Irmãs Amazonas: a gestão do leite sob o olhar da geração Z no Espírito Santo

Conhecidas nas redes sociais como Irmãs Amazonas, elas integram a lista da Forbes "Mulheres da Geração Z que estão mudando o agro" de 2025.

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O texto apresenta Natieli e Valeska Sperandio, conhecidas como Irmãs Amazonas, que se destacam na agricultura familiar em Colatina (ES). Reconhecidas pela Forbes como líderes rurais da Geração Z, elas gerenciam a propriedade da família, focando na pecuária leiteira após a morte do pai. Através da comunicação digital, promovem a visibilidade da produção e da presença feminina no setor. A gestão da propriedade evoluiu por meio de aprendizado contínuo e adaptação, destacando a importância da persistência na produção leiteira.
Na continuidade do Especial Leite por Elas, o MilkPoint apresenta a trajetória das capixabas Natieli Sperandio e Valeska Sperandio, do sítio Córrego Olho D’Água, em Colatina (ES). Conhecidas nas redes sociais como Irmãs Amazonas, elas integram a lista da Forbes “Mulheres da Geração Z que estão mudando o agro” de 2025 — um reconhecimento que evidencia uma nova geração de lideranças rurais que combina gestão, comunicação e identidade no campo.

Figura 1

Mais do que produtoras de leite, as irmãs representam um movimento crescente dentro do agro brasileiro: jovens que assumem a gestão de propriedades familiares, profissionalizam processos e, ao mesmo tempo, constroem pontes diretas com a sociedade por meio da comunicação digital. Em seus canais, o cotidiano da fazenda é apresentado sem filtros — entre partos de vacas leiteiras, manejo de bezerras, desafios sanitários e até situações extremas, como emergências dentro da propriedade.

Essa exposição do real não tem apenas caráter descritivo. O conteúdo produzido pelas Irmãs Amazonas cumpre também um papel educativo e social, ao evidenciar a rotina da agricultura familiar e reforçar a presença feminina na atividade leiteira, muitas vezes invisibilizada. Ao mostrar a fazenda como ela é, elas aproximam o consumidor urbano da complexidade e da responsabilidade envolvidas na produção de alimentos. “A propriedade sempre foi da família, mas a responsabilidade de tocar tudo mudou completamente a nossa história”

A trajetória das irmãs dentro da atividade leiteira está profundamente ligada à história da família Sperandio. A propriedade, localizada em Colatina, sempre teve a pecuária leiteira como uma de suas bases, ao lado da produção de café, conduzidas pelo pai. Com o falecimento dele, há cerca de 21 anos, a família se viu diante de uma decisão decisiva: manter ou reestruturar completamente o modelo produtivo. Foi nesse momento que a mãe e as três irmãs assumiram a gestão da propriedade.

“Quando a gente se viu na situação de ter que assumir a propriedade, foi um baque muito grande. A gente já ajudava antes, mas não tinha a responsabilidade de gestão. De repente, tudo passou para as nossas mãos”, relatam.

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A transição marcou não apenas uma mudança operacional, mas uma ruptura emocional e organizacional. A atividade que antes era complementar passou a ser central na sustentação da família, exigindo aprendizado rápido e tomada de decisão sob pressão.

Figura 2

Da necessidade à estratégia: o leite como eixo de transformação

Diante da nova realidade, a família precisou definir um foco produtivo. A escolha foi pela pecuária leiteira, que passou a ser o eixo estruturante da propriedade. “A gente decidiu focar no leite. Foi aí que entendemos que precisávamos melhorar tudo: principalmente a genética dos animais, que na época não eram tão produtivos.”

A decisão de especialização marcou o início de uma transformação gradual na fazenda. O processo envolveu reorganização do rebanho, melhoria genética e ajustes de manejo, com foco em eficiência produtiva e sustentabilidade econômica. “Foi uma das decisões mais importantes, porque permitiu aumentar a produção e dar mais estabilidade financeira para a família.”

Figura 3

Gestão construída na prática e pelo aprendizado contínuo

A evolução da propriedade não aconteceu de forma imediata. Segundo as irmãs, o processo foi guiado por aprendizado constante e pela busca ativa de conhecimento técnico. Cursos, palestras, seminários e capacitações fizeram parte da rotina ao longo dos anos, consolidando uma abordagem cada vez mais profissional da atividade leiteira. “Tudo o que a gente aprendeu foi na prática e buscando informação. A gente participou de cursos, palestras, treinamentos, e foi trazendo tudo isso para dentro da fazenda.”

Esse movimento foi essencial para transformar a gestão da propriedade, permitindo que decisões antes intuitivas passassem a ser guiadas por critérios técnicos e dados produtivos.

Ao longo da trajetória, as irmãs destacam que a atividade leiteira exige constância, adaptação e resiliência diante das oscilações do setor. “A produção de leite tem altos e baixos. A gente foi se adaptando, persistindo e ajustando o caminho conforme as necessidades da fazenda.”

A combinação entre gestão, aprendizado contínuo e persistência foi o que permitiu a consolidação dos resultados ao longo dos anos. “Começar pequeno, mas não parar”: o conselho das Irmãs Amazonas

Ao refletirem sobre a própria trajetória, Natieli e Valeska destacam a importância de começar dentro da realidade possível, sem abrir mão da constância no processo de evolução. “Comece aos poucos, entenda a sua necessidade e o seu alcance. Mesmo devagar, com dedicação e persistência, você vai colher resultados.

Mais do que uma recomendação técnica, o conselho das irmãs traduz uma filosofia de gestão baseada em continuidade, aprendizado e resiliência — elementos que sustentam não apenas a produção leiteira, mas também a permanência de novas gerações no campo.

Figura 4

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Material escrito por:

Raquel Maria Cury Rodrigues

Raquel Maria Cury Rodrigues

Head do MilkPoint e Zootecnista pela UNESP de Botucatu

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