A transição fisiológica que antecede e sucede o parto representa um dos momentos mais críticos para a longevidade e a eficiência produtiva no rebanho leiteiro. Mais do que uma simples mudança de fase, trata-se de um verdadeiro teste metabólico para o animal.
Conforme descrito por DeGaris et al. (2008), o período periparturiente ou de transição 4 que ocorre semanas antes e 4 semanas depois do parto é caracterizado por um risco muito aumentado de doenças. Isso ocorre porque, nesse intervalo, a vaca passa da condição de não lactante para lactante, enfrentando uma demanda fisiológica intensa.
Nesse contexto, o metabolismo mineral, especialmente do cálcio assume papel central. Como destacam os autores, o animal é tremendamente desafiado a manter a homeostase do cálcio. Fiorentin et al. (2018) reforçam que essa fase concentra a maior parte das desordens metabólicas, devido aos severos ajustes aos quais as vacas são submetidas no metabolismo de carboidratos, lipídios e minerais no início da lactação.
A queda da imunidade e o risco de descarte
Quando esse delicado equilíbrio de cálcio é rompido, mesmo sem sinais clínicos evidentes, as consequências podem ser profundas. A hipocalcemia subclínica compromete funções essenciais do organismo, afetando diretamente o sistema imune.
Goff (2008) alerta que vacas que falham na regulação do cálcio podem desenvolver hipocalcemia clínica, também chamada de febre do leite, um distúrbio clínico grave que ameaça a vida da vaca e predispõe o animal a uma variedade de outros distúrbios. No entanto, mesmo antes de atingir esse estágio clínico, os impactos já são significativos.
Weiller et al. (2015) evidencia a estreita relação entre cálcio e imunidade, mostrando que sua deficiência reduz a capacidade de resposta das células de defesa. Esse comprometimento cria um efeito cascata, aumentando a suscetibilidade a doenças infecciosas e metabólicas no pós-parto.
Corroborando a esse cenário, DeGaris et al. (2008) afirmam que a hipocalcemia ao redor do parto é um fator de risco para muitas dessas doenças e é um fator de risco indireto para o aumento do descarte”. Ou seja, o problema não apenas afeta a saúde individual, mas compromete a eficiência global do sistema produtivo.
A prevalência oculta e os fatores de risco essenciais
Um dos maiores desafios da hipocalcemia subclínica é justamente sua invisibilidade. A ausência de sinais clínicos claros leva, muitas vezes, à falsa percepção de que o rebanho está sob controle.
No entanto, os dados científicos mostram o contrário. DeGaris et al. (2008) relatam que a incidência de hipocalcemia clínica varia de 0 a 10% no campo, podendo ultrapassar 25% em vacas parindo. Em condições experimentais, esse número pode chegar a impressionantes 80%.
Diante desse cenário, o monitoramento preventivo torna-se essencial. A avaliação de minerais como cálcio (Ca), potássio (K), magnésio (Mg) e fósforo (P), por meio de amostras sanguíneas coletadas cerca de uma semana antes do parto, é uma ferramenta estratégica importante.
Entre esses elementos, o magnésio merece atenção especial. A hipomagnesemia, mesmo moderada, compromete os mecanismos fisiológicos de mobilização do cálcio, favorecendo a ocorrência de hipocalcemia. Além disso, fatores zootécnicos também influenciam o risco: a idade, por exemplo, aumenta a probabilidade de febre do leite em aproximadamente 9% a cada lactação (DeGaris et al. 2008).
Impacto econômico e a lógica da prevenção
Mais do que um distúrbio metabólico, a hipocalcemia subclínica é um problema econômico relevante. Seus efeitos indiretos como redução de produção, aumento de doenças secundárias e descarte precoce geram perdas expressivas, muitas vezes invisíveis no dia a dia da fazenda.
Nesse sentido, McArt e Oetzel (2015) desenvolveram modelos estocásticos para estimar o impacto econômico da suplementação oral de cálcio nos primeiros 30 dias de lactação. Os resultados demonstram que estratégias preventivas, especialmente em vacas multíparas e de alta produção, podem gerar retorno financeiro significativo.
O estudo avaliou diferentes cenários, incluindo a suplementação de vacas com alto desempenho na lactação anterior, animais com histórico de claudicação e até mesmo a suplementação de todo o lote, evidenciando que a prevenção, quando bem direcionada, é uma ferramenta de gestão econômica.
Tecnologia aplicada à prevenção: o papel do BOVIKALC®
Diante desse contexto, soluções práticas e eficazes ganham protagonismo no manejo do período de transição. Pensando nos impactos da hipocalcemia subclínica sobre o rebanho, a Boehringer Ingelheim trouxe ao Brasil o BOVIKALC®, o bolus para suplementação de cálcio mais vendido do mundo.
Desenvolvido para atuar de forma rápida e sustentada, o BOVIKALC® fornece 43 g de cálcio disponível por dose, por meio de uma formulação exclusiva que combina dois sais com funções complementares:
? Cloreto de cálcio, altamente solúvel e de rápida absorção, garantindo efeito imediato;
? Sulfato de cálcio, que se dissolve somente depois da degradação pela microbiota ruminal, promovendo liberação gradual e prolongada.
Essa combinação permite não apenas corrigir rapidamente a queda dos níveis de cálcio, mas também sustentar sua concentração ao longo do período crítico pós-parto.
Além disso, o produto conta com um revestimento especial à base de goma xantana, que protege a mucosa do rúmen e facilita a deglutição. Após a administração, o bolus é completamente desintegrado em cerca de 30 minutos, iniciando rapidamente a reposição mineral.
Estudos demonstram que o BOVIKALC® eleva os níveis de cálcio de forma eficiente, atingindo pico máximo aproximadamente uma hora após a administração e mantendo concentrações elevadas por até 24 horas.
Eficiência produtiva começa no equilíbrio metabólico
Ao integrar estratégias nutricionais e soluções tecnológicas como o BOVIKALC®, o produtor consegue atuar diretamente na raiz do problema: o desequilíbrio mineral no período de transição.
Com eficácia comprovada, o produto oferece segurança, praticidade e impacto direto na produtividade e na reprodução das vacas. Mais do que um suporte pontual, trata-se de uma ferramenta estratégica para reduzir riscos, melhorar o desempenho e otimizar resultados econômicos.
Em um sistema cada vez mais orientado por eficiência, investir na estabilidade do cálcio no periparto é proteger o sistema imunológico, reduzir perdas invisíveis e garantir que cada animal expresse seu máximo potencial produtivo.
Fontes consultadas:
? DeGaris, P. J., & Lean, I. J. (2008). Milk fever in dairy cows: A review of pathophysiology and control principles. The Veterinary Journal, 176(1), 58-69.
? Fiorentin, E. L., Zanovello, S., Gato, A., Piovezan, A. L., Alves, M. V., Rocha, R. X., & Gonzalez, F. (2018). Occurrence of subclinical metabolic disorders in dairy cows from western Santa Catarina state, Brazil. Pesquisa Veterinária Brasileira, 38(4), 629-634.
? Goff, J. P. (2008). The monitoring, prevention, and treatment of milk fever and subclinical hypocalcemia in dairy cows. The Veterinary Journal, 176(1), 50-57.
? McArt, J. A. A., & Oetzel, G. R. (2015). A stochastic estimate of the economic impact of oral calcium supplementation in postparturient dairy cows. Journal of Dairy Science, 98(11), 7408-7418.
? Neves, R. C., Leno, B. M., Stokol, T., Overton, T. R., & McArt, J. A. A. (2017). Risk factors associated with postpartum subclinical hypocalcemia in dairy cows. Journal of Dairy Science, 100(5), 3796-3804.
? Weiller, M. A. A., Feijó, J. O., Pereira, R. A., Corrêa, M. N., Del Pino, F. A. B., Rabassa, V. R., & Brauner, C. C. (2015). Hipocalcemia subclínica e sua relação com a imunidade em vacas leiteiras: Uma revisão. Science and Animal Health, 3(1), 78-93.