Micotoxinas na alimentação de ruminantes: um desafio silencioso para a produtividade

Como a contaminação dos alimentos afeta o desempenho animal, a saúde dos rebanhos e a eficiência dos sistemas produtivos.

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As micotoxinas, produzidas por fungos, podem contaminar a alimentação de ruminantes, afetando sua saúde e desempenho, mesmo em pequenas quantidades. Os principais tipos incluem aflatoxinas, deoxinivalenol, zearalenona, fumonisinas e ocratoxina A. A co-contaminação potencializa os danos. Medidas preventivas, como controle da umidade e uso de adsorventes, são essenciais para reduzir riscos e preservar a produtividade do rebanho. Monitorar a qualidade dos alimentos é fundamental.
Quem trabalha com produção animal sabe que nem sempre os prejuízos aparecem de forma evidente. Em muitos casos, o problema pode estar na própria alimentação. As micotoxinas são substâncias produzidas por fungos que podem contaminar grãos, silagens e rações utilizados na alimentação dos ruminantes. Mesmo em pequenas quantidades, essas toxinas podem comprometer a saúde dos animais e reduzir o desempenho produtivo.

Muitas vezes, os efeitos passam despercebidos, mas podem resultar em menor consumo de alimento, pior aproveitamento dos nutrientes, queda da eficiência alimentar e aumento das perdas econômicas. Por isso, conhecer os riscos associados às micotoxinas e adotar medidas preventivas é fundamental para manter a produtividade e a saúde do rebanho

Quais são as principais micotoxinas encontradas na alimentação dos ruminantes?

Diversas micotoxinas podem estar presentes nos alimentos fornecidos aos animais, mas algumas merecem atenção especial por serem encontradas com maior frequência nas propriedades rurais.

Entre elas, destacam-se as aflatoxinas, produzidas principalmente por fungos do gênero Aspergillus, além do deoxinivalenol (DON), da zearalenona (ZEN), das fumonisinas e da ocratoxina A (OTA), geralmente associadas a fungos dos gêneros Fusarium e Penicillium (Casu et al., 2024).

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O problema é que essas toxinas nem sempre aparecem isoladamente. Um mesmo lote de milho, silagem ou ração pode apresentar mais de uma micotoxina ao mesmo tempo, situação conhecida como co-contaminação. Nesses casos, os efeitos negativos sobre os animais podem ser potencializados (Akinmoladun et al., 2025).

Como as micotoxinas afetam a saúde e o desempenho dos ruminantes?

Os efeitos das micotoxinas nem sempre são fáceis de identificar no dia a dia da propriedade. Em muitos casos, os sinais surgem de forma gradual, dificultando o diagnóstico.

Entre os impactos mais comuns estão a redução do consumo de alimento, menor aproveitamento dos nutrientes, queda no ganho de peso e pior eficiência alimentar. Além disso, as micotoxinas podem comprometer o sistema imunológico, aumentando a suscetibilidade dos animais a doenças e favorecendo prejuízos produtivos (Akinmoladun et al., 2025).

A situação se torna ainda mais preocupante quando diferentes micotoxinas estão presentes simultaneamente no alimento, ampliando os danos ao organismo e os impactos sobre o desempenho do rebanho.

Como reduzir os riscos de contaminação por micotoxinas?

Quando o assunto é micotoxina, a prevenção continua sendo a melhor estratégia. Depois que a toxina está presente no alimento, sua eliminação é difícil, tornando fundamental o cuidado durante a produção e o armazenamento dos ingredientes.

O controle da umidade, a ventilação adequada dos locais de armazenamento e o monitoramento da qualidade dos grãos e silagens são medidas importantes para reduzir o desenvolvimento de fungos e o risco de contaminação (Coradi et al., 2025).

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Além disso, a utilização de adsorventes pode auxiliar no controle do problema. Esses produtos atuam ligando-se às micotoxinas no trato digestivo, reduzindo sua absorção e minimizando seus efeitos sobre os animais (Liu et al., 2022). A combinação dessas medidas contribui para preservar a saúde do rebanho e reduzir perdas econômicas na propriedade.

O que o produtor precisa saber?

As micotoxinas podem comprometer silenciosamente o desempenho dos animais e gerar prejuízos importantes para a propriedade. Por isso, o monitoramento da qualidade dos alimentos, aliado a boas práticas de armazenamento e acompanhamento técnico, é fundamental para reduzir riscos e preservar a produtividade. Investir em prevenção continua sendo a forma mais eficiente de minimizar os impactos dessas contaminações e garantir melhores resultados no sistema de produção.

Referências bibliográficas

AKINMOLADUN, Oluwakamisi F. et al. Multiple mycotoxin contamination in livestock feed: implications for animal health, productivity, and food safety. Toxins, v. 17, n. 8, p. 1–28, 2025. DOI: 10.3390/toxins17080365.

CASU, Alessia; LEGGIERI, Marco Camardo; TOSCANO, Piero; BATTILANI, Paola. Changing climate, shifting mycotoxins: a comprehensive review of climate change impact on mycotoxin contamination. Comprehensive Reviews in Food Science and Food Safety, v. 23, n. 2, p. 1–24, 2024. DOI: 10.1111/1541-4337.1332.

CORADI, Paulo Carteri et al. Effects of corn grain storage conditions on the mycotoxins production, physicochemical and microbiological quality of processed feed and food safety in the poultry production chain. Food Production, Processing and Nutrition, v. 7, n. 68, p. 1–23, 2025. DOI: 10.1186/s43014-025-00342-z.

LIU, Meng et al. Invited review: remediation strategies for mycotoxin control in feed. Journal of Animal Science and Biotechnology, v. 13, n. 19, p. 1–16, 2022. DOI: 10.1186/s40104-021-00661-4.

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Material escrito por:

Daniela Fernandes Guimarães

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TIAGO PEREIRA GUIMARÃES

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Marco Antônio Pereira da Silva

Marco Antônio Pereira da Silva

Doutor em Ciência Animal pela Universidade Federal de Goiás, Professor do IF Goiano - Campus Rio Verde, GO

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EM 22/07/2026

Tema muito relevante. Ótimo artigo!👏🏼
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