O crescimento projetado em número de animais em lactação (1,1%) deve ser maior do que o crescimento médio projetado da produtividade (0,7%), porque os rebanhos devem crescer mais rapidamente em países com produtividades mais baixas. Estima-se que a Ásia (Índia e Paquistão) contribuirá com mais da metade do crescimento na produção mundial de leite nos próximos dez anos, o que representará mais de 30% da produção mundial em 2030.
Da produção mundial de leite projetada para 2026 de 992,7 milhões de toneladas, 83% é de leite de vaca, 13% de leite de búfala e 4% de leite de cabra, ovelha e camela. Apesar da relevância da participação dessas espécies no contexto mundial, sua importância é regional e em áreas predominantemente tropicais, não tendo peso no comércio internacional de lácteos.
Nos países localizados entre os Trópicos de Câncer e de Capricórnio, aproximadamente 23° 26′ de Latitude Norte e Sul, a produção de leite de vaca está entre 32% a 36% da produção mundial (270 a 290 milhões de toneladas), com variação expressiva entre fontes consultadas. O avanço da participação dos trópicos na produção tem sido considerável e em 2005 representava 22% da produção mundial. Se considerar a produção de leite de outras espécies, a participação dos trópicos passa para 55% do total mundial da produção de leite de vaca.
A produção total de leite de vaca em países de clima tropical tem ganhado destaque global, impulsionada pelo forte avanço de países na Ásia e América Latina. Segundo dados da FAO (2024-2025), dos 108 países com clima predominantemente tropical ou com vastas áreas nessas condições, a Índia, Paquistão e Brasil estão entre os cinco maiores produtores mundiais. Enquanto a produção global de leite cresce a uma taxa média de 1,4% a 1,7% ao ano, nos trópicos a taxa supera 3% anuais e responderá pela maior parte do aumento da demanda por lácteos nas próximas décadas, principalmente pelo crescimento populacional e aumento da renda
Os principais países produtores em clima tropical (OCDE-FAO – 2025/2026) considerados como cinturão tropical/subtropical, estão se tornando o novo motor do setor lácteo mundial, em contraste com a relativa estabilidade ou queda nos países de clima temperado, notadamente a União Europeia.
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Índia: o maior produtor mundial, com uma produção estimada em 247,9 milhões de toneladas para 2024/2025. Embora uma parte significativa venha de búfalas, o leite de vaca responde por cerca de 135 milhões de toneladas.
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Paquistão: outro gigante tropical/subtropical, com produção total de leite estimada em 66,3 milhões de toneladas em 2024. O leite de vaca específico gira em torno de 24,7 milhões de toneladas.
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Brasil: principal produtor tropical das Américas, com produção de leite de vaca estimada em 35,7 milhões de toneladas em 2024, sendo aproximadamente, 125 milhões a 130 milhões de litros por ano de búfalas, cabras e ovelhas.
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Colômbia e Vietnã: são exemplos de países que vêm expandindo sua produção sob condições tropicais, com o Vietnã apresentando um dos crescimentos de produtividade por animal mais rápidos da Ásia.
A produção de leite nestas regiões enfrenta desafios únicos citados pela Embrapa e pela FAO, como estresse térmico, maior sazonalidade das pastagens que interfere diretamente na sazonalidade da produção de leite e a heterogeneidade, onde coexistem sistemas de subsistência com sistemas que adotam tecnologia de ponta. No Brasil, por exemplo, enquanto a média nacional é modesta, 2.362 kg por vaca/ano, há fazendas que lideram o ranking mundial de eficiência tecnológica, são robotizadas e atingem médias diárias de 40 a 50 kg/ vaca.
A migração da produção de regiões tradicionais para regiões emergentes é um fenômeno que vem consolidando a produção de leite na Ásia e Américas. Enquanto nessas regiões a expansão da produção vem do aumento do rebanho, na Europa e nos Estados Unidos vem do aumento da produtividade.
Segundo a FAO, esse movimento tem dois vetores relevantes. Em relação à Europa, pode-se afirmar que a maturidade do mercado, aliado aos rigores das normas de produção referentes aos impactos ambientais, dentre outras restrições, tem gerado desestímulo e estagnação da produção de leite. A Ásia tem como motor de seu crescimento a expansão da população, a mudança de hábitos alimentares, a urbanização e o elevado aumento de renda da população. Esses avanços deverão mais do que compensar uma queda projetada na China, onde a queda dos preços pagos aos produtores e as pressões de custos persistentes continuam a restringir o crescimento da produção.
A expectativa de aumentos no Brasil e no México, juntamente com uma recuperação na Argentina e nos Estados Unidos, deverá sustentar uma recuperação mais ampla nas Américas. Na Oceania deverá permanecer estável, com aumentos modestos em meio a tendências nacionais divergentes. Por outro lado, prevê-se declínio na África, cuja expansão da produção de leite enfrenta desafios estruturais e climáticos complexos em 2026. A baixa produtividade por animal, infraestrutura precária e a competição com produtos importados subsidiados estão entre os principais entraves, levando a aumento dos custos de produção. O leite subsidiado da UE está afundando os produtores da África, com efeitos desastrosos para o setor.
A produtividade média por animal varia significativamente entre os países, influenciada por fatores como genética, sistema de produção e nível de tecnologia empregado. Em geral, os países de clima tropical adotam sistemas baseados em pastagens, que costumam apresentar menor produtividade por vaca. A comparação entre Nova Zelândia e Austrália, de um lado, e Estados Unidos, de outro, ilustra bem os dois extremos da pecuária leiteira mundial. Enquanto os sistemas predominantemente a pasto priorizam a redução do custo por litro produzido e minimizam o uso de grãos, os sistemas confinados buscam diluir os custos fixos — como instalações, ordenha e sanidade — por meio de elevadas produtividades individuais.
Segundo o CILeite – Centro de Inteligência do Leite da Embrapa, o baixo volume e menor economia de escala implica menor diluição de custos e menor eficiência no uso do capital. Ao mesmo tempo, aumentar a produção exige investimentos que nem sempre são viáveis no curto prazo. Forma-se, assim, um ciclo difícil de romper: o sistema é mais caro porque produz pouco, e produz pouco porque não consegue investir para crescer. Ainda assim, aumento de volume em si não é o único caminho.
Estratégias baseadas em gestão eficiente, intensificação na produção e na produtividade utilizando tecnologias (manejo de pastagens e escolha da forrageira certa em função do bioma) permitem que pequenos produtores alcancem boa rentabilidade e se mantenham competitivos. Com isso, podem não apenas permanecer, mas também crescer na atividade leiteira.
No lado do comércio global de lácteos, medido em equivalentes de leite, houve redução de 0,8% em 2025 e representatividade de 8,6% da produção mundial de leite de vaca (85,5 milhões de toneladas equivalentes). Uma recuperação esperada nas importações da China - impulsionada pelo aumento da demanda da indústria alimentícia e por uma perspectiva de menor produção - pode compensar apenas parcialmente as quedas previstas na África e no Oriente Médio. A incerteza contínua no ambiente de política comercial justifica um acompanhamento nos próximos meses para avaliar os impactos nos mercados globais e na dinâmica comercial.
Os países tropicais apresentam realidades bastante distintas. Enquanto gigantes da produção, como Índia e Paquistão, destinam a maior parte do leite ao mercado interno e têm participação limitada no comércio internacional, o Brasil convive historicamente com déficits na balança comercial de lácteos. Apesar dos esforços recentes para ampliar sua competitividade externa, o consumo doméstico ainda absorve quase toda a produção nacional, levando o país a recorrer principalmente aos parceiros do Mercosul para complementar a oferta em termos de custo e volume.
Em resumo, o leite de vaca é a espécie dominante, representando aproximadamente 81% a 83% da produção mundial de leite. No entanto, ao focar especificamente nos países de clima tropical (em desenvolvimento), essa proporção cai significativamente para cerca de 62% a 67% devido à importância de outras espécies, como por exemplo, à forte presença da bubalinocultura nessas regiões.