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Manejo alimentar e índices nutricionais: como melhorar?

POR MARYSTELLA TEIXEIRA

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 06/11/2020

6 MIN DE LEITURA

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Em um rebanho leiteiro, o manejo alimentar e os índices nutricionais são de extrema importância. Mas devemos saber que existem particularidades para cada fase da curva de lactação. E estas são fundamentais para o sucesso na produção leiteira, garantindo, assim, alta produtividade e lucratividade em seu rebanho.

Consumo de Matéria Seca

É de suma importância na nutrição, pois estabelece quantidade de nutrientes disponíveis para a saúde, mantença e produção do animal. Sendo assim, é um dado indispensável na formulação de dietas. Para que se possa prevenir o fornecimento insuficiente ou excessivo de nutrientes.

  • Baixo Consumo de MS: o animal não irá expressar seu potencial máximo e sua saúde será comprometida. 
  • Excessivo Consumo de MS: os custos com alimentação vão se elevar, terá um excesso de excreção de nutrientes no meio ambiente e também uma possibilidade de que o excesso de alimentos cause uma toxicidade aos animais.

Equação para predição do CMS em vacas leiteiras

Equação para predição do CMS em vacas leiteiras

  • CMS: Consumo de Matéria Seca em kg/dia
  • PLC4%G: Produção de Leite corrigida para 4% de gordura
  • PV: Peso Vivo
  • E: Número Neperiano (2,71828)
  • Sem: semana de lactação

Exemplo:

Calcule o CMS predito de um lote de vacas com 650 kg PV, produzindo 30kg de leite/dia, com 3,5% de gordura, aos 140 dias de lactação.

- PL: 30 kg/dia      - %G: 3,5%       - PLC4%G: 27,75 kg/dia       - PV: 650 kg        - Sem: 140 dias = 20 semanas

*CMS: 22,54 kg MS/dia

Ou, podemos calcular de uma forma mais simples:

Temperatura Ambiental x Consumo de Matéria Seca

O consumo de MS, principalmente em raças europeias, é notoriamente afetado pelas altas temperaturas ambientais. Segundo Holter et al., (1997), vacas holandesas multíparas prenhes no terço final da lactação diminuem 22% a ingestão de matéria seca e as primíparas 9%. Consequentemente, se o consumo de MS do animal diminui, a produção de leite também irá diminuir.

Limites térmicos para cada raça

- Holandesa 21°C          - Pardo-Suiço 24°C                    - Jersey 27 °C                  - Zebuínas 31°C         

Curvas de Lactação x Consumo de Matéria Seca

curva lactação x consumo de matéria seca

O pico de lactação (entre o 1º e o 2º mês) não bate com o pico de ingestão de MS (entre o 3º e o 4º mês) do animal. Justamente por este motivo, há um período em que a vaca está sujeita a entrar no que chamamos de balanço energético negativo, ou seja, a vaca come menos do que precisa no início da lactação. Vacas com alta produção de leite utilizam suas reservas corporais para produzir. Assim, estão sujeitas a passar pelo período do BEN.

Escore de Condição Corporal

Este indicador serve para monitorar o grau de mobilização e perda de reservas corporais. Varia de 1 a 5 pontos.


Fonte: diversos autores

  • Parto: se um animal parir com um escore abaixo de 3, vai estar com poucas reservas e pode não demonstrar todo o seu potencial produtivo no pico da lactação. Por outro lado, se esse animal parir com um escore acima de 3,5, que é incorreto, ele vai ter um menor consumo de MS no pós-parto. Assim, terá uma maior incidência de enfermidades metabólicas, principalmente cetose e fígado gorduroso.
  • Início de Lactação: é o período de maior produção de leite. O escore pode cair até 2,5, e isso é normal. Isso ocorre, principalmente em vacas de alto potencial produtivo. Se o ECC for menor que 2,5, há chances do desempenho reprodutivo deste animal ser prejudicado e, consequentemente, o período de serviço e intervalo entre partos serão estendidos.
  • O período correto de recuperar o ECC é no meio da lactação, e não no período seco.

Eficiência Leiteira

Vacas de maior consumo, não são necessariamente as mais eficientes. Sabendo disso, como eu consigo predizer qual a eficiência leiteira do meu rebanho?

- Basta calcular:

- de 1,3 a 1,5 = normal               - > 1,5 = excelente; alta eficiência                 - < 1,3 = preocupante

Fatores que diminuem a eficiência de produção

  • Acidose: vacas com acidose ou outro distúrbio metabólico apresentam menor eficiência leiteira.
  • Final da lactação: vacas neste estágio de lactação apresentam menor eficiência leiteira, pois estão recuperando escore e mobilizando nutrientes para a formação do feto.
  • Vacas primíparas: apresentam menor eficiência leiteira, já que ainda estão crescendo e precisam de nutrientes para o seu desenvolvimento.
  • Estresse por calor: vacas que estão em estresse térmico apresentam menor eficiência leiteira, pois os nutrientes são enviadas para dissipar o excesso de calor.
  • Vacas a pasto: apresentam menor eficiência leiteira do que animais confinados, pois suas exigências de manutenção são de 20 a 50% maiores.

Fatores que aumentam a eficiência de produção

  • Volume de produção: altas produções de leite, aumentam a eficiência leiteira.
  • Perda de peso: vacas que perdem peso apresentam maior eficiência leiteira, pois estão emprestando nutrientes do seu organismo para dar suporte para a produção de leite mais alta.
  • Digestibilidade da dieta: forragem de maior qualidade aumenta a eficiência leiteira, já que apresentam maior digestibilidade e taxa de passagem.

Nitrogênio Ureico no Leite (NUL)

O NUL pode ser utilizado para monitorar a condição nutricional das vacas. O ideal é que tenhamos valores como 10-14 mg/dL. Seo valor de NUL estiver alterado, devemos ver se as dietas estão de acordo para a produção de leite do rebanho, se as vacas estão produzindo as quantidades esperadas, se a dieta foi corretamente formulada ou se as forragens foram recentemente analisadas.

Os valores de NUL variam de acordo com o nível de produção, ou seja, é comum encontrar valores maiores em um rebanho ou lote de maior produção.


Fonte: Khon (2002)

  • Alto NUL: pode ser indicador de proteína em excesso para o respectivo nível de produção do animal. Estudos tem relacionado a proteína em excesso com o desempenho reprodutivo do animal.
  • Baixo NUL: deve ser fiscalizado se as forragens foram danificadas pelo calor, se as vacas tiveram acesso as dietas formuladas ou até mesmo se esses animais conseguiram selecionar os alimentos fornecidos.

Sobras no Cocho e Tamanho de Partícula

O escore de cocho é um indicador importante para saber o quanto os seus animais estão comendo e qual a qualidade do alimento fornecido. O ideal é que o escore seja 1 de sobra (de 3 a 5%). Se o cocho estiver vazio por mais de 2 horas antes da ordenha, é sinal de que faltou comida e a produção de leite está abaixo do potencial das vacas. Outro problema de não ter sobra no cocho é que não conseguimos identificar se as vacas estão ou não selecionando a dieta por tamanho de partícula. Principalmente quando o alimento não é bem processado.


Fonte: EducaPoint

Deve-se evitar que as vacas selecionem alimentos mais concentrados, misturando bem os alimentos fornecidos. Além disso, elas podem selecionar partículas de forragem com 5 cm ou mais de comprimento. Para que não haja seleção, é importante que as partículas estejam entre 2,5 a 5 cm de comprimento.

Acidose Ruminal

É uma situação em que o pH do rúmen está inferior a 5,8. Os principais sinais clínicos de acidose ruminal são:

  • Consumo e produção de leite muito irregulares, variando muito de um dia pro outro;
  • Queda nos teores de gordura do leite;
  • Falta de ruminação: 1 a 2 horas após o trato, 50% das vacas deveriam estar ruminando;
  • Consumo voluntário de bicabornato;
  • Fezes com aspecto inconsistente;
  • Aumento na incidência de laminite;
  • Quantidade de partículas inteiras nas fezes.


Fonte: EducaPoint e Arquivo Pessoal

Considerações Finais

Os indicadores nutricionais são de suma importância para fiscalizarmos se o nosso manejo alimentar está correto. Devemos nos preocupar com cada um deles, já que nossa produção depende totalmente da nutrição do rebanho. Dessa forma, fica claro que, para o sucesso produtivo e lucrativo, o manejo alimentar e os índices nutricionais do rebanho devem estar sendo supervisionados diariamente.

Este artigo foi escrito por membros do UFLALEITE - Grupo de Apoio à Pecuária Leiteira. Para saber mais, acesse @uflaleite.

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