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Emissões atmosféricas na indústria de laticínios, como tratar?

INDÚSTRIA

EM 21/05/2020

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Luiz Antônio Rocha, Simone Lorena Quiterio de Souza e Lilian Bechara Elabras Veiga
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ), Departamento de Alimentos

Diversos são os produtos gerados na indústria de laticínios, com alta relevância social e econômica. Contudo é encarregada de um elevado consumo de recursos naturais e por gerar significativos impactos ao meio ambiente, devido a grande geração de resíduos, efluentes e emissões atmosféricas no processo produtivo. Diante disto, a indústria de laticínios precisa buscar novos insumos e novas tecnologias capazes de melhorar e otimizar o processo produtivo, tornando-a sustentável, com baixo custo e garantindo a competitividade. Com esse enfoque os resultados serão: melhor desempenho ambiental, econômico e social da indústria.

As emissões atmosféricas na indústria de laticínios originam-se principalmente da emissão de gases (CO, NOX e SOX) e material particulado (MP) devido a queima de combustíveis (lenha, óleo ou gás natural) para gerar vapor em caldeiras. O vapor gerado em fases do processo produtivo, como a pasteurização do leite e a fabricação de queijos, é utilizado na limpeza e desinfecção de pisos. A queima de combustíveis gera SO2, CO, hidrocarbonetos, NOx e MP, embora a lenha emita também ácido acético, metanol, acetona, acetaldeído e alcatrão.

Outras emissões comuns na indústria de laticínios: vazamentos nos tubos de refrigeração (gases refrigerantes); vazamentos de vapor, de ar quente e MP do evaporador de leite; vapores das torres de resfriamento; uso de peróxido de hidrogênio para esterilização das folhas de alumínio (máquinas Tetra Pak) e odores.

Diante do exposto, a fim de controlar e mitigar as emissões é necessária a aplicação de medidas de controle indiretas e diretas. As medidas de controle indiretas são efetuadas no processo produtivo, sendo preventivas e integradas ao processo, produto e serviço. Tem-se como exemplos: mudança de matéria prima; aprimoramento dos processos; boa operação e manutenção adequada dos equipamentos; armazenamento adequado de materiais pulverulentos; modificação de processos, equipamentos e operações; substituição de combustíveis; controle operacional apropriado e qualificação dos operadores, objetivando a prevenção quanto ao escape ou formação de poluentes.

A fim de alterar a qualidade e reduzir a quantidade de poluentes lançados na atmosfera são adotadas medidas de controle diretas: instalação de equipamentos de controle das emissões. Dentre eles para controle de MP tem-se os seguintes equipamentos: câmara gravitacional, coletor inercial, coletor ciclônico, filtros de manga, precipitador eletroestático e lavadores ou coletores úmidos, estes também retêm gases. Outros processos utilizados para controle de emissões de gases: adsorção num sólido poroso e destruição térmica. Destaca-se que em geral, mais de um equipamento de controle deve ser associado pois geralmente os poluentes são de natureza variada, garantindo assim uma maior eficiência de coleta dos poluentes gasosos e do MP gerado. De forma breve, será apresentado os princípios e eficiência dos equipamentos mais comuns na indústria de laticínios, os multi coletores ciclônicos e os lavadores.

No coletor ciclônico o princípio de separação está fundamentado na força centrífuga. Esta força as partículas em alta velocidade e num movimento helicoidal contra a parede da câmara cilíndrica, pausando o movimento, fazendo-as cair e serem coletadas. Tem uma eficiência de 90% de coleta e retêm partículas na faixa de 5-10 micrômetros. Entretanto, tal eficiência depende do tamanho do ciclone. Os ciclones de grande diâmetro têm boa eficiência de coleta para partículas de 40-50 micrômetros; de diâmetro médio, possuem boas eficiências para partículas de 15-20 micrômetros e os de menor diâmetro, são em geral, utilizados para tratar grandes vazões, sendo necessário colocar ciclones múltiplos.

Os lavadores ou coletores úmidos estão baseados no processo de absorção ou lavagem (percolação e aspersão), onde o MP e a mistura gasosa (soluto) recebem um spray de um absorvente líquido (solvente). Os poluentes são removidos, tratados ou modificados pelo líquido absorvente. Apresentam uma eficiência de 90%, removendo partículas na faixa de 5 a 10 micrômetros. Uma variação, é o lavador venturi, que apresenta uma garganta venturi, onde ocorre a aceleração do gás pela diminuição da seção de área, aumentando o contato gás-líquido. Retém MP na faixa de 0,5 a 5 micrômetros e gases solúveis. A grande desvantagem é a geração de efluente líquido e lodo de MP.  

Enfim, nas indústrias de laticínios, no seu processo industrial, geram diversos e variados impactos ambientais, sendo importante monitorá-los e minimizá-los através de medidas de controle, como as técnicas de tratamentos apresentadas neste artigo. Cabe também a fim de alcançar uma produção eficiente, econômica e com menor impacto ambiental a utilização de instrumentos de gestão ambiental como: a produção mais limpa (P+L), a ecoeficiência, a avaliação do ciclo de vida (ACV), o Ecodesign e a rotulagem ambiental dos produtos

Referências

BRAGA, B.; HESPANHOL, I.; CONEJO, J.; MIERZWA, J.; BARROS, M.; SPENCER, M.; PORTO, M.; NUCCI, N.; JULIANO, N.; EIGER, S. Introdução à Engenharia Ambiental. 2ed. São Paulo: Ed. Prentice Hall, 2005.

DAVIS, M.L.; MASTEN, S.J. Princípios de Engenharia Ambiental. 3ed. Rio de Janeiro: McGraw Hill Brasil, 2016.

ELABRAS-VEIGA, L.B.; SOUZA, S.L.Q. Inovações e avanços em Ciência e Tecnologia de leite e derivados In: Gestão Ambiental no processamento de leite e derivados.1 ed. São Paulo: Setembro, v.1, p. 69-112, 2019.

FEAM. Fundação Estadual do Meio Ambiente. Plano de ação para adequação ambiental das indústrias de recepção e preparação de leite e fabricação de produtos de laticínios no Estado de Minas Gerais: relatório final / Gerência de Produção Sustentável. 2011.

RABELO, W.A.; AMARAL, A.E. Implantação de um Sistema de Gestão Ambiental em uma Indústria de Laticínios, baseado requisitos da NBR – ISO 14000. In: Anais do Congresso Brasileiro de Gestão Ambiental e Sustentabilidade. v.2, 2014. ISSN 2318-7603.

SANTOS JÚNIOR, H.C.M. Avaliação dos impactos ambientais no ciclo de vida de produtos lácteos. Dissertação (Mestrado). Programa de Pós-Graduação da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. 78p. 2016

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