Além do e-commerce: por que a IA recomenda produtos ricos em proteína e com apelo saudável?

Relatório da Euromonitor revela como a inteligência artificial generativa transforma a decisão de compra no e-commerce de alimentos e impulsiona marcas de lácteos.

Publicado por: MilkPoint

Publicado em: - 5 minutos de leitura

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A inteligência artificial generativa está se consolidando no varejo, permitindo que produtos atendam melhor às necessidades dos consumidores. A Chobani destaca-se nesse cenário, utilizando IA para recomendações de produtos. Um relatório da Euromonitor indica que a IA é mais utilizada em categorias que exigem consideração, como cuidados pessoais e saúde. A Chobani, que ocupa a 12ª posição em vendas online, salta para a 6ª em indicações por IA. Estratégias para marcas incluem entender problemas que a IA resolve e estruturar informações de forma acessível.
A inteligência artificial (IA) generativa está se tornando a “nova porta de entrada do varejo”, segundo Michelle Evans, líder global de insights de varejo da Euromonitor. Nesse novo cenário, produtos capazes de atender a diferentes necessidades dos consumidores podem estar mais bem posicionados para conquistar espaço no mercado.

A Chobani é um exemplo. Segundo Evans, a marca de iogurtes está se destacando na descoberta de produtos por meio da inteligência artificial justamente porque consegue atender a diferentes necessidades dos consumidores.

Em seu novo relatório, AI-Powered Shopping: New Insights on What’s Truly Driving Adoption, a Euromonitor mostra que os consumidores recorrem à IA para diferentes tarefas durante as compras, desde pedidos automáticos até a solução de questões mais complexas. A Chobani, segundo Evans, vem conquistando novos consumidores por diferentes tipos de indicação por IA. As informações foram apresentadas durante o Groceryshop 2026.

IA ganha espaço nas decisões mais complexas

Para entender o desempenho da Chobani na descoberta de produtos por inteligência artificial, a Euromonitor analisou o comportamento dos chamados bens de consumo de giro rápido, categoria que inclui produtos cotidianos vendidos rapidamente, como alimentos básicos e snacks.

Segundo Evans, apenas 2% das compras de refrigerantes são realizadas a partir de uma indicação de IA. Entre produtos básicos de supermercado, a participação é de 3%, enquanto nos snacks chega a 4%. A situação muda bastante em categorias que exigem maior consideração antes da compra. Nos produtos de cuidados pessoais, 47% das compras analisadas estão relacionadas a indicações por IA, enquanto nos produtos voltados à saúde do consumidor essa participação chega a 28%.

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Segundo Evans, isso acontece porque são categorias nas quais os consumidores chegam com perguntas. Uma busca como “qual é o melhor produto para a pele com eczema?”, por exemplo, oferece à inteligência artificial mais espaço para ajudar na descoberta de produtos.

As categorias de supermercado ainda podem não ser tão influenciadas pela IA quanto as de cosméticos e produtos de saúde, mas essa dinâmica pode estar começando a mudar. Segundo Evans, fatores como a busca por mais proteína, melhor saúde intestinal e as necessidades de consumidores que utilizam medicamentos GLP-1 estão ampliando as opções disponíveis e criando oportunidades para que a inteligência artificial ajude nas decisões de compra.

Quatro formas de usar IA para escolher produtos

A Euromonitor define quatro categorias de descoberta de produtos no varejo por meio da inteligência artificial: Autopilot, Tailor, Explain e Advise. Segundo Evans, a Chobani está posicionada para aproveitar todas elas.

No Autopilot, a IA praticamente elimina a necessidade de uma nova decisão. Um consumidor poderia, por exemplo, simplesmente pedir: “compre novamente o meu iogurte de sempre”. No Tailor, a inteligência artificial ajuda a restringir as opções de acordo com critérios específicos. Um exemplo seria: “encontre um iogurte rico em proteína e com menos açúcar”. No Explain, a IA ajuda a reduzir ainda mais a lista de opções a partir de solicitações que exigem informações mais complexas, como: “compare estas duas listas de ingredientes”. Já no Advise, o consumidor pede que a própria inteligência artificial participe mais diretamente da decisão. No caso da Chobani, uma solicitação poderia ser: “monte um café da manhã de acordo com minhas necessidades alimentares. O Advise é realmente o ponto em que a IA tem mais trabalho a fazer”, afirmou Evans. “É necessário um alto nível de conhecimento e um alto nível de personalização.”

Chobani aparece melhor nas indicações de IA do que nas vendas online

A estrutura apresentada pela Euromonitor ajuda a explicar a visibilidade da Chobani entre os alimentos embalados em 2025 e 2026. A marca ocupa a 12ª posição no ranking de vendas do e-commerce da categoria. Quando são consideradas as indicações provenientes da inteligência artificial, porém, a Chobani sobe para a 6ª posição. Segundo Evans, a IA pode explicar aspectos relacionados ao iogurte como alimento e também sugerir receitas, ampliando as possibilidades de descoberta da marca pelos consumidores.

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Os dados da Euromonitor mostram ainda quais características dos produtos aparecem proporcionalmente mais nas buscas feitas com auxílio de IA dentro dos bens de consumo. O termo “alto teor de proteína” aparece 1,54 vez mais nessas interações. “Sem soja” aparece 1,42 vez mais; “orgânico”, 1,38 vez; “sem lácteos” e “vegano”, 1,34 vez; e “USDA Organic”, 1,29 vez.

Como as marcas podem aparecer mais nas buscas por IA

A Euromonitor aponta quatro estratégias para que marcas de bens de consumo estejam mais bem posicionadas para a descoberta por inteligência artificial. A primeira é identificar onde a IA realmente tem uma função a desempenhar na relação entre o produto e o consumidor. “Que problema a IA pode responder para seus clientes?”, questionou Evans. “Se você não sabe qual problema seu produto resolve, então você tem um problema de produto, não um problema de IA.”

A segunda estratégia é estruturar as informações dos produtos de maneira que elas possam ser facilmente interpretadas pelas máquinas. A terceira é conectar o produto aos resultados ou necessidades procurados pelos consumidores. “Se você é uma marca, trata-se de se apropriar de um problema, de uma ocasião de consumo”, afirmou Evans. “Se você é um varejista, trata-se mais de se apropriar de uma receita, das cestas que os consumidores estão solicitando.”

Por fim, a recomendação é que fabricantes de alimentos e bebidas meçam a visibilidade obtida por meio da inteligência artificial separadamente da descoberta online tradicional. “Não deixe isso se perder na forma como você analisa o tráfego de busca, ou você deixará de enxergar onde a IA está causando impacto”, afirmou Evans.

O caso da Chobani mostra como essa nova forma de descoberta já pode produzir resultados diferentes daqueles observados no comércio eletrônico tradicional: embora a marca ocupe a 12ª posição em vendas online na categoria analisada, alcança o 6º lugar quando o caminho até o produto começa por uma indicação da inteligência artificial.

As informações são do Dairy Reporter, adaptadas pela equipe MilkPoint.

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