ENTRAR COM FACEBOOK ESQUECI MINHA SENHA SOU UM NOVO USUÁRIO

O desafio de um programa de melhoria da qualidade do leite

POR RONALDO CARVALHO MACEDO

INDÚSTRIA

EM 26/11/2018

32
17

Tenho participado de diversos debates relacionados à implantação de pagamento por qualidade e de implantação de programa de melhoria da qualidade do leite em indústrias de laticínios. O primeiro ponto da nossa conversa é entender que “pagamento por qualidade” não é sinônimo de “programa de melhoria da qualidade do leite”. Uma política de remuneração diferenciada pela qualidade do leite é apenas uma ferramenta importante de um bom programa de melhoria da qualidade do leite.

Fundamentado nessa premissa apresentada acima, trarei aqui uma síntese de minhas experiências vividas trabalhando qualidade de leite em massa, ou seja, com diferentes perfis de empresas e diferentes perfis de produtores. Como não sou pesquisador e nem acadêmico, vou me dar o direito de escrever com uma linguagem mais simples. Como a história é longa, nesse artigo vou apresentar a vocês quais são os principais entraves na implantação de um programa de melhoria da qualidade do leite e também faremos uma breve exposição de uma série de tópicos relacionados à implantação de um programa de melhoria da qualidade do leite compatível com a realidade de cada indústria e que serão abordados em alguns outros textos.

Entraves na implantação de um programa de melhoria da qualidade do leite

Em todos os debates que participei até hoje sobre o tema melhoria da qualidade do leite, pude perceber um consenso entre os gestores das indústrias e os produtores que trabalham a melhoria da qualidade do leite. Os poucos profissionais que vi discordarem que a qualidade do leite é importante, já saíram do mercado. Agora a pergunta que atormenta o mercado é quais são os desafios de colocar em prática um programa de melhoria da qualidade do leite uma vez que é consenso que isso é necessário e lucrativo? O que limita a indústria?

Farei uma afirmativa polêmica aqui. A melhoria da qualidade do leite no país está travada na política leiteira, ou seja, melhorar a qualidade do leite no Brasil não passa por simplesmente treinar os produtores, mas sim por criar condições de políticas leiteiras específicas para que os produtores QUEIRAM MELHORAR.

A técnica necessária para melhorar os indicadores de contagem padrão em placa (CPP), antiga CBT e contagem de células somáticas (CCS), pode ser compactada em um checklist de menos de uma página ou muito bem detalhada a nível operacional em uma microcartilha de menos de 20 páginas. Quando vou começar uma palestra de qualidade do leite, faço algumas perguntas sobre refrigeração, manutenção, limpeza e manejo de ordenha. Uma altíssima taxa dos produtores já sabe tudo que eu tinha para falar. E ai? É falta de conhecimento técnico da cadeia produtiva do leite? Não posso concordar com isso. Técnicas mais elaboradas como uso da cultura microbiológica para identificação de patógenos podem ser aportadas pela indústria ou mesmo contratadas pelo produtor. A questão é que a indústria não está oferecendo as condições necessárias de política leiteira direcionada à qualidade do leite para que o produtor queira melhorar.

Quando eu faço essa afirmativa de que a indústria não está oferecendo as condições necessárias de política leiteira direcionada para a qualidade do leite para que o produtor queira melhorar, ao mesmo tempo, apresento a vocês o primeiro entrave: o gestor da indústria acredita que essas condições são sinônimas de aumento no preço médio do leite.

Isso é um equívoco grave e está entre as principais causas de muitas empresas ainda não terem implantado um programa de melhoria da qualidade do leite.

Em empresas responsáveis, o preço médio do leite, chamado pelos gerentes de captação de mix, é definido antes de se rodar o pagamento de leite e não depois. As empresas que rodam o pagamento de leite e depois descobrem quanto de dinheiro elas precisarão para pagar os produtores, são as que atrasaram ou atrasarão o pagamento, ou pior, já saíram do mercado dando prejuízo aos produtores.

Logo, se o preço médio do leite a ser pago aos produtores é definido antes de montar o pagamento de leite, não podemos afirmar que seja verdade que o preço médio vai aumentar, pois se trata de uma decisão prévia que não leva em consideração os resultados de qualidade dos produtores.

Já trabalhei em política leiteira e conclui que ao longo do ano sempre terá uma empresa de laticínios ou cooperativa pagando mais que a que você está, seja você o comprador de leite ou o fornecedor. E, para consolar, sempre haverá alguém pagando menos. O que não dá para uma indústria fazer é querer ter o maior preço comparado com todas as outras empresas o tempo todo.

Vou trazer uma metáfora que pode facilitar seu entendimento sobre o tema. Imagine que você convida cinco amigos para tomar cachaça e afirma que, para cada cachaça que um deles tomar, você toma uma também. Quando cada um deles tiver tomado apenas uma cachaça, você já terá tomado cinco. Você não passará da segunda rodada. Espero que tenha ficado mais claro para você o que acontece com a indústria que acha que, para manter o produtor com ela, é necessário SEMPRE, ter o maior preço que todos os outros concorrentes. Logo, é necessário refletir que seu fornecedor não está com você apenas pelo preço do leite que você paga. Em alguns casos ele é fiel à indústria apenas pela segurança e não, pelo que ela paga.

Reforçando: o nosso primeiro entrave é o gestor achar que pagar por qualidade sobe o custo da empresa. Isso acontecerá apenas quando a indústria colher os resultados da melhoria da qualidade do leite e tiver melhores condições de remunerar o produtor (dividir o lucro), pois o dinheiro em caixa afetará a decisão do gestor, possibilitando, agora sim, uma melhor remuneração no mix.

O primeiro entrave tem alta conexão com segundo, que é o gestor acreditar que ele vai perder todo seu leite se ele implantar uma política de pagamento por qualidade, associada à cobrança dos produtores no campo, chamada vulgarmente de “amolação”. Isso pode ser uma verdade se a tabela de pagamento por qualidade não for compatível com a realidade da empresa e seus fornecedores. Isso pode ser verdade se quem faz a política leiteira da empresa não tem contato com os produtores.

Olha como é controverso: tenho visto as empresas que NÃO têm uma política que valoriza a qualidade do leite, perdendo SEUS MELHORES FORNECEDORES (bom volume, boa qualidade e boa logística) para os concorrentes mais exigentes e que estão avançados na política de valorização da qualidade. Enquanto que, se ela tivesse implantado um sistema de valorização da qualidade do leite, ela poderia - se fosse estratégico - perder apenas os fornecedores de qualidade ruim, pois seriam os afetados pelo preço baixo.

O terceiro entrave é a indústria achar que a culpa dela não trabalhar a qualidade nos fornecedores é da concorrência. Em cenários de competição desleal por conta de crimes como captação de leite com antibióticos, sonegação de impostos, entre outros, a sua única opção é a denúncia, mas vamos falar aqui dos concorrentes que operam nessa mesma condição de mercado.

Sempre vai existir mudanças de estratégias da concorrência frente às condições vivenciadas por ela. Exemplo: a empresa passa por uma ampliação e precisa de leite. Para captar, teve que aumentar o preço e diminuir o rigor na cobrança da situação ATUAL do leite do produtor-alvo. Observe que não necessariamente, ela abre mão da qualidade. É uma condição de momento, ou seja, esse produtor pode ser trabalhado no futuro. A situação de crescimento de uma empresa compradora de leite é gerida por ela e o nível de flexibilização da captação do leite em relação à qualidade será influenciado pela relação oferta/demanda. A isso chamamos de mercado.

Se a empresa quer implantar um sistema de pagamento por qualidade do leite e o concorrente prospecta os fornecedores dela com propostas que não consideram a qualidade, como conviver com isso? Novamente volto na questão de que é necessário a empresa que pleiteia implantar um programa de melhoria da qualidade do leite propor uma política leiteira direcionada que faça o produtor querer melhorar a qualidade do seu leite. Um produtor querer mudar a qualidade do leite não é sinônimo de querer mudar de comprador, desde que exista junto do comprador a tal política que estamos insistindo.

O quarto entrave é a indústria achar que o produtor é ignorante, está falido, não vai mudar e/ou não vai aceitar mudanças. Rodando fazendas pelo Brasil todo, se tem uma coisa que eu aprendi, foi a não duvidar da inteligência e criatividade dos produtores de leite. Agora, de fato, o que falta a eles é liderança para que possam ser mais unidos ao redor de uma causa, que no caso da qualidade do leite, acho que essa liderança deve ser assumida pela indústria, pois quando ela é assumida por outros, acaba trazendo prejuízos mais graves à cadeia produtiva do leite.

O quinto entrave é a indústria achar que a culpa é da fiscalização. Acreditar que tem que fazer uma lei que impeça os produtores de mudar de laticínio se eles estiverem com a qualidade do leite ruim. Nós não temos uma força de trabalho de fiscalização e nem recursos para fiscalizar isso. Essa lei serviria apenas para aumentar o número de fraudes sobre as amostras de leite.

O sexto entrave se refere às indústrias que já têm pagamento por qualidade e têm equipe de assistência a campo. Algumas empresas não têm estratégias de gestão da equipe de campo na área de qualidade do leite. E aí esses técnicos acabam sendo absorvidos pelo departamento de política leiteira, assim, eles passam a fazer o mesmo trabalho que os gerentes de captação de leite.

Para ser mais claro, os técnicos da qualidade do leite passam a acreditar em todos os entraves citados acima, o que culmina em não acreditarem mais que podem conseguir os resultados para os quais foram contratados. Só fazendo uma observação: ter pagamento por qualidade e ter um funcionário a campo não quer dizer que a empresa tem um programa de melhoria da qualidade do leite. Veja que isso pode existir e a qualidade do leite nada evoluir, já tem muitas empresas nesse cenário.

O sétimo e último entrave que trarei para discussão (certamente temos outros) é a condição balança comercial negativa. Isso significa que somos importadores de leite. Como isso impacta na qualidade? Vamos fazer uma breve comparação com a Nova Zelândia que exporta a maior parte do leite que ela produz. Imagina se eles errarem na qualidade e o mercado internacional parar de comprar leite deles? Seria uma tragédia comercial. Isso fez com que, desde que se começou a ter um excedente de produção, fossem feitos ajustes e seleção dos produtores que ficaram no mercado, até que se atingisse um alto nível de qualidade do leite, passível de ser absorvido no mercado internacional.

No Brasil, o leite que é produzido não supre o mercado interno. Logo, falar que o Brasil não exporta leite porque não tem qualidade é de certa forma uma mentira, pois se tivesse leite para exportar, a adaptação do mercado seria imposta, assim como foi na Nova Zelândia. Resumindo a falta de um excedente de leite não permite a seleção dos melhores fornecedores.

Diante dos entraves apresentados acima, sendo eles variáveis de mercado, controláveis ou incontroláveis, certos ou errados, equivocados ou não, a indústria de laticínios brasileira precisa trabalhar a melhoria da qualidade do leite. Como vencer essas dificuldades e montar um programa de melhoria da qualidade do leite compatível com cada indústria? Qual a melhor tabela de pagamento? Como não perder fornecedores na implantação do programa? É mais viável para a empresa manter o produtor dela preso em sua baixa qualidade do leite? Quais são as condições de cenário de mercado, citadas no corpo do texto várias vezes, que a indústria deve viabilizar para que o produtor queira melhorar o leite fornecido?

Isso é que vamos discutir em nossos próximos textos.

Prezados leitores, como afirmei no começo, trago aqui minhas observações e experiências. Não sou pesquisador e fiz questão de não referenciar nada. Aproveito o momento para chamar a atenção dos pesquisadores e entidades para tentar ir mais à fundo no entendimento dos motivos que retardam nossos avanços na melhoria da qualidade do leite. Não sou o dono da verdade, mas espero que as reflexões possam aquecer as nossas próximas discussões sobre o tema.

RONALDO CARVALHO MACEDO

Ronaldo Carvalho Macedo - Médico Veterinário pela UFLA, com especialização em bovinocultura leiteira e MBA Gestão Empresarial pela FGV, Diretor Cia do Leite

32

DEIXE SUA OPINIÃO SOBRE ESSE ARTIGO! SEGUIR COMENTÁRIOS

5000 caracteres restantes
ANEXAR IMAGEM
ANEXAR IMAGEM

Selecione a imagem

INSERIR VÍDEO
INSERIR VÍDEO

Copie o endereço (URL) do vídeo, direto da barra de endereços de seu navegador, e cole-a abaixo:

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração. Obrigado.

SEU COMENTÁRIO FOI ENVIADO COM SUCESSO!

Você pode fazer mais comentários se desejar. Eles serão publicados após a analise da nossa equipe.

OSMAR MAIELLO JUNIOR

SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 04/12/2018

Parabéns pelo artigo, compartilho de sua visão este espaço de liderança na implementação da qualidade é sim da indústria, ao meu ver o grande ponto é o entendimento entre indústria e produtor de modo que um veja o outro como parceiro e não rival. São obrigações da indústria a captação, processamento e distribuição do produto acabado, assim como do produtor a produção de um leite de qualidade, qualidade esta exigida pelo mercado, então caso não tenhamos uma ação de complementariedade será impossível chegar a algum lugar.
Acompanho de forma amadora alguns movimentos de mercado, ele mostra que o leite UHT é uma fonte imensa de prejuízo em toda cadeia, para não ser injusto digamos o leite fluido. No entanto quando se observa o movimento do leite pasteurizado essa curva melhora, ou seja, quando se agrega valor ao produto melhore-se as respostas de mercado. Existem vários fatores envolvidos no mercado de leite e sua cadeia, mas todos partem da base QUALIDADE.
RONALDO CARVALHO MACEDO

LAVRAS - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

HÁ 2 DIAS

Osmar, bom dia!

Muito obrigado pelas considerações. Concordo plenamente com do problema de relação entre a indústria e o produtor. Isso é parte do que eu chamei de a indústria criar condições de política leiteira favoráveis a melhoria da qualidade do leite.
GIOVANI LÈLIS DE OLIVEIRA

CRUZÍLIA - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 03/12/2018

Muito bom Ronaldo! Realmente são pontos relevantes dentro do nosso setor!
ANTÔNIO CARLOS DE SOUZA LIMA JR.

GOIÂNIA - GOIÁS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 03/12/2018

Caro Ronaldo, muito interessantes suas considerações. Concordo que é preciso decisão estratégica das empresas e cooperativas quanto aos processos de melhoria da qualidade. Se isto ocorrer as próprias equipes de compra de leite (Suprimentos) poderão entregar também qualidade aos seus clientes internos (fábricas)além de volume e custo.
RONALDO CARVALHO MACEDO

LAVRAS - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 30/11/2018

Prezados,

Essa semana participei de um evento junto ao MAPA. Foram apresentados lá dados alarmantes. Nosso preço do leite em pó é 23% mais caro do que o do mercado internacional e nosso preço ao produtor é em média 15% mais alto que o preço dos principais exportadores. Isso significa que não exportamos leite por um motivo simples, não temos competitividade. E temos um agravante, muita gente acha que o problema da atividade leiteira no Brasil é o preço, com todos o respeito aos que aqui comentaram, mas falar isso é um equívoco grave. O grande problema é o custo de produção o qual estamos escolhendo produzir. No Brasil se pagarmos um produtor de leite R$ 0,80 por litro de leite ele corta a alimentação do gado, se pagar R$ 1,00 ele volta a alimentação, R$ 1,20 ele compra uma ordenha circuito fechado, R$ 1,60 ele faz um composto, o preço cai ele fica com a dívida e põe a culpa na atividade leiteira. Como nosso produtor não se acostumou a ter dinheiro, ele é motivado a gastar em situações de fluxo de caixa positivo. Temos que ser eficientes o tempo todo. "Dinheiro e baralho não aceitam desaforo". Descartou não volta mais.

Vamos falar disso no próximo artigo.
ANTÔNIO CARLOS DE SOUZA LIMA JR.

GOIÂNIA - GOIÁS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 03/12/2018

Em uma recente reunião no MAPA com a equipe do MDA, ficou muito claro para mim a preocupação dos gestores do MAPA quanto à ênfase que deve ser dada a gestão econômica-financeira pelo setor produtivo. Concordo totalmente que os recursos do Projeto Leite Saudável devam ser direcionados aos processos de gestão da atividade como um todo e não apenas à melhoria da qualidade da matéria prima.
OSMAR MAIELLO JUNIOR

SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 04/12/2018

O problema não está no preço pago ao produtor e sim no custo dos insumos, custo de produção de uma forma geral e na falta de gestão, planejamento e estratégia dentro da atividade.
JOÃO LEONARDO PIRES CARVALHO FARIA

MONTES CLAROS - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 28/11/2018

Excelentes ponderações e discussões Ronaldo, o caminho não pode ser unilateral para apenas um setor, todos os elos estão entrelaçados neste complexo mercado entre produtor de leite, indústria e laticínio!
JOSÉ FERNANDO

PELOTAS - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 27/11/2018

Enquanto toda variação no mercado for paga somente pelo produtor não acredito que haja melhora na qualidade do leite, pois é impossível o engajamento dos produtores em qualquer programa de melhora.
A indústria e o consumidor estão de costas para o produtor
CONRADO LUIS BILIERO

JAÚ - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 27/11/2018

Muito bom artigo, Ronaldo! Os produtores, técnicos e a industria tem muito ainda discutir e implementar.
Parabéns!!
BRUNO CORRÊA MACHADO RODRIGUES

MUTUM - MINAS GERAIS - TÉCNICO

EM 27/11/2018

Artigo bom, Ronaldo!
Parabéns!
RONALDO CARVALHO MACEDO

LAVRAS - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 27/11/2018

Grande Bruno!

Muito obrigado! Aguardo você para os próximos.
PAULO FERNANDO MACHADO

PIRACICABA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 27/11/2018

Muito bom, Ronaldo.
RONALDO CARVALHO MACEDO

LAVRAS - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 27/11/2018

Obrigado professor Paulo!

O tema é longo, vamos trazer mais algumas coisas para discussão. No próximo artigo vou trazer um estudo nosso em propriedades que recebem assistência técnica e gerencial. Produtores que melhoraram a qualidade do leite sem cobrança, apenas porque passaram a ganhar mais dinheiro gerindo melhor a fazenda como um todo.

Impor qualidade do leite ao produtor é querer começar construir a casa pelo telhado. Leite de qualidade, na minha opinião, é uma consequência de uma boa gestão da propriedade.

até o próximo artigo, mais uma vez obrigado!
MARIUS CORNÉLIS BRONKHORST

ARAPOTI - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 26/11/2018

Boa tarde Ronaldo
Parabéns pelo artigo
Muito complexo e sem solução prevista , mas nessecario a sua implantação pois só o mercado para resolver o problema e o produtor fazer a sua parte da porteira pra dentro .
Não teremos consenso sobre o tema entre os produtores pois a classe produtora É muito diversificada em diversos frentes começando pelo produto que ele produz ,seja só pra pagar conta da lavoura , subsistência , nessecidade por não ter outra forma de sobreviver ou por hobby .
Não falamos aqui em construção , tecnologia , tamanho , sucessão etc, etc .
As indústrias de aproveitam da situação seja ela no sul , centro ou norte do Brasil
Abraço
RONALDO CARVALHO MACEDO

LAVRAS - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 26/11/2018

Prezado Marius,

Veja como é complexo, falamos de muitos entraves e ainda deixamos para trás, questões importantes citadas por você. Vamos trazer mais 2 artigos sobre o tema, a conversa ainda vai aquecer mais um pouco.

Trouxe algumas reflexões, mas quero defender que a indústria é uma grande líder de um grupo de produtores. Assim o que ela faz ou deixa de fazer trás consequências para o grupo. Logo, defendo que a indústria deve parar transferir as culpas e fazer o que está no alcance dela para promover mudanças.

Muito obrigado por sua participação.
CARLOS ROBERTO DO NASCIMENTO

SÃO TIAGO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 26/11/2018

Parabens Ronaldo, muito bem elaborado. Com certeza, você abordou diversos temas que norteiam a cadeia do leite.
Eu, enquanto produtor, venho a cada dia me esforçando para oferecer à indústria uma matéria-prima que possa lhe proporcionar a transformação em um produto de qualidade, o que vai garantir o sucesso num mercado cada vez mais exigente.
Porém, o setor produtivo é muito complexo. Enfrentamos muitos desafios que, pelo conhecimento dos leitores, dispensa enumera-los.
Portanto, na minha modesta opinião de produtor, para que haja harmonia na cadeia, visto a sua importância para todo país, tem que haver uma melhor distribuição nos bens que o setor gera. Não é justo que quando se parte o bolo o percentual menor fique sempre pra quem mais se esforça. É muito raro um laticinio ou atravessador sair do mercado, enquanto é comum, em varias regiões do país, não importando se grandes ou pequenos, se adotam ou não tecnologias modernas, produtores desistindo da atividade.
Na minha opiniao, os compradores têm que repensar sua postura diante dos fornecedores. Com a remuneração dos ultimos anos - alguns dirigentes de laticinios dirão que é o mercado - ficamos impossibilitados de dar sequência à atividade e se desencoraja a sucessão familiar.
Espero que tenha contribuido.
RONALDO CARVALHO MACEDO

LAVRAS - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 26/11/2018

Prezado Carlos,

Obrigado pela participação na discussão. No próximo artigo vou falar um pouco sobre seus comentários. Aguardo sua leitura lá.

Abraço
DIVANIR RUBENICH

CARLOS BARBOSA - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 26/11/2018

Exatamente isso que você afirma. Alguns dizem que a saída de produtores é questão de ineficiência. Por aqui, produtores de destaque em qualidade e quantidade estão parando apenas por um fator, a remuneração insuficiente que o leite lhes traz. Investem em outras áreas que trazem rentabilidade, soja por exemplo.
RONALDO CARVALHO MACEDO

LAVRAS - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 26/11/2018

Carlos,

A margem por litro de leite de um produtor chega a ser 10 vezes maior que a da indústria. Algumas poucas indústrias que conseguiram diferenciar seu produto vem de fato operando com grandes margens, mas laticínios que trabalham com os queijos comuns, operam com margens baixíssimas. Sei disso pois trabalhamos com alguns dados contábeis de muitas indústrias, mais de 100 laticinios. MUITOS negativados, em recuperação judicial, devendo imposto etc.

Não estou aqui defendendo a indústria, estou expondo uma realidade. Agora o varejo operar com remarcações que chegam 150% é uma sacanagem.

Nossa empresa de consultoria para produtores de leite assiste hoje 1100 fazendas de leite no Brasil.

Temos produtores com taxa de retorno do capital investido de 35% e temos produtores que não conseguem pagar suas despesas. A diferença está na gerenciamento de cada fazenda (metas, plano de ação, monitoramento, ajuste) o fato é que se alguém consegue ter esse resultado, é porque é possível.
SÁVIO SANTIAGO

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 26/11/2018

Boa reflexão Ronaldo!

Não vejo os entraves como da prática de se implantar uma política de valores, mas mais como desculpa mesmo.
Pagar por qualidade e treinar os produtores pra ter qualidade escancara quais são os mais eficientes e que ficarão na atividade. Produtor gosta de ter leite de qualidade, sabe que isso agrega em saúde para o rebanho e não aceita voltar atrás simplesmente por políticas de precificação.
Como você afirmou, quem não tem ata nessa linha já saiu ou vai sair do mercado.
O importante é entender que só pagar não basta, tem que dar condições técnicas para que a coisa aconteça.
O último laticinio que decidir pagar por qualidade ficará com o resto do leite ruim disponível (se já não estiver fechado).
Abraço !
RONALDO CARVALHO MACEDO

LAVRAS - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 26/11/2018

Fala Sávio,

Obrigado pelas contribuições. Vamos aquecer a conversa com mais dois artigos no tema. Concordo que os entraves estão mais na cabeça dos gestores do que, de fato, impossibilitando alguma ação.

Nos próximos artigos queremos propor estratégias que podem ser compatibilizadas com as diversas realidades de laticínios.

Grande abraço!
RONEY JOSE DA VEIGA

HONÓRIO SERPA - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 26/11/2018

A busca pela qualidade é uma busca pela maior produção e menores custos, qualquer produtor consciente sabe disso! Dito isso, afirmo , por experiência própria, que o principal entrave ao produtor em aceitar uma política de pagamento por qualidade pela indústria é a falta de confiança na indústria! Tive sérios desentendimentos com uma indústria que dizia pagar por qualidade e fraudava análises, manipulando o preço de acordo com a conveniência. Tive provas quando desconfiado dos resultados ruins , resolvi por conta própria mandar analisar meu leite em laboratório independente. Melhorar qualidade demanda recursos, e muitas vezes o resultado demora. Como investir se nem um preço minimamente justo é pago pelo produto ? Como investir nessa gangorra de preços em que vivemos?
São questões que as soluções passam por implementações de políticas públicas para a cadeia de lácteos. A simples relação produtor / indústria não será capaz de solucionar.
RONALDO CARVALHO MACEDO

LAVRAS - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 26/11/2018

Prezado Roney,

Obrigado pela sua participação. Essa discussão é boa.

Complementando sua fala, por isso que disse que não basta o laticínio implantar uma tabela de pagamento por qualidade do leite. É necessário fazer muito mais que isso. Um dos pontos é trazer segurança ao produtor.

Só discordo de você no ponto que diz sobre os preços. Quem dita preço é o mercado (oferta e demanda). Essa dita gangorra que você falou é conhecida desde muito tempo. De novembro a janeiro laticínio não quer leite nem de graça. Chega de março pra frente os carros brancos vão para a estrada.

A turma do grão aprendeu a conviver com isso. Montaram silos e vendem aos poucos ao longo do ano. Não dá pra fazer no leite, mas você pode colocar suas novilhas para parir em março e tirar mais leite quando o custo está baixo e o preço está alto. Está nas suas mãos. Não espere nada do mercado. Faça o que está no seu alcance.

abraço!
DANIELA ALVES DOS SANTOS

EM 26/11/2018

Muito bom Ronaldo, parabéns pelo texto!
ANDRÉ GONÇALVES ANDRADE

ROLIM DE MOURA - RONDÔNIA - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 26/11/2018

Boas colocações Ronaldo. Parabéns!

Todos os paradigmas elencados acima são verdadeiros. Fatos. Porém vejo que o problema comercial é sem sombra de dúvidas o que mais afeta, elencado como "sétimo entrave". Apenas como colaboração, a qualidade de leite superior, no meu entender, deve ser o resultado de ganhos (valores) que a matéria prima poderá incorporar aos produtos (rendimentos, maior vida de prateleira, melhores produtos - sabor e aceitação, capacidade de compra dos consumidores, etc). Quando observo os poucos "programas de pagamentos de leite por qualidade", não raro vejo bonificações não coerentes, ou seja, é apenas uma forma política de precificar para cima ou para baixo os preços. Muito ainda temos para aprender e para melhorar. E a história nos ensina que a seleção ocorre sempre nos momentos de pressão. Não sabemos quando isso ocorrerá em nosso país, mas certamente ocorrerá. Nota: IN's e suas intermináveis prorrogações pra citar apenas uma prova das incertezas.

Abraço, sucesso!
RONALDO CARVALHO MACEDO

LAVRAS - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 26/11/2018

Você tocou em um ponto crítico. Programas de pagamento por qualidade de fachada. Nos próximos artigos vou discutir isso. Já te adiantando, defendo uma tabela mais simples que varie menos, mas que seja de fato aplicada. Essas tabelas que variam 0,50 por exemplo, na prática, raramente são executadas.
DIVANIR RUBENICH

CARLOS BARBOSA - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 26/11/2018

Bom dia Ronaldo!
Acredito que se não for uma norma pública, o pagamento por qualidade não será implantado.
Leite de qualidade é questão de saúde e saúde publica é questão de governo, por isso deveria ser regrado.
Ainda, com uma diferença enorme de pagamento por escala de produção (volume), chegando a até 30 centavos do menor limite ao maior limite de bonificação pelo volume de produção, nenhuma empresa se arrisca a pagar por sólidos porque perderia seus maiores produtores para a concorrência.
RONALDO CARVALHO MACEDO

LAVRAS - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 26/11/2018

Prezado Divanir,

Leite até pouco tempo era a segunda atividade que mais gera emprego no país, só perdia para construção civil. Pensa se a gente aperta a regra a quantidade de desempregados teríamos. Qual o tamanho da tragédia econômica. Outra coisa o Brasil é muito grande. Não temos força de trabalho para fiscalizar. As INs estão ai e nada muda. A cadeia produtiva vai ter que comprar essa briga pra ela antes que aconteça algo que obrigue a fazer sem tempo.
GIOVANI LÈLIS DE OLIVEIRA

CRUZÍLIA - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 26/11/2018

Muito bom Ronaldo! Realmente esses pontos citados são realidades em nosso setor!
RONALDO CARVALHO MACEDO

LAVRAS - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 26/11/2018

Giovani, bom dia!

O tema é polêmico, precisa ser encaixado na realidade de cada empresa.

Uma coisa tenho certeza, está ao alcance de qualquer empresa gerir a melhoria da qualidade do leite. Basta desenvolver um planejamento compatível com a realidade dela. O pior é não fazer nada e esperar que vai mudar alguma coisa.
EM RESPOSTA A RONALDO CARVALHO MACEDO
FERNANDO BACK

FORQUILHINHA - SANTA CATARINA - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 29/11/2018

Bom dia Ronaldo. Parabéns pelo artigo.Penso que é de suma importância esta abertura de discussão .Não temos dúvidas que nos elos da cadeia o varejo é que tem prerrogativa de maiores ganhos.Este é um ponto sensível e de desigualdade que deve ser discutida. Na indústria o entendimento de pagar por rendimento industrial seria o caminho justo. O produtor é o elo que merece nossa melhor atenção pois é a partir dele que a cadeia inicia e que recebe os impactos finais na distribuição de renda da cadeia com pouca força politica de ação. Trabalhamos como cooperativa que resolveu desde 2004 se adonar do processo de pagamento do leite recebendo da indústria e repassando aos associados conforme padrões de qualidade que prevê multas e bônus. porém percebemos que a indústria hoje paga por volume e a qualidade que é colocada a disposição não é recompensada como deveria, ficando ela a indústria numa região de conforto dispondo de rendimento sem pagar por ele. Resolvemos o problema de qualidade do leite mas não conseguimos obter o justo por isto. Abraços.