A história começou quando a família decidiu dar um novo destino à propriedade rural, que por mais de 30 anos foi dedicada ao cultivo de hortaliças. Com o crescimento do turismo na região e a experiência com hospedagem por temporada, surgiu a ideia de investir na produção de leite e aproveitar a matéria-prima para produzir alimentos artesanais.
No início, a produção era voltada aos visitantes do sítio e incluía queijo, iogurte e doce de leite. A boa aceitação dos produtos incentivou a família a se aperfeiçoar e enxergar novas possibilidades para o negócio.
O caminho até a formalização, no entanto, exigiu planejamento e investimento. Em maio de 2025, a família decidiu registrar a queijaria. Mas para isso era preciso adequar o espaço de produção e adquirir novos equipamentos para cumprir as exigências sanitárias, já que os produtos eram feitos em uma estrutura adaptada, que funcionava como cozinha industrial.
Entre os investimentos realizados pela família, estavam a compra de um pasteurizador, de uma seladora a vácuo e de outros equipamentos utilizados na fabricação e na embalagem dos produtos. Em seguida, veio a aquisição de um veículo com carroceria, importante para transportar insumos e levar os produtos às feiras, além do financiamento para a compra de vacas leiteiras e o melhoramento genético do rebanho, por meio de uma linha do Pronaf.
Da produção local aos concursos nacionais
Com a formalização da produção e os investimentos, a queijaria ampliou a produção e diversificou o portfólio. O volume, que era de aproximadamente 100 litros de leite por semana, chegou a mais de 1.000 litros semanais. Atualmente, Anderson e Daniela são responsáveis pela produção, enquanto Ilza, mãe de Anderson, também participa do apoio às atividades da família. Sem experiência anterior com a fabricação de queijos, foi necessário buscar orientações de outros produtores, realizar cursos e aperfeiçoar os processos.
A assistência técnica também contribuiu para melhorar as práticas de produção e, hoje em dia, além dos queijos tradicionais, a linha de produtos inclui opções como queijo com café e iogurtes com frutas, entre eles o de jabuticaba. “Nosso carro-chefe que lançamos ano passado é um iogurte de jabuticaba, feito com calda artesanal. Ele ganhou medalha de Bronze no prêmio Queijo Brasil, enquanto nosso iogurte lácteo integral ganhou o ouro e foi reconhecido como melhor produto lácteo do estado na mesma competição. Outro destaque é nosso queijo de café, que fica imerso e faz seu processo de cura dentro de uma calda de café arábica”, comenta.
Mas não para por aí. Em 2025, a família participou do concurso Queijo Premium Brasil, em Blumenau, Santa Catarina, e conquistou medalhas com o queijo coalho e o doce de leite de corte. Em 2026, a queijaria voltou a participar do concurso, com dez produtos inscritos e oito premiações, segundo Anderson. Além disso, neste ano, o queijo coalho também recebeu a distinção Super Ouro no Mundial dos Queijos.
Essas conquistas ampliaram a visibilidade da queijaria e despertaram o interesse de consumidores de outras regiões. Hoje, a família conta com um ponto físico localizado na propriedade e também trabalha em feiras pelo estado. Segundo Anderson, entre 70% e 80% das vendas são realizadas nesses eventos, que permitem apresentar os produtos a novos públicos e testar lançamentos.
As informações são do A Gazeta, adaptadas pela equipe MilkPoint.
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