FAZER LOGIN COM O FACEBOOK ESQUECI MINHA SENHA SOU UM NOVO USUÁRIO

Carrapato do boi: alternativas de controle

PRODUÇÃO

EM 20/08/2019

0
2

Autores do artigo:

Ana Cláudia da Costa Guiraud > Discente de Mestrado em Produção Animal da Universidade Brasil, Descalvado, SP.

Käthery Brennecke, Gabriel Peruca de Melo e Paulo Henrique Moura Dian > Docentes de Mestrado em Produção Animal da Universidade Brasil, Descalvado, SP

*Orientadora/email: Kathery.brennecke@universidadebrasil.edu.br

A saúde animal se destaca como um dos principais fatores de influência direta na produtividade e rentabilidade dos sistemas leiteiros e, quando se engloba nesse contexto o controle de ecto e endoparasitas, este assunto ganha notoriedade ainda mais ampla, pois boa parte dos produtos utilizados deixam resíduos no leite (Silva et al., 2014).

O carrapato detém grande importância na pecuária mundial devido ao impacto causado na produção de carne, leite e couro (BRITO et al., 2005), e é o principal parasita externo dos bovinos de leite, que o adquirem quando caminham por pastagem infestada e as larvas sobem no animal fixando-se, iniciando assim a fase parasitária (Silva et al., 2011).

As infestações por carrapatos podem reduzir até 90 litros de leite numa lactação de 300 dias de uma vaca (Grisi et al., 2014), e quando calculado o prejuízo financeiro com base no preço médio do leite a R$ 1,40 (CEPEA, 2019), a perda por vaca seria de R$ 126,00. Em um rebanho com 100 vacas em lactação e sem um bom controle de carrapato, em um ano o prejuízo do produtor poderia se aproximar de R$ 12.600,00.

Os níveis das infestações por carrapatos estão diretamente relacionados à taxa de lotação, sendo que quanto maior a taxa de lotação, maior é o desafio. O surgimento de novas variedades e espécies de gramíneas para pastejo permitiu maior lotação animal, porém facilitou a multiplicação, sobrevivência e o desenvolvimento do carrapato (Furlong, 1992). Sendo assim, qualquer dificuldade que a planta possa exercer sobre a viabilidade das larvas do carrapato é uma alternativa para minimizar o acesso dos mesmos aos hospedeiros (Andreotti, 2010).

A planta pode exercer o mecanismo de antibiose, que é o efeito da planta sobre o parasita impedindo-o de alcançar seu hospedeiro, ou antixenose, que funciona como um repelente, afastando o parasita (Farias et al., 1986) ou quando a planta é menos utilizada pelo aracnídeo do que outra em igualdade de condições, tanto para alimentação, oviposição ou abrigo. É considerado que esse termo se refere ao comportamento do aracnídeo em relação à planta (Lara, 1991).

É fato comprovado que algumas espécies forrageiras interferem na dinâmica de migração das larvas de carrapato R. microplus, por repelirem ou provocarem a morte dessas larvas, elaborando substâncias defensivas (antibiose), que são produzidas pelas estruturas denominadas tricomas glandulares, presentes em algumas plantas (Oliveira, 2008).

O capim gordura (Melinis menutiflora) há muito tempo já foi estudado como controlador de carrapatos e a secreção de óleo nos pelos glandulares da forrageira foi indicado como fator repelente das larvas. Bem como as forrageiras Stylosantes viscosa e S. scabra, que apresentaram seu efeito de antibiose sobre as larvas por provocarem a morte ou impedir que estas passassem ao hospedeiro através de suas pilosidades e secreções (Farias et al., 1986).

As características de Urochloa brizantha (syn. Brachiaria) foram estudadas quanto à possibilidade de causarem algum efeito adverso sobre larvas de carrapato, ficando elucidados dois tipos de pilosidade, glandular e aglandular, na bainha da folha dessa espécie, e a ação secretora de macropelos (parte glandular) o que garantiu um grande número de larvas mortas presas a esta estrutura (Barros, 1989).

Furlong e Sales (2007) comentam que a sobrevivência das larvas de  R. microplus pode estar relacionada com o microclima que algumas forrageiras formam, em função de seu crescimento e desenvolvimento e Oliveira (2008) demonstra que, mesmo com a observação do potencial de controle do carrapato exercido por algumas forrageiras, esta eficiência pode se correlacionar também com a idade da planta.

O carrapato R. microplus, enquanto está em sua fase de vida livre, pode ser controlado por meio de diversas alternativas, entre elas a rotação de pastagens e o cultivo de espécies forrageiras que apresentem características específicas, que influenciem na sobrevivência das larvas, resultando na sua repelência ou morte nas pastagens (Branco et al., 2008).

O controle químico é a alternativa mais comumente utilizada, no entanto, há uma preocupação com a rapidez no aparecimento de resistência desenvolvida pelos carrapatos aos produtos utilizados para seu controle. Mendes et al (2008) comentam que o estabelecimento da resistência não ocorre apenas devido ao uso constante do carrapaticida, mas também ao manejo incorreto empregado para o controle do carrapato.

No contexto do controle químico, existem também os chamados controles estratégicos, que consistem no tratamento dos animais administrando os produtos durante o período mais crítico, e os controles táticos, que é incluído durante o controle estratégico e baseia-se no tratamento dos animais visualmente infestados.

Em 1998, Furlong já demonstrava que o conhecimento de parâmetros biológicos dos estádios da fase de vida livre e suas interrelações com os fatores climáticos a que são submetidos é fundamental para programar o controle estratégico do R. microplus. Esse mesmo autor comentou que a sobrevivência de larvas de R. microplus nas pastagens é menor no verão e a rotação de pastagens como alternativa para descontaminá-la deve ser feita com intervalos de descanso superiores a 45 dias, a fim de provocar a morte dessas larvas por inanição.

Nesse sentido, Andreotti (2010) recomenda a integralização de métodos químicos e/ou biológicos.  Furlong e Sales (2007) salientam que os carrapatos presentes nos animais representam a menor parte da população em relação aos que estão na pastagem e Gomes (1998) comenta que é necessário fazer a escolha e o uso correto do produto realizando mudança deste quando necessário, para evitar o desenvolvimento de populações resistentes ao princípio ativo.

A seleção de animais resistentes e o descarte de suscetíveis também são eficientes para diminuir a infestação das pastagens (Furlong, 2005), as raças europeias, são as mais parasitadas e mais sensíveis (Marques, 2006). "O gado europeu produz maior quantidade de teleóginas (fêmea gravídica ingurgitada de sangue) e de maior tamanho, colocando mais ovos do que as provenientes de gado zebuíno (Veríssimo, 2015)."

A erradicação do carrapato em países de clima tropical é algo muito difícil, portanto, deve-se buscar a convivência com o parasito de forma economicamente viável; sendo assim é recomendado associar métodos estratégicos e táticos de controles, raças e/ou cruzamentos mais resistentes e também o correto manejo das pastagens, bem como forrageiras que possuam antibiose e antixenose às larvas, para compor um manejo mais eficaz de controle com vistas também ao meio ambiente.

Referências bibliográficas:

ANDREOTTI, R. Situação atual da resistência do carrapato-do-boi Rhipicephalus (Boophilus) microplus aos acaricidas no Brasil. Campo Grande, MS: Embrapa Gado de Corte, 2010. 36 p.

BARROS, A. T. M. Avaliação experimental do potencial anti-carrapato de algumas forrageiras em relação às larvas infestante de Boophilus microplus (CANESTRINI, 1887) (ACARINA: IXODIDAE). Dissertação mestrado Universidade Federal rural do Rio de Janeiro. Itaguaí-RJ, 1989.

BRANCO, F. de P. J. A.; SAPPER, M. de F. M.; PINHEIRO, A. da C.; BRANCO, L. R. F. A. Carrapato dos bovinos (Boophilus microplus) “Controle e resistência a carrapaticidas no Rio Grande do Sul”. In: V Seminário de Pecuária de Corte / editor técnico Eduardo Salomoni, coordenação Walfredo Macedo. Bagé: Embrapa Pecuária Sul, 2008.

BRITO, L. G; NETTO, F. G. S.; SALMAN, A. K. D.; SILVA, W. C. Cartilha para produtor de leite de Rondônia. Porto Velho: Embrapa Rondônia, 2005.

CEPEA, Centro de Estudos Avançados em economia Aplicada, Piracicaba/SP, 2019.

FARIAS, N. A. R.; GONZALES, J. C.; SAIBRO, J. C. Antibiose e Antixenose entre forrageiras e larvas de carrapato de boi. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, 1986.

FURLONG, J. SALES, R. O. Controle Estratégico de Carrapatos no Bovino de Leite: Uma Revisão. Revista Brasileira de Higiene e Sanidade, V. 1, N. 2, p. 44-72, 2007.

FURLONG, J. Carrapatos: problemas e soluções. Juiz de Fora: Embrapa Gado de Leite, 2005. 65 p.

FURLONG, J. Poder infestante de larvas de Boophilus microplus (Acarin: Ixodidae) em pastagem de Melinis minutiflora, Brachiaria decumbens e Brachiaria mutica. Embrapa Gado de leite, Juiz de Fora-MG, 1998.

FURLONG, J. Controle do carrapato dos bovinos na região sudeste do Brasil. In: CHARLES, T.P.; FURLONG, J. Doenças parasitárias dos bovinos de leite. Coronel Pacheco: Embrapa/CNPGL, 1992. p. 31-51.

GOMES, A. Controle do carrapato do boi:um problema para quem cria raças europeias. Embrapa Campo Grande, MS, nº 31. ago 1998.

GRISI, L. et al. Ressessment of the potential economic impacto of cattle parasites in Brazil. Braz. J. Vet. Parasitol. Jaboticabal, v. 23, n. 2, p. 150-156, abr-jun. 2014.

LARA, F. M. Princípios de resistência de plantas aos insetos. São Paulo: ícone, 1991.

MARQUES, D. C. Criação de bovinos. 7 ed. Belo Horizonte: CVP – Consultoria Veterinária e Publicações, 2006. p 208, 370.

MENDES, M. C.; PINTO LIMA, C. K.; PEREIRA, J. R. Práticas de manejo para controle do carrapato Rhipicephalus (Boophilus) Microplus Acari:Ixodidae) em propriedades localizadas na região de Pindamonhangaba, vale do Paraíba, São Paulo. Arquivo do Instituo Biológico de são Paulo, Comunicação Científica, v.75, n. 3., p. 371-373, 2008.

OLIVEIRA, A. L. F. Migração e permanência de larvas infectantes de Haemochus contortus em cinco forrageiras tropicais. Dissertação Mestrado Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, Botucatu, 2008.

SILVA, J.C. P. M. et al. Manejo e Administração na bovinocultura leiteira. Viçosa, MG: Suprema, 2014.

SILVA, J.C. P. M. et al. Principais doenças em bovinos. Viçosa, MG: Aprenda Fácil, 2011.

VERÍSSIMO, C. J. Fatores que afetam a fase de vida livre de carrapato. Controle de Carrapatos nas pastagens, Nova Odessa, 2015.

0

DEIXE SUA OPINIÃO SOBRE ESSE ARTIGO! SEGUIR COMENTÁRIOS

5000 caracteres restantes
ANEXAR IMAGEM
ANEXAR IMAGEM

Selecione a imagem

INSERIR VÍDEO
INSERIR VÍDEO

Copie o endereço (URL) do vídeo, direto da barra de endereços de seu navegador, e cole-a abaixo:

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração. Obrigado.

SEU COMENTÁRIO FOI ENVIADO COM SUCESSO!

Você pode fazer mais comentários se desejar. Eles serão publicados após a analise da nossa equipe.