Santa Vitória une leite de excelência, iogurte em vidro e clube de assinaturas

Aos pés da Serra da Mantiqueira, em Queluz (SP), uma fazenda tradicional do Vale do Paraíba vem escrevendo uma nova página na história dos queijos paulistas. Fundada em 2022, a Queijaria Santa Vitória nasceu com uma convicção simples, mas que orienta cada decisão do negócio: queijo bom só se faz com leite bom.

Publicado em: - 5 minutos de leitura

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Aos pés da Serra da Mantiqueira, em Queluz (SP), uma fazenda tradicional do Vale do Paraíba vem escrevendo uma nova página na história dos queijos paulistas. Fundada em 2022, a Queijaria Santa Vitória nasceu com uma convicção simples, mas que orienta cada decisão do negócio: queijo bom só se faz com leite bom.

Instalada na centenária Fazenda Santa Vitória, reconhecida pela excelência leiteira, a queijaria produz queijos frescos e maturados, manteigas e iogurtes utilizando exclusivamente o leite do próprio rebanho formado por vacas das raças Girolando e Jersey.

Figura 1

Em pouco tempo, a marca conquistou espaço entre consumidores exigentes, recebeu premiações nacionais e internacionais e entrou para a história ao se tornar a primeira queijaria paulista a obter o selo Sisp Artesanal. Mas, para seus fundadores, Carlos Cunha e Fabia Raquel, o reconhecimento é consequência de um trabalho que começa muito antes da fabricação dos queijos.

A qualidade nasce no campo

"Queijo bom só se faz com leite bom, porque o leite é a essência de tudo. Ele é a principal matéria-prima e é nele que começa a identidade do produto", afirmam os sócios.

Por isso, o trabalho da queijaria começa na fazenda. O cuidado diário envolve bem-estar animal, alimentação balanceada durante todo o ano, sanidade do rebanho, ordenha em sistema fechado e monitoramento constante da qualidade do leite.

Figura 2

As vacas contam com áreas cobertas para descanso e manejo pensado para minimizar o estresse. O objetivo é garantir que o leite chegue à queijaria nas melhores condições possíveis. "O leite é uma matéria-prima viva, que responde ao clima, ao manejo, à alimentação e ao ambiente. Estar aos pés da Serra da Mantiqueira, com um terroir tão privilegiado, também faz parte dessa construção. Nosso desafio diário é transformar essa excelência em consistência, respeitando aquilo que a natureza entrega."

A localização da propriedade contribui para essa identidade. Além do clima favorável, a região reúne tradição leiteira, características ambientais singulares e uma forte conexão com a produção de alimentos de origem.

Segurança alimentar sem abrir mão da identidade

Em um cenário em que o debate sobre leite cru e leite pasteurizado frequentemente divide opiniões, a Santa Vitória escolheu um caminho claro: produzir seus queijos a partir de leite pasteurizado. Segundo os proprietários, trata-se de uma decisão baseada em critérios técnicos e em uma visão moderna da produção artesanal.

"A escolha pelo leite pasteurizado é uma decisão técnica muito consciente. Trabalhamos com um processo extremamente controlado, que garante a inocuidade do produto e a segurança alimentar, sem comprometer aquilo que mais importa, que são as características sensoriais do leite e, consequentemente, dos nossos queijos."

Figura 3

Após a recepção e análise da matéria-prima, o leite recebe culturas lácteas selecionadas para alcançar resultados específicos de aroma, sabor e textura. Em seguida, os queijos seguem para salas de maturação cuidadosamente controladas, onde cada produto encontra as condições ideais para desenvolver suas características.

"Existe uma ideia de que segurança e personalidade não caminham juntas, mas acreditamos justamente no contrário. A identidade de um queijo vem da qualidade da matéria-prima, do terroir, das culturas utilizadas, da técnica e da maturação."

O processo é acompanhado por controles de qualidade realizados em diferentes etapas e setores da fazenda, garantindo rastreabilidade e consistência.

Figura 4

Mais do que queijo: uma experiência de marca

O cuidado com a identidade não está apenas nos produtos, mas também na forma como eles são apresentados ao consumidor. Além dos queijos maturados e frescos, a Santa Vitória produz manteigas e um iogurte artesanal em vidro que se tornou um dos símbolos da marca. "Nosso maior diferencial talvez esteja na coerência entre produto, origem e propósito. Tudo nasce da mesma matéria-prima de altíssima qualidade e da vontade de criar alimentos com identidade real, sem atalhos."

Figura 5

Para os fundadores, o iogurte em vidro carrega um significado especial. "Existe ali um resgate de memórias, de um tempo em que o alimento tinha mais permanência, mais ritual e mais vínculo com a casa e com a mesa." A embalagem faz parte dessa proposta de valor, unindo tradição, sustentabilidade e sofisticação sem perder a autenticidade. A experiência também se estende para além dos produtos. 

A fazenda recebe visitantes para degustações guiadas e oferece um clube de assinatura que entrega mensalmente uma seleção exclusiva de queijos e derivados. Os planos Harmonia, Degustação e Essência buscam aproximar consumidores da diversidade do portfólio e criar uma relação contínua com a marca.

Crescimento com propósito

O reconhecimento conquistado nos últimos anos ajudou a abrir portas em mercados estratégicos. Atualmente, os produtos da queijaria são comercializados em todo o Brasil por meio da loja online e de parceiros especializados.

Entre eles está a tradicional Casa Santa Luzia, referência nacional em produtos gourmet e de alta gastronomia. "Estar em uma vitrine como a Casa Santa Luzia tem um peso muito importante porque conecta a marca a um público extremamente exigente, que valoriza origem, qualidade e curadoria."

Para os sócios, mais do que um canal de vendas, espaços como esse ajudam a fortalecer a reputação construída pela marca. "Isso ajuda a contar a nossa história para consumidores que realmente se interessam por produto, procedência e experiência." A expansão, no entanto, segue uma lógica própria. "Nosso crescimento acontece com bastante critério, buscando parceiros que entendam e valorizem a proposta da marca."

O futuro do queijo paulista

Desde seu primeiro ano de atividade, a Queijaria Santa Vitória acumula premiações em concursos nacionais e internacionais. Soma ainda o Selo Arte, certificação que permite a comercialização de seus produtos em todo o território nacional. Apesar dos resultados expressivos, os fundadores preferem enxergar essas conquistas como etapas de uma jornada maior.

"Receber prêmios e ser pioneiros em alguns movimentos, como a conquista do primeiro selo Sisp Artesanal no estado, é algo que nos honra muito, mas enxergamos isso como consequência de um trabalho sério, não como ponto de chegada."

Na visão deles, a Santa Vitória faz parte de uma nova geração de produtores que está ajudando a reposicionar os queijos paulistas no cenário nacional. "A Queijaria Santa Vitória faz parte de uma nova geração do queijo paulista que tem ajudado a transformar esse mercado, e queremos continuar contribuindo para esse movimento."

Os próximos passos incluem ampliar a presença em mercados estratégicos, desenvolver novos produtos e fortalecer a marca como referência em queijos de alta qualidade.

Figura 6

Mas existe uma condição inegociável para esse crescimento. "Não acreditamos em escala a qualquer custo. A qualidade da matéria-prima, o cuidado técnico e a coerência com aquilo em que acreditamos precisam continuar sendo inegociáveis."

Uma filosofia que resume a essência da marca: crescer, mas sem perder a conexão com aquilo que a fez nascer — o leite, a fazenda e o compromisso de fazer bem-feito.

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Material escrito por:

Raquel Maria Cury Rodrigues

Raquel Maria Cury Rodrigues

Head do MilkPoint e Zootecnista pela UNESP de Botucatu

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