Onda de calor na Europa: recorde de temperaturas e os impactos na indústria leiteira local

Países europeus registram temperaturas acima de 40°C e emitem alertas vermelhos, enquanto isso, produtores e associações se preocupam com o potencial de estresse térmico nos rebanhos e redução na coleta de leite.

Publicado em: - 3 minutos de leitura

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O início do verão no hemisfério norte trouxe recordes de temperatura na Europa, com 44,3°C na França, devido a uma "cúpula de calor". O calor impactou a saúde pública e o setor agropecuário, especialmente a produção de leite. Na Bélgica, foi emitido um "alerta vermelho", prevendo quedas na produção. Produtores reportaram estresse térmico nos rebanhos, afetando a alimentação e a produção. O Reino Unido também emitiu alertas, e as perspectivas incluem investimentos em resfriamento devido a eventos climáticos futuros, com previsões de calor elevado no hemisfério sul em 2026.
O início do verão no hemisfério norte registrou recordes de temperatura em diversas regiões da Europa. Na França, o serviço meteorológico registrou a marca de 44,3°C em Pissos. De acordo com Samantha Burgess, vice-diretora do Serviço de Mudança Climática Copernicus da União Europeia, o fenômeno ocorreu devido a uma "cúpula de calor", composta por ar retido do norte da África em um sistema de alta pressão de baixa altitude que impede a entrada de ar mais frio. Além dos impactos na saúde pública, o clima afetou o setor agropecuário do continente, com repercussões diretas na rotina e na produtividade da indústria leiteira europeia.

Na Bélgica, o governo emitiu um "alerta vermelho" em função das altas temperaturas que atingem a pecuária local. A associação agrícola flemish Boerenbond informou que projeta uma redução na produção de leite e carne, embora considere prematuro apontar estatísticas consolidadas. O ministério da agricultura do país apontou que o cenário afeta majoritariamente os criadores de animais, visto que as chuvas recentes reduziram o risco de seca para os produtores de culturas agrícolas. Mark Wulfrancke, porta-voz da associação de pecuaristas belgas Algemeen Boerensyndicaat, sintetizou a situação do setor: "Apesar de todas as medidas que os produtores estão tomando... você ainda pode ver a produção caindo".

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Os efeitos do estresse térmico no comportamento dos rebanhos foram detalhados por produtores locais. Em Bocholt, próximo à fronteira com a Holanda, o criador Sander Palmans relatou que suas vacas reduziram as atividades, consumiram menos alimento e evitaram deitar-se na cama quente, fatores que resultaram na diminuição da produção de leite. O produtor mensurou o impacto financeiro direto em sua propriedade: "O calor nos custa entre € 150 e € 200 por dia", o que representa uma perda de 10% a 15% de sua renda. Paralelamente, relatórios da França indicaram que o calor extremo reduziu a ingestão de ração, elevou a demanda por água e cortou a produção de leite dos pecuaristas de gado, além de causar a morte de aves.

No Reino Unido, agências meteorológicas e de segurança de saúde também formalizaram alertas vermelhos. Sophie Gregory, produtora de leite em Dorset responsável por um rebanho de 600 vacas, descreveu a relação direta entre o clima e o rendimento industrial de sua propriedade. Conforme explicou a produtora, "a produção de leite cai no clima quente porque elas tendem a comer menos, por isso esta é uma questão tanto de bem-estar animal quanto de produção de alimentos que levamos muito a sério". Como medidas de mitigação, a gestão da fazenda britânica utiliza a sombra das árvores, concentra o manejo nos períodos mais frescos da manhã e da tarde e opera sistemas de nebulização e ventiladores na potência máxima na sala de ordenha, além de elevar a oferta de água potável.

As perspectivas para o setor de lácteos diante de novos eventos climáticos envolvem investimentos estruturais e o debate sobre emissões globais. Sander Palmans indicou que a previsão de ondas de calor mais regulares tornará necessário o uso frequente de sistemas de resfriamento artificial, estimando que a temperatura de entrada nos abrigos de animais precise ser reduzida em até 8°C.

Dito isso, antecipar riscos climáticos que podem colocar o bem-estar dos animais em risco torna-se essencial. Uma análise realizada pelo time de Inteligência de Mercado do MilkPoint aponta que, no hemisfério sul, as temperaturas também devem atingir patamares elevados no segundo semestre de 2026. A confirmação do El Niño pela a NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos) indica a alta probabilidade de que, durante o fenômeno, as temperaturas devem subir em todo o Brasil. Ao mesmo tempo, o Sul pode receber mais precipitação, enquanto Nordeste, Centro-Oeste e parte do Norte enfrentariam condições mais secas. 

Informações utilizadas: Reuters e Energy & Climate Intelligence Unit.

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Material escrito por:

Maria Alice Trevizam

Maria Alice Trevizam

Editora de Conteúdo Jr. no MilkPoint e Jornalista pela PUC Campinas

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Cristiano Moises Arthuso Trevizam
CRISTIANO MOISES ARTHUSO TREVIZAM

CAMPINAS - SÃO PAULO

EM 29/06/2026

mudancas climaticas sao uma realidade global
3mattei6@gmail.com
3MATTEI6@GMAIL.COM

CAMPINAS - SÃO PAULO

EM 29/06/2026

Calor tão absurdo que o asfalto tá derretendo
Qual a sua dúvida hoje?