Além da muçarela: como a profissionalização das pizzarias está elevando os padrões para a indústria

Em celebração ao dia da pizza neste mês, apresentamos uma matéria especial sobre a transformação técnica que o setor vem atravessando e como isso impacta a produção de queijos no Brasil.

Publicado em: - 3 minutos de leitura

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As pizzarias estão se tornando mais exigentes em relação aos laticínios, buscando não apenas preços competitivos, mas também padronização e inovações. Em 2025, o setor abriu 4.109 novas unidades, refletindo um crescimento em qualidade e profissionalização. Pizzaiolos demandam queijos com características específicas, como derretimento e consistência. A inclusão de opções zero lactose e alternativas vegetais também é crescente. A parceria entre pizzarias e a indústria láctea é essencial para atender às exigências do mercado.
Em um mercado mais maduro e técnico, as pizzarias buscam nos laticínios não apenas preço, mas padronização rigorosa e inovações que acompanhem as novas tendências de consumo. Trata-se de um mercado que não está apenas crescendo em números, mas também em qualidade e maturidade profissional. Em 2025, o setor registrou a abertura de 4.109 novas unidades, um aumento de 6,26% em relação ao ano anterior, mas o dado mais revelador é a resiliência: este foi o ano com o menor número de encerramentos de estabelecimentos da década.

Essa nova fase de maturidade traz consigo um gestor muito mais atento aos detalhes técnicos dos insumos lácteos. Para Gustavo Cardomoni, presidente da Apubra (Associação das Pizzarias Unidas do Brasil), a exigência técnica tornou-se um pilar da operação moderna. Ele explica que "a profissionalização não acontece apenas na gestão financeira ou administrativa, ela também se reflete no conhecimento técnico dos ingredientes". Atualmente, o empresário do setor busca compreender profundamente o comportamento dos queijos que utiliza, analisando critérios rigorosos que vão desde o sabor até a eficiência operacional e a satisfação do cliente.

A indústria de laticínios, portanto, passa a ser avaliada por atributos funcionais específicos. Os pizzaiolos buscam queijos que apresentem um derretimento perfeito, rendimento superior e, acima de tudo, padronização em relação ao teor de gordura e à liberação de óleo ou umidade durante o forneamento. Cardomoni observa que "além disso, muitos procuram orientação diretamente com os fabricantes para obter o melhor desempenho possível dos produtos. Também cresce o interesse por soluções que permitam manter a qualidade com melhor eficiência de custos, sempre por meio de testes e conhecimento técnico".

A padronização constante ao longo de todo o ano é apontada como um dos maiores diferenciais competitivos para um fornecedor de laticínios. Como a produção de leite é sazonal, é comum que os queijos apresentem variações de textura e sabor em diferentes épocas, o que pode ser prejudicial para a fidelização do cliente final. Gustavo ressalta que "um cliente percebe quando a pizza muda de sabor, textura ou rendimento", e que as indústrias capazes de garantir um padrão consistente oferecem a segurança necessária para que o pizzaiolo não precise readaptar suas receitas constantemente.

Além da funcionalidade técnica, a diferenciação gastronômica tem aberto portas para queijos que antes eram considerados de nicho. Existe um movimento crescente de pizzarias artesanais e premium que investem em queijos especiais, regionais e com denominação de origem, como os queijos da Canastra ou do Marajó. O presidente da Apubra afirma que, embora a muçarela lidere, cresce a demanda por ingredientes que agreguem valor e identidade ao produto final, como blends exclusivos que permitem que cada pizzaria crie uma assinatura sensorial única no mercado.

Outra tendência que a indústria láctea deve monitorar de perto é a necessidade de inclusão alimentar nos cardápios. O mercado de produtos zero lactose e alternativas vegetais, embora ainda seja um nicho, tornou-se essencial para a tomada de decisão em grupos de consumidores. Segundo o presidente da Apubra, "muitas vezes, basta que uma pessoa da mesa tenha restrição alimentar para definir onde todos irão consumir", o que torna a oferta de opções sem lactose um fator de ampliação do potencial de atendimento da pizzaria.

Diante deste cenário, a mensagem do setor de pizzarias para a cadeia láctea é clara: a parceria entre ambos se fortalece através da previsibilidade e da estabilidade. O futuro do mercado aponta para exigências cada vez maiores de profissionalização e eficiência operacional, onde a informação estratégica e o conhecimento técnico dos insumos serão os grandes divisores entre o sucesso e a estagnação. Para a indústria de queijos, acompanhar essa evolução não é mais apenas uma opção, mas uma vantagem competitiva fundamental para liderar o fornecimento para as mais de 40 mil pizzarias brasileiras.

Estatísticas retiradas do estudo sobre mercado de pizzas da Apubra.

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Material escrito por:

Maria Alice Trevizam

Maria Alice Trevizam

Editora de Conteúdo Jr. no MilkPoint e Jornalista pela PUC Campinas

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