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Produtos lácteos probióticos são eficientes na redução da glicemia

INDÚSTRIA

EM 27/01/2020

2 MIN DE LEITURA

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Laís C. Grom1, Tatiana C. Pimentel2, Márcia C. Silva1, Adriano G. Cruz1* 

1Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ), Departamento de Alimentos, 20270-021, Rio de Janeiro, Brasil

2 Instituto Federal do Paraná (IFPR), Paranavaí, 87703-536, Paraná, Brasil

glicemia pós-prandial é a medida da glicose no sangue algum tempo depois do consumo de alimentos contendo carboidratos. Em indivíduos normais as concentrações de glicose começam a subir cerca de 10 minutos após o início de uma refeição, atingem seu pico (geralmente <140 mg/dL) após 60 minutos e retornam aos níveis pré-prandiais dentro de 2 ou 3 horas.  As enzimas α-amilase e α-glucosidase são responsáveis pela hidrólise de oligossacarídeos e dissacarídeos complexos em glicose, os quais são posteriormente absorvidos pelo intestino.

Os produtos lácteos probióticos auxiliam na redução da glicemia pós-prandial, por exercerem uma função anti-diabética que está diretamente relacionada à inibição das enzimas α-amilase e α-glucosidase. Isso se dá porque eles têm a capacidade de produzir peptídeos bioativos, resultantes do intrínseco processo fermentativo, que diminuem/inibem a atenuação. Os peptídeos bioativos são encontrados, principalmente, em produtos lácteos fermentados — como iogurtes, bebidas lácteas e queijos de longa maturação — devido à ação dos microrganismos sob a caseína durante o processo fermentativo. Isto tem como efeito a diminuição na hidrólise de polissacarídeos e dissacarídeos e absorção de glicose, mantendo assim os níveis de glicose no sangue. Algumas cepas de bactérias probióticas adicionadas em produtos lácteos também são capazes de estimular a secreção de incretinas, substâncias produzidas pelo pâncreas e intestino responsáveis por regular o metabolismo da glicose.

Em um estudo recentemente publicado, nosso grupo observou que produtos lácteos probióticos (queijo Minas Frescal, queijo Prato ou bebida láctea adicionados de L. casei) apresentam atividade anti-hiperglicêmica in vitro (atividade inibidora da α-amilase e α-glucosidase) e in vivo (menor aumento na glicemia pós-prandial em indivíduos saudáveis).

A ingestão de produtos lácteos probióticos pode trazer benefícios à saúde relacionados com o diabetes, reduzindo a glicemia pós-prandial. Embora o uso potencial de probióticos como suplemento dietético e alimento funcional para diabetes seja incerto, tal abordagem pode oferecer vantagens sobre terapias com medicamentos, uma vez que possui um espectro de atuação mais amplo e menos efeitos colaterais. Estudos adicionais devem ser realizados utilizando diversas matrizes lácteas.

Referências

Ayyash, M. et al. (2018). In vitro investigation of anticancer and ACE-inhibiting activity, α-amylase and α-glucosidase inhibition, and antioxidant activity of camel milk fermented with camel milk probiotic: A comparative study with fermented bovine milk. Food Chemistry, 259, 588-597

CHAMPAGNE, C. P., DA CRUZ, A. G., DAGA, M. Strategies to improve the functionality of probiotics in supplements and foods. Current Opinion in Food Science, v. 22, p. 160-166.

GOMAND, F., BORGES, F., BURGAIN, J. et al. Food matrix design for effective lactic acid bacteria delivery. Annual Review of Food Science and Technology, v.10, p. 285-310, 2019.

GROSS, J. L., FERREIRA, S. R., & OLIVEIRA, J. E. D. Glicemia pós-prandial. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia e Metabologia, v. 47, p. 728-738, 2003.

GROM. L.C. et al. (2020) Postprandial glycemia in healthy subjects: Which probiotic dairy food is more adequate?. Journal of Dairy Science, in press. Doi: 10.3168/jds.2019-17401

HILL, C., GUARNER, F., REID, G., et al. The International Scientific Association for Probiotics and Prebiotics consensus statement on the scope and appropriate use of the term probiotic. Nature Reviews Gastroenterology & Hepatology, v.11, p. 506-514, 2014.

HORNER, K., DRUMMOND, E., BRENNAN, L. Bioavailability of milk protein-derived bioactive peptides: a glycaemic management perspective. Nutrition Research Reviews, v. 29, p. 91-101, 2016.

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JOÃO BELINE XAVIER

LIMA DUARTE - MINAS GERAIS

EM 13/04/2020

Como nutricionista deparo com im dilema. Pois no meio academico o leite é visto como o bichinho feio do momento . Pois muitos colegas o considera o alimento mais alergênico da atualidade seja no consumo in natura e ou de seus derivados. Discreta defesa ao leites e derivados de búfalas. Mas nesta epidemia de diabetes ter um produto alimenticio de alto valor biológico rico em probioticos com certeza me ajudará muito no plano dietoterápico dos clientes diabeticos portadores ou não de disbiose. Vejo neste estudo um possibilidade real de mudar de patamar a imagem nociva do leite bovino. Parabéns.!!!