Em categorias consideradas básicas, como os laticínios, o crescimento vem sendo impulsionado não apenas pelo volume, mas principalmente pelo valor agregado. Ingredientes premium à base de soro de leite e substitutos de refeição, por exemplo, ganham espaço à medida que as empresas buscam novas formas de se diferenciar, seja por meio de inovação própria ou de investimentos complementares.
Nesse cenário, manter-se à frente da concorrência nem sempre exige grandes mudanças estruturais ou reformulações de portfólio. Muitas vezes, despertar o entusiasmo do consumidor pode ser tão simples quanto inovar na textura e criar produtos que entreguem uma experiência sensorial diferenciada — e que justifiquem um posicionamento premium.
Por que a textura importa?
No universo dos laticínios, a textura é um dos principais indicadores de qualidade e prazer. Termos como "cremosamente decadente", "super macio" e "sedoso" são amplamente utilizados pelas marcas para comunicar experiências sensoriais superiores e reforçar a percepção de valor dos produtos.
Mas a promessa feita na embalagem só funciona quando é confirmada na prática. Se a experiência decepciona, o discurso perde força. Por outro lado, quando a textura atende ou supera as expectativas, ela pode deixar uma impressão positiva duradoura, mesmo em marcas recém-chegadas ao mercado.
Um exemplo é a marca americana de sorvetes probióticos Alec's Ice Cream e sua linha Culture Cup. A trajetória da empresa e sua expansão poderiam ter sido mais difíceis sem um elemento-chave: a espessa camada de chocolate que cobre seus produtos.
Para chegar ao sorvete, os consumidores precisam literalmente "quebrar" a casca de chocolate. O simples ato cria uma experiência interativa que gera expectativa, desperta emoções e transforma um lanche comum em um momento mais divertido e memorável.
Suavidade, cremosidade e densidade em destaque
Nos laticínios, a textura está diretamente ligada ao prazer de consumo. Características como riqueza, suavidade, leveza e consistência desempenham papel importante em praticamente todas as categorias e formatos de produtos. Alguns segmentos tradicionais, como queijo cottage e cream cheese, vêm sendo revitalizados justamente por meio da inovação textural.
No Reino Unido, por exemplo, as marcas Alterego e All Things Dairy conquistaram espaço no mercado de queijo cottage ao oferecer produtos com textura mais densa e cremosa do que muitas alternativas de marcas próprias. O resultado não foi apenas uma experiência superior para o consumidor, mas também uma ampliação das ocasiões de consumo, tornando os produtos adequados tanto para lanches quanto para o preparo de refeições.
Crocância, alongamento e espuma
A textura continua a moldar a inovação no desenvolvimento de produtos. Para algumas marcas, a crocância é o que importa. A gigante dos sorvetes Häagen-Dazs, por exemplo, expandiu recentemente sua linha de picolés com novos sabores e, ao mesmo tempo, aprimorou a textura, formulando uma cobertura de chocolate mais espessa com mais nozes e pedaços.
Já no universo dos queijos, a inovação também ganha destaque. A marca Président, da Lactalis, busca preencher um nicho em uma categoria que viu pouca inovação ao longo dos anos. O Cream Cheese Batido da marca oferece uma textura leve e cremosa que não é igualada pelos queijos cremosos tradicionais disponíveis no Reino Unido. A versatilidade é, mais uma vez, um ponto forte – o Cream Cheese Batido é perfeito para lanches, encontros com amigos e para o preparo de refeições.
O queijo também pode surpreender e encantar muito além da sua capacidade de derreter e esticar. As Burrata Minis da Galbani são um exemplo de como a muçarela premium pode se destacar no universo dos snacks. As mini bolas de queijo escondem um recheio cremoso e macio, combinando inovação no formato das porções com uma textura irresistível.
Assim, a textura continua a moldar a inovação em todo o setor de laticínios e alternativas lácteas, com as marcas seguindo para enfrentar desafios já conhecidos e, ao mesmo tempo, buscando soluções criativas para gerar entusiasmo em categorias que, durante anos, ficaram para trás.
Artigo escrito por Teodora Lyubomirova, do Dairy Reporter, resumido pela Equipe MilkPoint.
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