A demanda por esses produtos disparou nos últimos anos, à medida que os consumidores adotam alimentos e bebidas com alto teor de proteína, desde iogurtes do dia a dia e shakes prontos para beber até produtos premium de nutrição esportiva, impulsionada pelo crescente interesse em saúde, bem-estar e estilos de vida ativos. Esse crescimento rápido contraiu a oferta, com alguns processadores relatando carteiras de pedidos cheias com meses de antecedência e compradores competindo para garantir volumes em um mercado cada vez mais limitado.
Os participantes do setor estão investindo na expansão de fábricas e em melhorias de eficiência para liberar volumes adicionais, mas tais projetos podem levar anos para se tornarem operacionais. No entanto, segundo Rachel McGinness, líder do programa de RD&E (Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia) na Ecolab, os processadores de soro de leite podem extrair mais capacidade dos sistemas de membranas existentes, dos ciclos de higienização no local (CIP ou clean-in-place), pasteurizadores e secadores. “A maioria dos clientes tem limitação de capacidade, especialmente em instalações mais antigas onde os sistemas de membranas foram instalados anos atrás”, diz ela. “No comissionamento (fase de testes e entrega), eles podiam estar operando a 60% da capacidade. Hoje, muitos estão operando esses sistemas em capacidade máxima. Mas a área de superfície que podemos usar para filtrar e concentrar essa proteína é limitada.”
Quando se trata do processamento de ingredientes de proteína de soro de leite altamente concentrados, não são apenas as membranas que fazem o trabalho. “Para produzir WPC80 ou WPI90, os processadores normalmente precisam de um processo de evaporador-secador e também devem pasteurizar essa proteína. Portanto, mesmo que economizemos tempo no sistema de membranas, ainda podemos ter um gargalo na etapa do pasteurizador ou do evaporador.”
Atrasos na cadeia de processamento podem resultar em oportunidades perdidas, o que é preocupante para um setor que já enfrenta recursos escassos. “A maioria das fábricas funciona 24 horas por dia, então estamos falando de mais de 20 horas de operação nos sistemas de membranas e em outros equipamentos”, afirma McGinness.
Como os processadores de soro de leite podem aumentar a capacidade sem expandir a fábrica
Os protocolos de CIP, portanto, devem fazer parte do processo de produção. “Se não limparmos bem, não vamos operar bem”, acrescenta ela. “Especificamente com as membranas, são sistemas hidráulicos: quando a pressão atinge um certo ponto, você precisa limpar.”
Melhorar as práticas de limpeza pode economizar tempo e aumentar a eficiência da produção. “Temos visto economias de tempo que variam de 15 minutos por CIP até 45 minutos por CIP”. Quando você soma tudo isso em linhas com capacidade limitada, percebe-se centenas de horas de economia de tempo que os clientes podem reverter em produção, conseguindo processar mais soro de leite ao longo do ano. Mesmo que você consiga otimizar apenas 15 minutos, isso pode ser enorme em uma linha que você pode liberar 15 minutos mais rápido, especialmente se for um sistema grande com um fluxo de volume significativo entrando. E se conseguir encontrar tempo adicional — digamos, recuperar 45 minutos —, isso também pode garantir ao cliente um tanque extra de queijo.”
A principal lição aqui é parar de tratar o CIP como tempo de inatividade (tempo ocioso) e passar a vê-lo como parte integrada do processo de produção.
Como a IA e ferramentas digitais podem melhorar a eficiência do processamento de soro de leite
Segundo McGinness, tecnologias emergentes podem ajudar significativamente a liberar eficiências nos sistemas existentes. Ferramentas de monitoramento e inteligência artificial (IA) já estão fazendo a diferença ao eliminar a necessidade de registros de limpeza feitos manualmente, disse ela. “Os insights digitais e a IA estão tornando visíveis os dados de cada CIP e ciclo de produção, permitindo-nos gerar insights valiosos e ajudar os clientes a tomar ações diretas. Antigamente, era preciso vasculhar dias ou semanas de registros de produção e de CIP apenas para identificar uma tendência. Pode levar horas para encontrar um problema e, a essa altura, você já teria perdido tempo de produção. O acesso aos dados permite que os processadores ajam antecipadamente e prevejam como será a próxima lavagem.”
No entanto, a adoção da tecnologia digital ainda não é tão difundida no setor — pelo menos por enquanto. “Provavelmente estamos neste meio-termo, onde alguns processadores estão muito interessados em adotar essa tecnologia digital e ansiosos para usar a IA, enquanto outros ainda dependem de registros e procedimentos manuais.”
Para aqueles que já utilizam sistemas de monitoramento para coletar e analisar dados, o salto para a IA não é tão grande — e, de fato, pode ser um próximo investimento muito vantajoso se o objetivo for aumentar a eficiência. “Se os dados já estão lá e é apenas uma questão de integrar e aproveitar parte das funcionalidades de IA, acredito que, sob a ótica da relação custo-benefício, faz todo o sentido.”
Artigo escrito por Teodora Lyubomirova do Dairy Reporter, traduzido e adaptado pela equipe MilkPoint.
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