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O leite A2 já é uma realidade, mas e os derivados?

VÁRIOS AUTORES

INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 06/04/2021

3 MIN DE LEITURA

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O leite A2 é oriundo de vacas com genótipo A2A2 e a partir dele podem ser processados derivados lácteos nas indústrias de laticínios

 

O leite no Brasil está entre as principais fontes de alimento da população e gera uma grande cadeia empregatícia. No entanto, esse produto tão interessante nutricionalmente, não é consumido por pessoas com algum tipo de alergia ao leite de vaca.

Frente a isso, algumas empresas começaram a comercializar leite e derivados que contêm apenas beta-caseína A2, pois apresentam benefícios como redução dos sintomas gastrointestinais e aumento da atividade da lactase em comparação ao leite convencional.

As vacas podem ter genética para produção de leite com proteínas diferentes (A1 e A2). Vacas com genética A2A2 produzem naturalmente leite apenas com a proteína beta-caseína A2. Estudos sugerem que algumas pessoas podem ter dificuldade para digerir a beta-caseína A1 que é encontrada em todos os leites e derivados comuns.

Em comparação com a A2, a variante A1 é mais facilmente hidrolisada por enzimas digestivas presentes no sistema gastrointestinal humano, devido à ligação mais fraca entre a isoleucina e a histidina, liberando o peptídeo β-casomorfina-7 (βCM-7). Este, além de aumentar a inflamação gastrointestinal, está associado ao maior risco de doenças como diabetes mellitus tipo 1, autismo e esquizofrenia.

A obtenção do leite A2, assim como o processamento dos produtos lácteos, são idênticos ao convencional. No entanto, o alelo que codifica a variante da proteína A2 aumenta os valores genéticos para leite e produção de proteína e diminui a porcentagem de gordura no leite (OLENSKI et al., 2010). Dessa forma, esse efeito sobre a composição química do leite pode interferir positivamente na fabricação de derivados como queijos, manteigas, cremes, requeijões entre outros.

Devido aos benefícios do leite A2, na Nova Zelândia, seu consumo não é exclusivo para pessoas alérgicas a proteína do leite, sendo também a maior exportadora mundial de leite A2 em .

No Brasil, existem algumas fazendas no interior de São Paulo, Minas Gerais e Goiás que possuem a certificação de vacas A2A2. Todo o processo, desde a retirada do leite até a fabricação dos derivados, é legitimado para garantir produtos com fácil digestibilidade, sabor mais suave, cremosidade diferenciada e valor agregado.

O queijo Minas frescal A2 facilita a digestão e contém menos gorduras, colesterol e sódio, sendo a melhor opção para quem gosta de queijo e procura cuidar da saúde. Além disso, é um queijo mais suave e cremoso. O queijo Petit Suisse A2 é idêntico ao comum, contendo as mesmas características sensoriais.

a manteiga de leite A2 tem todos os benefícios, com sabor mais suave e cremosidade ímpar. O consumo moderado de manteiga traz benefícios para a saúde, sendo que as gorduras saturadas são ricas em bom colesterol e ajudam a diminuir o colesterol ruim. Com isso, beneficia o coração e ajuda a prevenir acidente vascular cerebral (AVC).

O creme de leite fresco, coalhada e iogurte também podem ser feitos com o leite A2, além do leite integral, semi-desnatado e desnatado.

Dessa forma, os benefícios e as propriedades sensoriais e físico-químicas do leite A2 o tornam promissor quanto ao consumo in natura e de derivados. A sua produção também é uma oportunidade de investimento quanto ao fortalecimento do setor, pela diversificação dos produtos.

Ademais, pesquisas em relação às características físico-químicas e sensoriais com outros derivados de leite A2 precisam ser desenvolvidas para diferenciá-los dos produtos convencionais. Essas informações, assim como todos os seus outros benefícios além da facilidade de digestão, devem ser divulgadas a partir de estratégias de marketing para estimular o consumo do leite e derivados A2.

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Referências

BARBOSA, M. G.; SOUZA, A. B.; TAVARES, G. M.; ANTUNES, A. E. C. Leites A1 e A2: revisão sobre seus potenciais efeitos no trato digestório. Segurança Alimentar e Nutricional, v. 26, p. 1-11, e019004, 2019.

CHIA, J. S. L.; MCRAE, J. L.; KUKULJAN, S.; WOODFORD, K.; ELLIOTT, R. B., SWINBUM, B. & DWYER, K. M. A1 beta-casein milk protein and other environmental pre-disposing factors for type 1 diabetes. Nutrition & Diabetes, 7 (274), 1-7, 2017.

*Fonte da foto do artigo: Freepik

BRUNA GOUVEIA GUIMARÃES

Médica veterinária pela Universidade de Rio Verde, Rio Verde - GO, Mestranda do Programa de Tecnologia de Alimentos do IF Goiano - Campus Rio Verde - GO

THAISA CAMPOS MARQUES

Instituto Federal Goiano - Campus Rio Verde - GO

JORDANA DOS SANTOS ALVES

Instituto Federal Goiano - Campus Rio Verde - GO

MIRELLY BERNARDI

Universidade de Rio Verde - Rio Verde - GO

MARCO ANTÔNIO PEREIRA DA SILVA

Doutor em Ciência Animal pela Universidade Federal de Goiás, Professor do IF Goiano - Campus Rio Verde, GO

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