Clima frio e sazonalidade impulsionam vendas de queijos no meio do ano, destaca ABIQ

Com a chegada das estações mais frias do ano, o comportamento do consumidor brasileiro passa por uma transformação clássica que aquece o mercado de laticínios. Historicamente, o período de inverno registra um aumento de 15% a 20% no consumo de queijos finos e especialidades, segundo a ABIQ.

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Com a chegada do inverno, o consumo de queijos finos no Brasil aumenta de 15% a 20%, impulsionado pela permanência em casa e receitas reconfortantes. A ABIQ prevê um crescimento moderado de 2% no setor devido à restrição orçamentária das famílias. Apesar do aperto financeiro, queijos especiais têm ganhado popularidade. A indústria precisa de planejamento rigoroso para atender à demanda, e a expectativa é de estabilidade na produção de leite, com margens de lucro pressionadas. A inovação e a funcionalidade são apostas para o futuro do setor.
Com a chegada das estações mais frias do ano, o comportamento do consumidor brasileiro passa por uma transformação clássica que aquece o mercado de laticínios. Historicamente, o período de inverno registra um aumento de 15% a 20% no consumo de queijos finos e especialidades, segundo a ABIQ (Associação Brasileira das Indústrias de Queijo).

Impacto do clima frio nas vendas de queijos

Esse fenômeno é impulsionado pelo fato das pessoas ficarem mais em casa, seja para receber amigos em noites de queijo e vinho ou para preparar receitas mais encorpadas e reconfortantes, durante os dias mais frios. Variedades como os queijos de mofo branco (Brie e Camembert), queijos azuis (Gorgonzola), além de Suíços, Provolones e Parmesão, assumem o papel de protagonistas nas mesas.

No entanto, o cenário econômico atual exige um otimismo cauteloso por parte da cadeia. Para este ano, a ABIQ prevê um avanço mais contido, estimando uma expectativa moderada de crescimento geral ao redor de 2%, reflexo direto do orçamento mais enxuto das famílias.

Apesar do cenário de relativo aperto financeiro, o mercado de queijos especiais vem conquistando um espaço sustentável que vai além do termômetro. Há uma fatia crescente de consumidores que consomem esses produtos independentemente da estação, motivada pela diversificação da oferta dos laticínios, pela curiosidade em experimentar novos sabores e pela forte exposição de alimentos a novos públicos nas mídias sociais.

Mesmo assim, esse segmento de especialidades, que engloba tipos como Gruyère, Emmental e os de mofo azul e branco, representa cerca de 6,5% do consumo total de queijos no Brasil. O lado positivo, segundo a ABIQ, é que este nicho ainda carrega um imenso potencial de crescimento a ser explorado pelas indústrias nacionais.

Dentro do calendário sazonal, o inverno consagra produtos específicos. A fondue, por exemplo, é vendida maciçamente nesta época, seja em versões prontas ou preparadas do modo tradicional a partir do derretimento de Emmental e Gruyère. Paralelamente, o Nordeste brasileiro vivencia uma tradição única com o Queijo do Reino durante as Festas Juninas, período que concentra perto de 65% do volume anual de vendas do produto, muito utilizado tanto na culinária local quanto no costume de presentear amigos e familiares.

Mas não são apenas os queijos nobres que ganham impulso. Tipos cotidianos como Prato, Minas Padrão, Gouda e a Mussarela registram alta nas vendas por serem ingredientes ideais para derreter, trazer cremosidade e gratinar sopas e sanduíches. Para incentivar o público, a ABIQ lançará novamente, no início de junho, seu tradicional Ebook de inverno com receitas que estimulam o uso de queijos nessa época do ano.

A logística por trás da tendência de consumo

Para garantir que as gôndolas estejam devidamente abastecidas quando o frio der as caras, a indústria láctea precisa operar com um planejamento milimétrico de longo prazo. A engenharia de produção começa meses antes do inverno, uma vez que o tempo de maturação de determinadas variedades exige previsões antecipadas nos orçamentos e na captação de matéria-prima.

De acordo com a ABIQ, "há queijos que precisam de 35 dias a 6 meses de maturação mínima, caso do parmesão, então, esse planejamento prévio é essencial para atender à demanda, com queijos de qualidade, adequadamente maturados". Esse desenho prévio evita o desabastecimento e assegura o padrão dos produtos no pico da procura.

Cenário do mercado de queijos em 2026

Olhando para o panorama macroeconômico do setor, a expectativa é de estabilidade na oferta de matéria-prima, embora sem recordes. A ABIQ projeta uma produção doméstica de leite ligeiramente maior do que a do período anterior, mas "sem a exuberância dos 8,2% de 2025". Na ausência de fatores climáticos extremos, como os impactos severos do fenômeno El Niño, os preços médios do leite devem se manter controlados, garantindo o abastecimento das fábricas.

Contudo, as margens de lucro das empresas devem permanecer pressionadas. Segundo a associação, "com a renda do consumidor apertada e a perspectiva de uma inflação maior também na produção, pelo menos com combustíveis e energia, vai ser um ano em que, provavelmente, a rentabilidade tenderá a continuar apertada".

Queijos como opção funcional

Diante de um mercado maduro e resiliente, o setor não projeta mudanças radicais nos tipos de queijos preferidos do brasileiro, mantendo a liderança dos produtos cotidianos. A grande aposta para o futuro próximo reside na inovação e na funcionalidade.

As indústrias buscam se apropriar da tendência global de busca por maior aporte proteico na alimentação diária. A ABIQ reforça essa tendência, pontuando: "cremos que isso se intensificará no curto prazo reforçando a vocação dos queijos como excelente fonte proteica natural". Assim, o caminho para o crescimento do setor deve aliar a conveniência de produtos fracionados e fatiados com novas formas de consumo fora do lar e opções enriquecidas com proteínas.

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Material escrito por:

Maria Alice Trevizam

Maria Alice Trevizam

Editora de Conteúdo Jr. no MilkPoint e Jornalista pela PUC Campinas

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