se tornou referência em estrutura, manejo e gestão. 

Figura 1: Marlene Kaiut, proprietária da Chácara São João.  

Marlene Kaiut

A mudança começou pela gestão

Segundo Marlene, o ponto de virada da propriedade não foi apenas estrutural, mas principalmente administrativo. Ao assumir a fazenda, ela percebeu que faltava organização e controle sobre as operações. “Era tudo muito bagunçado. Não tinha controle de nada do que entrava ou saía da propriedade. A primeira mudança foi organizar a gestão, acompanhar números e entender exatamente onde estávamos errando e onde estávamos acertando”, explica.

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A implantação de controles e indicadores passou a orientar as decisões dentro da fazenda. Para a produtora, esse é um passo fundamental para qualquer propriedade leiteira que busca evoluir. “Hoje temos controle de tudo que entra e tudo que sai. Assim conseguimos avaliar os resultados e corrigir rotas. Toda propriedade deveria trabalhar dessa forma.”

Investimentos em estrutura e bem-estar animal

Com a gestão organizada e as finanças sob controle, os investimentos começaram a ganhar espaço dentro da propriedade.

Entre as mudanças estruturais, Marlene destaca a construção de um confinamento com capacidade para 260 animais, pensado para melhorar o conforto das vacas e facilitar o trabalho da equipe. “O barracão trouxe muito resultado. Melhorou o conforto dos animais e também a rotina dos funcionários”, relata.

Outro ponto de destaque foi a implantação de um bezerreiro modelo, que trouxe ganhos importantes na criação das bezerras. “Foi uma mudança enorme. Melhorou muito o conforto dos animais, a praticidade no manejo e reduziu bastante a mortalidade.” 

Figura 2: Plantel da Chácara São João. 

Marlene Kaiut

Produção integrada e foco em sustentabilidade

Além da estrutura produtiva, a propriedade também avançou em práticas voltadas à sustentabilidade e à eficiência no uso de recursos.

Hoje, a fazenda conta com geração de energia solar e um sistema integrado de reaproveitamento de resíduos. Os dejetos dos animais são utilizados na adubação das lavouras, reduzindo a dependência de fertilizantes químicos.

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A propriedade também utiliza fertirrigação, permitindo irrigar as áreas de produção em períodos mais secos. “Hoje conseguimos trabalhar de forma muito integrada. Os dejetos voltam para as lavouras, diminuindo o custo com adubação, e temos recursos para irrigar quando necessário”, explica.

Presença no manejo faz diferença

Mesmo com a expansão da atividade e a equipe formada, Marlene mantém forte presença na rotina da fazenda. Algumas tarefas ela faz questão de continuar executando pessoalmente.

Entre elas estão o casqueamento do rebanho — realizado duas vezes por ano em cerca de 300 animais —, a mochação de bezerros e a cobertura de folgas dos funcionários. “Eu continuo fazendo a parte da leiteria, faço o casqueamento e também cubro a folga da equipe. Não abro mão de acompanhar a rotina.”

Para ela, a presença constante do produtor no dia a dia da propriedade faz diferença nos resultados. “Quando você acompanha a rotina, a propriedade funciona de outra forma. Sempre digo: é o olho do dono que engorda o boi.”

Mulheres que transformam a pecuária leiteira

Histórias como a de Marlene mostram como gestão, dedicação e busca constante por melhoria podem transformar propriedades e inspirar outras mulheres dentro do setor.

O Especial Leite por Elas segue aberto para novas histórias. Você conhece uma mulher que faz a diferença na produção leiteira, na gestão ou na técnica dentro da porteira? Indique nos comentários ou entre em contato com a equipe do MilkPoint e ajude a ampliar as vozes femininas no setor.

Vale a pena ler também: Leite A2A2, vacas Jersey e queijo com identidade: por dentro da estratégia da Fazenda Buritis

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Material escrito por:

Raquel Maria Cury Rodrigues

Raquel Maria Cury Rodrigues

Head do MilkPoint e Zootecnista pela UNESP de Botucatu

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