Desde a compreensão da necessidade técnica, passando pela comercialização, fabricação, logística de entrega, instalação dos equipamentos e fase de ajustes, até o entendimento do funcionamento do sistema entre o fabricante e as pessoas que irão operá-lo, o processo pode se alongar mais do que o previsto. E, muitas vezes, isso faz com que as vacas passem calor logo após o inverno, antes mesmo de o sistema estar em pleno funcionamento. Você já se deu conta disto?
A grande maioria das propriedades deixa o investimento em ambiência para o fim da obra do confinamento de suas vacas, deixando também para iniciar esta jornada quando o inverno já acabou. Aí é tarde: as vacas vão passar calor, e toda perda de resultado causada pelos efeitos do stress calórico já terá ocorrido antes mesmo de aproveitarmos os benefícios do investimento como um todo.
Já que o investimento está sendo pensado para trazer resultado, temos de nos antecipar a esta “armadilha do processo”. Ou seja, existem estruturas em que já está tudo pronto antes mesmo de colocar a primeira vaca. Obviamente, sabemos do alto envolvimento financeiro que esta sugestão implica, mas, quando saímos do inverno com toda a estrutura pronta, aguardando apenas o momento de auxiliar as vacas nos desafios do stress calórico, as perdas invisíveis tendem a ser muito menores.
Perfeito, mas quem já tem o sistema instalado não precisa mais se preocupar com isto, será?
A gente se refere ao fato de alguns sistemas terem sido instalados e, por razões até compreensíveis, ainda não estarem automatizados, ficando dependentes da presença humana para ligar e desligar ventiladores e/ou sistemas de aspersão (no caso de sistemas com resfriamento evaporativo). Não raro encontramos sistemas com acionamentos manuais ou configurações que não combinam com a necessidade das propriedades, tanto nos confinamentos quanto nas salas de espera das vacas antes da ordenha. Por vezes, os sistemas ficam ligados quando não deveriam e desligados justamente quando há necessidade de funcionamento.
Vivemos em regiões com grande amplitude térmica e, mesmo no inverno, podemos ultrapassar facilmente a barreira da zona de conforto térmico das vacas. Por isso, é fundamental que o sistema de ambiência consiga se adaptar de forma rápida e eficiente a essas variações. Quem nunca vivenciou um “veranico” no meio do inverno por alguns ou vários dias? Da mesma forma que quedas inesperadas de temperatura em pleno verão.
Principalmente no inverno, as vacas já estão dentro da zona de conforto térmico e, ao enfrentarem variações repentinas de calor, o impacto ocorre com mais intensidade e, por vezes, passa despercebido. Ou até percebemos o problema, mas não temos disponibilidade operacional para colocar o sistema em funcionamento no momento necessário.
Além disso, uma automação corretamente configurada, levando em consideração parâmetros como temperatura ou THI (Índice de Temperatura e Umidade), e não apenas tempo de funcionamento, é fundamental. Sim, por vezes encontramos automações de sistemas de ambiência que levam em conta apenas horários pré-definidos ou tempo de funcionamento, ocasionando episódios indesejados, como sistema funcionando sem vacas ou desligado quando deveria estar ligado.
Não importa qual sistema de ambiência você instale na sua propriedade: pense nele e instale-o muito antes das vacas precisarem dele, mesmo que estejamos no inverno.
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