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Compost barn dá dinheiro?

POR HAYLA FERNANDES

E HENRIQUE RODRIGUES GOMES PEREIRA

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 24/07/2020

5 MIN DE LEITURA

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Acho que já escutamos essa pergunta pelo menos 1 milhão de vezes. Todos querem entrar na moda do composto! Se meu vizinho, fez por que eu não posso fazer? Eu ouvi que é isso que vai dar lucro, por que não construir?

Escrevemos esse artigo no intuito de mostrar que construir pode ser um grande acerto para sua fazenda... ou um grande erro. Sabem por quê? Porque uma construção é apenas um meio. Pense em vários barracões que você conhece. Pense nas estruturas, nas vacas, no clima... Não são muito similares? Então por que um tem média de 20, outro de 30 e o outro de 35. O que há de diferente entre eles?

A chave é: você consegue copiar a estrutura, mas é o jeito de fazer as coisas acontecerem que faz a média subir, a sanidade melhorar, a reprodução ficar redonda e conseguir alta rentabilidade. O que determina se a atividade vai dar dinheiro ou não é sua capacidade de gerir todos os recursos que você tem dentro da fazenda, e isto é a tal “sonhada” gestão do negócio e, de longe, não é a altura da mureta que vai decidir isso. O que nós vamos falar aqui vale pra sua fazenda de leite ou para qualquer negócio.

Pensemos no planejamento do seu negócio primeiro. Atenção a essas perguntas:

  • Quanto eu espero do meu negócio após a construção do Compost? Minha fazenda hoje dá lucro?
  • Qual o cenário de preço de leite que eu usei nos meus cálculos? E se o preço do leite cair? Vou me contentar somente com o tal ponto de equilíbrio (quando o negócio empata, sem prejuízo, mas também sem lucro)? Lembre-se que sua decisão terá implicações a longo prazo.
  • Meus funcionários sabem exatamente onde eu quero chegar? Eles sabem o que eu espero do trabalho deles? Eles sabem qual a importância do trabalho deles e como fazer cada tarefa com excelência? Eu tenho capacidade em capacitá-los a entender este novo modelo de produção?
  • Sei produzir volumoso de boa qualidade? Lembre-se que seu sistema não será mais a pasto e que o novo sistema não poderá ser limitado pela quantidade e qualidade do volumoso, não é mesmo?

Se você não conseguiu responder essas perguntas, provavelmente é hora de parar tudo, respirar e se organizar primeiro.

A ideia aqui não é falar mal da construção, até porque vocês sabem o quanto sou embaixadora do conforto (ass.: Hayla), mas para um negócio sobreviver a longo prazo (lembre-se que o barracão vai durar pelo menos 20 anos) não basta dar o melhor do conforto aos animais. Não basta seguirmos cada detalhe do projeto civil e fazer um resort para as vacas, mas que dê prejuízo.

A gestão do negócio vai muito além da gestão financeira e/ou da qualidade do projeto. Na nossa visão, além da preocupação com a estrutura, deveríamos nos questionar e buscar melhorar as tarefas do dia a dia, todos os dias, um passo de cada vez, contribuindo para a capacitação das pessoas que estão lá, na “labuta” diária com as vacas. Só de prestar mais atenção a isso provavelmente verão vários pontos críticos, que determinam se a fazenda vai ter os 20 ou 30 litros de média.

Além disso, acertar o “como fazer” diminui desperdícios (de tempo, comida, medicamentos, etc.), riscos (de mandar leite com antibiótico para o laticínio por exemplo), melhora o engajamento (rotatividade) entre outros inúmeros ganhos. Você entende que é aí que fica sua margem de lucro? Entende porque rentabilidade tem tudo a ver com como as pessoas fazem cada pequena tarefa todos os dias?

Ok. Entendi. Mas como chegar lá? Grave na sua mente: “Resolver pequenas dificuldades todos os dias é melhor do que resolver um grande problema a cada 10 anos” ou seja, estando junto com as pessoas, envolvendo-as, escutando-as, facilitando o trabalho delas você vai ajustar cada pequena tarefa.

O barracão é apenas um meio, entende? Tarefas que parecem “simples”, como revirar a cama, limpar as pistas de alimentação, repor a cama, ligar/desligar o sistema de ventilação, dentre outras inúmeras tarefas que uma fazenda leiteira exige, vão determinar se o barracão vai dar resultado ou não. Você vai se surpreender em como seus funcionários vão mudar e dessa forma eles vão se comportar de maneira diferente.

Se eles te veem todos os dias preocupado em melhorar pequenas tarefas e estando junto, facilitando o trabalho, pegando na mão, logo eles estarão buscando maneiras de contribuir para que essa tarefa seja mais fácil, ou feita da melhor forma. E o melhor: porque eles querem! Isso cria uma cultura de melhoria contínua, e mais, um hábito na sua vida e de seus funcionários. Infelizmente a maioria das fazendas operam no piloto automático e continuam errando nos mesmos pontos, e o pior, sempre colocando a culpa no sistema e/ou nas pessoas.

Muitos produtores tem processos ruins e querem mudar o sistema para ver se a coisa melhora. Se você não entender que os processos são o cerne do funcionamento dessa grande engrenagem, você irá construir um barracão hoje, amanhã vai comprar um robô e depois de amanhã mais alguma nova tecnologia e seus resultados vão continuar ruins porque você continua se apoiando apenas na estrutura para chegar nos resultados, enquanto deveria estar focado nas pessoas e nas tarefas por elas executadas. Ou seja, meus caros, se você não for bom com pessoas e processos, nem com compost, nem com vacas de 50 litros, nem com robôs, sua fazenda vai deslanchar.

Agora se você já tem essa consciência e está focando nos processos, aí, meu amigo, sua fazenda realmente tem grandes chances de chegar longe! Muito longe! Porque você sempre vai conseguir tirar o máximo do seu sistema, seja ele a pasto, compost ou freestall, seja vaca, frango, suíno, agricultura. Você vai ser o empreendedor que vai dar certo em qualquer atividade. Se precisa de ajuda, contrate um bom consultor nessa área. Com certeza isso vai te ajudar a fazer um bom planejamento de gestão de pessoas e processos na fazenda.

Espero que tenhamos esclarecido que: sim, compost dá dinheiro pra quem sabe ganhar dinheiro! Pra quem tem as preocupações certas e seu negócio na mão não só financeiramente, mas olhando sempre para as pessoas que compõem o negócio.

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HAYLA FERNANDES

Médica veterinária pela UFG e mestre em sustentabilidade e pecuária. Atua principalmente com conforto animal e período de transição de vacas leiteiras. Proprietária do perfil @vaca_feliz_oficial no Instagram.

HENRIQUE RODRIGUES GOMES PEREIRA

Médico Veterinário. Trabalha com produtores de leite do triângulo mineiro, Alto Paranaíba e sul de Minas.

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FRANCISCO BRITO LIMA

UBERLÂNDIA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 30/07/2020

Parabéns pelo artigo
Simples e ao mesmo tempo
Extraordianario
HAYLA FERNANDES

GOIÂNIA - GOIÁS - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 28/07/2020

Olá queridos,
Muitos tem procurado eu e o Henrique perguntando mais detalhes sobre a linha de raciocínio mostrada nesse texto. Trata-se da união de nossa prática e de conceitos aprendidos na formação do MDA, juntamente com o professor Paulo Machado. Acreditamos nessa linha de raciocínio e que se mais fazendas pensassem sob esse angulo seriamos muito mais produtivos, independente do sistema utilizado.
Forte abraço a todos
JAYME ALONSO JR

PEDRO DE TOLEDO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 28/07/2020

Boa tarde Hayla, apos ler todas os artigos referentes a compost barn eu ainda tenho algumas duvidas, eu tenho uma criaçao de galo Girolando de leite, e gostaria de iniciar um confinamento, mas minha regiao é muito umida entao, por estar proximo a um corrego acredito que a unidade aumente conforme os periodos do ano, entao minha duvida é; o melhor é um compost barn ou um free stall?
Ja que tenho que alimentar esses animais no coxo, qual melhor opçao?
HAYLA FERNANDES

GOIÂNIA - GOIÁS - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 28/07/2020

Olá Jayme,
Eu te diria que a primeira preocupação em relação a escolha do local deveria ser a questão ambiental, pois existe um limite bem regulamentado da distancia entre o confinamento (seja freestall ou compost) de rios, corregos, etc. Te aconselho a procurar a secretaria de meio ambiente da sua cidade para se certificar sobre isso e não ter perigo de ter a obra embargada ou receber multa.
Sobre o compost funcionar bem em regiões umidas é possível, provavelmente você terá que manter os ventiladores ligados 100% do tempo (isso não será negociável) e a reposição de cama talvez seja maior. Depende da sua lotação, média, etc.
Sobre a escolha do sistema como você pensa em Girolando, para que ele se adapte bem no freestall provavelmente você precisará ter um gado mais padronizado, o que é possível também.
Abraço
LUCIANO DA SILVA VIEIRA

GOIÂNIA - GOIÁS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 28/07/2020

Parabéns, a dupla (Hayla e Henrique).
Certamente qualquer sistema produtivo terá sucesso, desde que haja alguém preocupado em estancar o vazamento da torneira, que diariamente é utilizada, mas poucos se preocupam em resolver o problema, que muitas vezes demandam de ajustes finos.
Forte abraço.
HAYLA FERNANDES

GOIÂNIA - GOIÁS - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 28/07/2020

Olá Luciano, muitissimo obrigada!
Nos sentimos na obrigação de trazer algumas informações além de medidas, projetos, etc para que as fazendas passem a pensar no negócio como um todo e sejam sustentáveis na atividade.
abraço
PAULO CESAR MIRANDA MARQUES

CACHOEIRO DE ITAPEMIRIM - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 28/07/2020

Paulo Cesar M Marques
Muito boa sua analise Hayla,foi justamente no ponto central do negocio.
PAULO RAFAEL LEMOS AMARAL

UBERABA - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 28/07/2020

Excepcional Hayla, muito bom artigo!
JOÃO LEONARDO PIRES CARVALHO FARIA

MONTES CLAROS - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 28/07/2020

gestão, gestão, gestão, gestão......é isso aí!
PAULO FERNANDO MACHADO

PIRACICABA - SÃO PAULO

EM 28/07/2020

Muito bom, Hayla e Henrique. Fico muito contente de ver que vocês estão transferindo fielmente os conceitos que aprenderam no Curso MDA. O modelo de gestão Agro+Lean, que é ensinado no Curso MDA, vem sendo desenvolvido há mais de 30 anos com enormes sucessos na pecuária de leite e em outras atividades do agro como suinocultura, fruticultura, sojicultura, etc. É, portanto, com satisfação que vejo que vocês acreditaram nos ensinamentos e os estão repetindo.
HAYLA FERNANDES

GOIÂNIA - GOIÁS - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 28/07/2020

Olá Professor. É uma honra poder praticar o que foi aprendido na formação do MDA e conseguir dividir um pouco disso com os leitores do portal.
Acredito porque ví na pratica e até que me provem o contrário é o modelo que mais respondeu meus questionamentos se tratando de fazendas.
Abraço
DEUSDEDIT LEAL DA SILVA

PRESIDENTE EPITÁCIO - SÃO PAULO

EM 27/07/2020

Valeu gata você foi na fonte da preocupação da area do processo para se iniciar no ramo do leite. Se não tiver mão de opbra com qualidade vai ficar ruim para o seguimento . Tenho sonhos neste seguimento e espero que em breve eu vou me comunicar com a mestre para uma consultoria . Um abraço e muito obrigado.
JOEDSON SILVA SCHERRER

CACHOEIRO DE ITAPEMIRIM - ESPÍRITO SANTO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 27/07/2020

Parabéns Hayla. Excelente análise.
Sou consultor em Gado de Leite no Espírito Santo e trabalho dando assessoria em projetos de Compost no Estado a cerca de 05 anos.
Realmente são nas pequenas tarefas e no cotidiano do dia a dia que as coisas acontecem e a atividade cresce.
Proporcionar um bom ambiente para as vacas é de extrema importância, mas o grande desafio é fazer isto acontecer no dia a dia. Ainda trabalhamos com muito indivíduo, que me permita a expressão, de índole teimosa, que acha que muitas tarefas, por mais simples que sejam, não precisam ser executadas.
Concordo plenamente que só com o aperfeiçoamento de nossa mão de obra (Treinamentos) podemos superar e atingir bons resultados, aliás o que todos esperam.
SIDNEY SEBASTIÃO RODRIGUES DE OLIVEIRA

CURITIBA - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 24/07/2020

Parabéns Hayla por esse artigo.
Trabalho com extensão rural no estado do Paraná e as suas palavras vem de encontro a uma realidade que faz parte do cotidiano do trabalho de assistência técnica e extensão rural. O resultado positivo na produção de leite é função diretamente proporcional ao profissionalismo que é aplicado à gestão do negócio. Infelizmente a leitura que se faz da realidade da atividade leiteira , é distorcida, muitas vezes equivocada e influenciada por modismos que buscam, de forma simplista, por resultados imediatistas e centrado na lei do menor esforço. Esse comportamento muitas vezes condena uma tecnologia que pode ser, se utilizada aliada a boas técnicas de gestão , a mão na roda da atividade, à perecer na fogueira do descrédito.
HENRIQUE COSTALES JUNQUEIRA

UBERLÂNDIA - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 24/07/2020

Boa Sidinho!!!