A indústria de alimentos projeta cada detalhe dos snacks para torná-los irresistíveis, desde a cor chamativa da embalagem até o aroma que escapa quando ela é rasgada. Mas a forte ênfase na textura é algo novo. Isso inclui tanto o som que um produto faz ao ser consumido quanto o que é conhecido no setor como "sensação na boca". A Mintel, uma empresa de pesquisa, estima que a proporção de snacks que destacam sua textura saltou de 31% em 2023 para 41% no ano passado. Entre eles, "crocante" foi a descrição mais popular, embora "mastigável" e "pegajoso/cremoso" estejam ganhando espaço rapidamente.
A textura pode ser algo difícil de se criar na cozinha. Norberto Chaclin, chefe de pesquisa e desenvolvimento da Mondelez, ressalta que misturar ingredientes crocantes e macios é complicado. A umidade migra das partes molhadas para as secas, deixando os elementos crocantes murchos. Pegue o Dairy Milk Biscoff como exemplo. Ele foi cuidadosamente projetado com uma casca de chocolate ao leite para manter a umidade do lado de fora e uma camada de creme Biscoff à base de gordura ao lado da farofa de biscoito para preservar sua crocância. A barra passou por longos testes para garantir que sua textura se mantivesse durante todo o prazo de validade.
Tais complexidades podem explicar por que os fabricantes de alimentos estão lutando para acompanhar o interesse do público. Ao rastrear conversas nas redes sociais, a Mintel estima que, nos dois anos até abril, a demanda por snacks "indulgentes em textura" nos Estados Unidos saltou 28%. A oferta, medida pelo volume de vendas de snacks texturizados, aumentou apenas 8%.
O que está impulsionando essa fome por textura? Uma explicação é a ascensão dos medicamentos emagrecedores GLP-1, que reduziram o apetite dos pacientes. Isso significa que, quando eles vão comer um snack, primeiro se perguntam: "vale a pena?", observa Andrew Wardlaw da MMR, uma empresa de pesquisa. Um impacto sensorial maior, agregando som e tato além do sabor, contribui para a "teatralidade do produto" e torna o ato de beliscar mais atraente.
Outro fator são as redes sociais. Os jovens consumidores estão vidrados em vídeos curtos nos quais influenciadores mastigam comida com o volume no máximo. As marcas notaram isso e passaram a produzir anúncios projetados para induzir o ASMR (resposta sensorial meridiana autônoma), aquela sensação relaxante e de formigamento que algumas pessoas sentem com esse tipo de conteúdo. Publicações marcadas com a hashtag "crunchtok" acumularam mais de 1,5 bilhão de visualizações no ano passado.
A indústria de alimentos, por sua vez, vê a textura como a última forma restante de diferenciação. Wardlaw avalia que o mercado de snacks atingiu o "pico" do sabor, restando poucas novidades a serem exploradas (sem se aventurar naquilo que é pouco apetitoso). A maioria dos consumidores já experimentou chocolate em todas as formas possíveis, desde barras convencionais a miniaturas, e em pacotes tamanho família ou individuais. Para muitas pessoas, o ato de comer snacks tornou-se cada vez mais automático, feito de forma desatenta enquanto rolam o feed das redes sociais ou fazem maratonas de séries na TV.
Rimi Obra-Ratwatte, nutricionista da Mondelez, compara a demanda por snacks ricos em textura ao desejo de assistir a um filme em 3D. "Tudo passou a ser sobre amplificar uma experiência", explica ela. A grande indústria de alimentos deve estar torcendo para que os consumidores não se cansem dessa experiência tão cedo. Caso contrário, as empresas poderão enfrentar um tipo bem diferente de "aperto".
As informações são do Economist, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint.
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