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5 de Junho - Dia Mundial do Meio Ambiente e as INs 76 e 77

POR JULIO CESAR PASCALE PALHARES

PRODUÇÃO

EM 05/06/2019

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Neste 05 de junho todos os países comemoram o Dia Mundial do Meio Ambiente. A data foi instituída em 1972 pela Organização das Nações Unidas (ONU) durante a primeira Conferência Mundial sobre o Meio Ambiente.

A cada ano é eleito um tema principal para se discutir e focar as ações. Neste ano o tema é poluição do ar. No endereço https://www.worldenvironmentday.global/pt-br você tem acesso a materiais de divulgação, ações que estão ocorrendo ao redor do mundo, publicações, etc. Também há uma descrição de como as atividades econômicas e nossas ações contribuem para poluição atmosférica e o que podemos fazer para reduzir essa contribuição. A agropecuária é uma das atividades citadas devido suas emissões de gases do efeito estufa e outros como amônia.

A ideia de se ter um dia específico para comemoração é provocar a reflexão e análise de nossas realidades e propor ações para que tenhamos um futuro com maior qualidade ambiental.

Podemos relacionar essa comemoração mundial com um fato recente para a cadeia de produção de leite nacional, o início da vigência das Instruções Normativas 76 e 77 no dia 30 de maio de 2019.

A discussão na mídia tem sido intensa sobre as novas normas. Produtores, líderes setoriais, profissionais agropecuários entre outros têm focado as discussões, basicamente, na questão das características de qualidade do produto para indústria e para propriedade rural. Sem dúvida, o tema qualidade do produto é fundamental sobre todos os aspectos. Mas as INs trazem outras questões.

No Capítulo III da IN 77 Artigo 9 que trata do conteúdo mínimo que deve constar no programa de boas práticas do plano de qualificação de fornecedores de leite lê-se entre os itens listados os temas qualidade da água e manejo de resíduos e tratamento de dejetos e efluentes.

Isso provoca a pergunta. Como os temas qualidade da água e manejo de resíduos e tratamento de dejetos e efluentes estão sendo trabalhados no cotidiano da produção de leite nacional? Pela realidade que vivencio responderia que não muito bem! Cito dois exemplos para justificar essa resposta.

Quando em palestras, capacitações, aulas, etc. faço a seguinte pergunta aos presentes: o Brasil tem leis que determinam a qualidade da água que deve ser servida aos animais? A resposta é quase sempre unanime, não!

A resposta este errada! Sim, temos duas. A resolução Conama 357 de 17/03/2005 que classifica as águas superficiais do país e determina águas padrão Classe 3 para dessedentação animal e a Resolução Conama 396 de 03/04/2008 que classifica as águas subterrâneas. Como se vê, legislações com mais de uma década de existência, e ainda hoje, muito pouca conhecidas pelo setor de produção de leite.

Aqui vale uma lembrança, muitos dizem que devemos dar água potável para os animais. Não! Água potável é um padrão para consumo humano, estabelecido pelo Ministério da Saúde. Para consumo animal temos outros padrões.

Outro exemplo para justificar minha resposta é quanto ao manejo de dejetos e efluentes da atividade. Sem considerar o uso de sistemas de tratamento como biodigestores e compostagem, tecnologias muito distantes de nossa realidade. Vamos pensar no uso dos resíduos como fertilizante, um manejo muito mais simples e barato.

Quantas propriedades têm a famosa churumeira, esterqueira ou lagoa corretamente dimensionada e fazem a aplicação do resíduo no solo considerando os parâmetros agronômicos (análise do solo, concentração de nutrientes no resíduo e exigência de nutrientes da cultura vegetal)? Quando acho uma propriedade como essa, fico muito feliz, mas ainda é uma exceção.

Muitas vezes o produtor me diz: sim eu tenho a esterqueira, venha ver! Quando vejo é um caixa d´água ou um tanque de 1.000 L ou 5.000 L. Aí eu pergunto: quantas vacas o Sr. ou a Sra. tem em lactação? Eles respondem, 40.


Caminhão e esterqueira

Considerando que o manejo da água e dos resíduos na ordenha seja muito bem feito, os estudos da Embrapa Pecuária Sudeste mostram que cada vaca em lactação vai gerar no mínimo 50 L de efluente por dia. Multiplicado por 40 dá um total de 2.000 L de efluente por dia. Vai caber no tanque que ele (a) tem? Resposta, não ou vai transbordar no terceiro dia se não for levado para a lavoura ou pastagem. Então temos dois problemas, de dimensionamento da esterqueira por falta de conhecimento do volume produzido de efluente e de potencial excesso na aplicação desse efluente no solo, o que pode comprometer a qualidade das águas superficiais e subterrâneas.

Produzir leite de forma ambientalmente correta é possível, tecnicamente e economicamente. Não precisamos esperar, precisamos começar a fazer. Temos um belo discurso de que meio ambiente é muito importante, que deve ser conservado e de que não existe futuro sem ele. Mas ainda deixamos a desejar em nosso cotidiano produtivo. Que esse 5 de junho nos faça refletir, planejar ações e implementa-las. Assim os discursos se tornarão práticas e as exceções se tornarão regra.

Vamos nos desafiar, propor uma meta ambiental para esse ano. Por exemplo, monitorar o consumo de água na sala de ordenha. Sou parceiro!

JULIO CESAR PASCALE PALHARES

Pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste

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VINNIE MOORE

EM 30/09/2019

Puxa vida devo agradecer vocês ganharam meu dia que site fantástico cheio de noticias não me canso de Elogiar já é a minha terceira visita por aqui absolutamente fantástico.


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