Nas últimas semanas, tempestades e episódios de alagamento atingiram estados como Minas Gerais, Mato Grosso e São Paulo, reforçando a sensação de um fim de verão particularmente instável em 2026.
O papel da ZCAS nas chuvas recentes
Especialistas atribuem parte das chuvas intensas registradas nas últimas semanas à atuação da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS). Esse sistema meteorológico forma um corredor de nuvens que se estende da Amazônia até o Atlântico Sul, atravessando a faixa central do Brasil.
Quando esse corredor de umidade se encontra com temperaturas elevadas na superfície do oceano e na atmosfera, o ambiente torna-se favorável à formação de nuvens carregadas e episódios prolongados de precipitação. Esse tipo de configuração costuma provocar volumes expressivos de chuva em curto período, aumentando o risco de alagamentos e transtornos urbanos.
El Niño pode antecipar mudanças no padrão climático
Se as últimas semanas já chamam atenção pelo volume de chuva, o cenário climático para os próximos meses também merece monitoramento. Projeções indicam que os efeitos do El Niño podem começar a ser sentidos mais cedo do que o habitual em 2026, possivelmente já a partir de maio.
Segundo o meteorologista Vinicius Lucyrio, da Climatempo, as projeções atuais apontam para um evento climático com intensidade significativa.
“Possivelmente, o El Niño este ano terá um início acelerado, e a expectativa é de que seja, no mínimo, um evento climático com intensidade de moderada a forte”, afirma o meteorologista.
Uma das principais preocupações associadas ao fenômeno é o aumento da frequência de temporais severos. Com o ar e as águas do oceano mais quentes, cresce a disponibilidade de energia na atmosfera: um fator que pode intensificar eventos climáticos extremos.
Ondas de calor e tempestades no horizonte
As projeções indicam que o Brasil pode voltar a enfrentar um padrão semelhante ao observado em 2023, marcado por extremos climáticos mais frequentes.
De acordo com Lucyrio, a tendência é de que, a partir do final do inverno e ao longo da primavera de 2026, ocorram episódios prolongados de calor intenso e períodos de tempo seco em grande parte do interior do país. Ao mesmo tempo, outras regiões podem experimentar o efeito oposto.
No Sul, por exemplo, o inverno já pode apresentar aumento da instabilidade, com maior presença de nuvens e tempestades. Eventos de chuva abrangente, com potencial para enchentes, e sistemas convectivos intensos tendem a se tornar mais frequentes na primavera. Parte dessa instabilidade também pode alcançar estados como Mato Grosso do Sul e São Paulo.
Um ano de extremos climáticos?
O conjunto dessas projeções sugere que 2026 pode ser marcado por uma alternância mais intensa entre eventos climáticos extremos, com episódios de chuva forte, ondas de calor prolongadas e períodos de seca em diferentes regiões do país.
Embora previsões climáticas sempre carreguem incertezas, o cenário atual reforça a necessidade de acompanhamento constante das condições meteorológicas. Em um contexto de oceanos cada vez mais quentes, a tendência é que fenômenos naturais como ZCAS e El Niño tenham impactos cada vez mais perceptíveis no cotidiano das cidades e das atividades econômicas.
As informações meteorológicas são do Instituto Nacional de Meteorologia e Climatempo, adaptadas pela equipe MilkPoint.
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