FAZER LOGIN COM O FACEBOOK ESQUECI MINHA SENHA SOU UM NOVO USUÁRIO

Índice de "Relação Verão:Inverno": ferramenta para avaliar o efeito do resfriamento na fertilidade de vacas leiteiras no verão

POR ISRAEL FLAMENBAUM

PRODUÇÃO

EM 27/02/2015

2
1
Nos últimos anos desenvolveu-se em Israel um índice de “Relação Verão:Inverno”, que permite avaliar a eficiência do uso de meios de resfriamento para combater o estresse calórico nas fazendas leiteiras. Este índice avalia o rendimento no verão com relação ao inverno (considerando o inverno como base). Ele é incluído em um relatório anual, que se apresenta a cada fazenda leiteira que participa do banco central de dados do “Livro do Rebanho Israelita”, administrado pela Associação de Produtores Leiteiros de Israel (ICBA).

O índice analisa médias corrigidas de produção de leite, preço do leite corrigido (ECM), gordura, proteína, células somáticas (CCS) e taxa de concepção durante o inverno e verão. Com base nesse relatório, determinam-se as prioridades de assistência técnica, concentrando e focando os esforços nas fazendas leiteiras com resultados mais pobres.

As Tabelas 1, 2 e 3 apresentam dados do Livro do Rebanho Israelita em 2014, nos quais se compara o Índice de relação Verão:Inverno em fazendas familiares pequenas (Moshav) com 2 ou 3 ordenhas/dia e fazendas cooperativas grandes (Kibbutz) com 3 ordenhas/dia (Tabela 1), rebanhos de diferentes níveis de produção anual – alta, média e baixa (Tabela 2) e fazendas leiteiras localizadas em diferentes regiões do país (Tabela 3).

Tabela 1 – Índice de relação Verão:Inverno em fazendas familiares e cooperativas


Tabela 2 – Índice de relação Verão:Inverno em fazendas cooperativas grandes de diferentes níveis de produção anual por vaca.


Tabela 3: Índice de relação Verão:Inverno em fazendas cooperativas grandes em regiões com verões extremamente frescos (montanhas) e quentes (Vale do Jordão).


Pelo apresentado nas tabelas 1, 2 e 3, pode-se ver que as vacas em ambos os setores (Moshav e Kibbutz) conseguem no verão um índice de 0,92-0,94 na relação percentual de leite por vaca, comparado com a do inverno. Em ambos os setores, as vacas perdem 2% a 3% de gordura e proteína nas lactações de verão.

A taxa de concepção no inverno supera em ambos os setores os 40%, enquanto no verão a taxa se reduz a quase metade, baixando um pouco mais nas fazendas leiteiras familiares em comparação às fazendas leiteiras cooperativas (17% e 20%, respectivamente), possivelmente pelo melhor manejo realizado nas fazendas grandes.

Comparando as diferentes fazendas de acordo com o nível de produção (nível de produção de leite anual), observamos que os resultados da relação Verão:Inverno foram melhores nas de alta produtividade, comparado com as de média e baixa produtividade. Isso é devido possivelmente ao melhor manejo e, inclusive, ao melhor uso de sistemas de resfriamento nessas fazendas.

Comparando os resultados nas diferentes regiões do país, vemos as vantagens que a região montanhosa (mais fresca) tem sobre as demais regiões, mas sobretudo, sobre a região extremamente quente do Vale do Jordão.

Um dos fatores mais importantes desse ponto de vista econômico é a fertilidade das vacas. O índice de relação V:I pode nos ajudar a classificar as diferentes fazendas leiteiras na forma como combatem o estresse calórico e como base para avaliar de forma indireta o efeito do resfriamento das vacas no verão na taxa de concepção.

Para realizar esse estudo, foram escolhidas 15 fazendas leiteiras com a relação V:I mais alta e mais baixa, com base no Livro do Rebanho Israelita em 2014 e se compararam os parâmetros produtivos e reprodutivos dos mesmos. Os resultados estão mostrados na Tabela 4.

Tabela 4: Parâmetros produtivos e reprodutivos das vacas nas 15 fazendas leiteiras cooperativas grandes com a relação V:I mais alta e a mais baixa em 2014.


Pelo apresentado na Tabela 4, pode-se observar que quase não há diferença no potencial produtivo, entre os 2 grupos de fazendas leiteiras e a produção média por vaca nos meses de inverno, nos dois grupos de fazendas oscila ao redor dos 42 quilos por vaca/dia. Nas fazendas leiteiras de “relação alta”, muito provável que devido ao bom manejo de resfriamento, a produção média nos meses de verão quase não baixa e se mantém em 41,5 quilos/vaca/dia. Ao mesmo tempo, nas fazendas leiteiras que provavelmente não manejam bem o resfriamento, a produção média por vaca baixa no verão em 12% em comparação com a do inverno e as vacas perdem quase 5 quilos diários de sua produção de leite comparando-a com o inverno.

É interessante notar como se comporta a fertilidade das vacas nesses grupos e isso pode ser visto na mesma Tabela 4. A taxa de concepção em ambos os grupos supera os 40% e não difere muito entre eles no inverno. Nos meses de verão, a taxa de concepção baixa em 27 pontos percentuais, para 14%, nas fazendas leiteiras que provavelmente não resfriam bem as vacas enquanto, no grupo de fazendas que provavelmente conseguem fazer isso, a taxa de concepção baixa menos e chega a 26% no verão (12 pontos percentuais acima da das fazendas do outro grupo).

Não há dúvida de que o bom resfriamento no verão ajuda a obter melhor produção e a taxa de concepção no verão. Porém, isso é somente em média. Ao estudar os dados de uma forma um pouco diferente, foram analisados os dados das 30 fazendas com a relação V:I mais alta e mais baixa. Entre as 30 fazendas com a relação baixa (< 0,92), 9 fazendas obtiveram no verão uma taxa de concepção acima de 20% (30% do grupo), enquanto o resto do grupo obteve taxa de concepção abaixo de 20% (70% do grupo). Entre as 30 fazendas com a relação mais alta (> 0,98), 14 fazendas obtiveram taxa de concepção abaixo de 20% no verão (45% do grupo), quando 9 fazendas obtiveram uma taxa de concepção maior de 30% no verão (30% do grupo).

Dos dados apresentados, aprendemos que o bom resfriamento no verão e a relação alta de produção de leite entre o verão e o inverno talvez aumentem a probabilidade de obter uma melhor taxa de concepção no verão, mas não se pode garantir. Vemos pelo menos um terço das fazendas leiteiras que obtêm uma boa relação V:I e que, provavelmente, resfriam bem as vacas no verão, mas não conseguem ter ao mesmo tempo boa taxa de concepção.

Pode-se concluir dizendo que, talvez, o bom resfriamento seja um requisito importante para conseguir ter uma boa fertilidade no verão, mas não se pode garantir, já que não é o único fator que influi nesse parâmetro. Muito provável é que, ao apresentar-se boas condições de manejo de alimentação, de fertilidade e de inseminação, o bom resfriamento no verão ajude a melhorar a taxa de concepção. 



ARTIGO EXCLUSIVO | Este artigo é de uso exclusivo do MilkPoint, não sendo permitida sua cópia e/ou réplica sem prévia autorização do portal e do(s) autor(es) do artigo.

ISRAEL FLAMENBAUM

Especialista no estudo do estresse térmico em vacas leiteiras, professor na Hebrew University of Jerusalém, tem ministrado cursos e treinamentos sobre o assunto em diversos países.

2

DEIXE SUA OPINIÃO SOBRE ESSE ARTIGO! SEGUIR COMENTÁRIOS

5000 caracteres restantes
ANEXAR IMAGEM
ANEXAR IMAGEM

Selecione a imagem

INSERIR VÍDEO
INSERIR VÍDEO

Copie o endereço (URL) do vídeo, direto da barra de endereços de seu navegador, e cole-a abaixo:

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração. Obrigado.

SEU COMENTÁRIO FOI ENVIADO COM SUCESSO!

Você pode fazer mais comentários se desejar. Eles serão publicados após a analise da nossa equipe.

FERNANDO ENRIQUE MADALENA

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 07/03/2015

Prezado Dr. Flamenbaum

14% de concepção é alarmante. É difícil entender como pecuária com esse índice consegue ser econômica.
SIDNEY

GOIÂNIA - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 02/03/2015

Esse é o típico artigo que chama minha atenção. Adoro a adoção de indicadores e já vou começar a delinear algo semelhante.