Andando sobre gelo fino
Sob efeito da pandemia de coronavírus, o mercado lácteo já se viu em três momentos distintos até agora. O que esperar dos próximos meses?
Sob efeito da pandemia de coronavírus, o mercado lácteo já se viu em três momentos distintos até agora. O que esperar dos próximos meses?
A crise econômica decorrente da pandemia é algo sem precedentes na história na humanidade. Bastaram 4 meses (até agora) para colocar o mundo de cabeça para baixo. Setores inteiros, de uma hora para outra, simplesmente pararam. Alguns poucos foram poupados (ainda) e, mais poucos ainda, foram beneficiados (por enquanto).
Março virou o mundo de cabeça para baixo. Tudo aquilo que tínhamos como certo de repente sumiu, desde compromissos pessoais, rotina e, claro, negócios.
Pelo vigésimo ano, o MilkPoint publicou o Levantamento Top 100, que estuda os 100 maiores produtores do país. A avaliação contínua desse grupo permite entender a dinâmica do chamado topo da pirâmide da produção de leite.
Que as pessoas precisarão comer, não resta dúvida. Mas os exemplos que abriram esse artigo nos fazem refletir: até que ponto os alimentos de laboratórios (ou vegetais turbinados) roubarão parte do mercado prometido para as proteínas animais convencionais? Estudo do Banco Barclays aponta que as carnes artificiais (vegetais ou animais) terão 10% de mercado até 2030, o equivalente a US$ 140 bilhões/ano. É uma enormidade, mas 90% do mercado ainda será convencional.
É compreensível que qualquer pessoa que atue no setor fique revoltada. Não é fácil ver leviandades sendo faladas a público, sem chance de defesa. Mas temos de aprender a conviver com essa realidade, e a resposta não é aquela que temos dado nestas ocasiões. Longe disso.
Em 2019, chegamos a um novo momento em que o tema vem à tona. É importante, porém, esclarecer o que de fato está sendo discutido nos fóruns apropriados para tal. Nesse sentido, o fórum representativo é a Câmara Setorial, órgão que reúne o setor privado e o representa perante o MAPA. É no âmbito da Câmara Setorial que a legislação é discutida e afinada, levando em conta a necessidade de evolução e as características atuais da produção de leite do país.
O Sul cresceu a uma média de 6,0% ao ano, contra 3,2% do Brasil como um todo. Retirando o Sul, as demais regiões cresceram apenas 2,2% ao ano. O Sul, portanto, não só cresceu quase 3 vezes mais do que o restante do Brasil, como foi responsável por quase 52% do acréscimo da produção do país no período.
Sempre que os preços do leite oscilam (principalmente para baixo, como agora), o setor é pródigo em apontar os vilões: a má organização da cadeia, o varejo, os laticínios, a baixa representatividade dos produtores em Brasília, a fiscalização e, claro, as importações de leite, este o vilão principal.
Mas, afinal, o que é ser agrodigital? Será que sou agrodigital? Boa pergunta! Ser agrodigital não é necessariamente usar freneticamente as diversas tecnologias que surgem a cada dia. Há um passo anterior - e mais relevante - que precisa ser seguido. O ponto de partida é compreender que há, sim, um processo intenso de mudanças ocorrendo. E que estamos ainda no começo desse processo, embora, como outro dia ouvi, "o trem já saiu da estação em direção ao futuro e já tem gente nele".
Apesar da sensibilidade dos dados - afinal preços de leite são um tema crítico para produtor e indústria - tivemos muito sucesso na iniciativa, chegando a monitorar quase 2 milhões de litros/dia, a partir de cerca de 1.000 produtores. No agregado, mais de 2.300 produtores usaram o MilkPoint Radar nesse período.
Esse é o tema da minha palestra no Interleite Sul (www.interleite.com.br/sul), que ocorrerá nos dias 9 e 10 de maio. É um tema difícil, espinhoso. O pior é que não posso sequer reclamar ao organizador que me conferiu a missão, porque, como sabem, sou eu mesmo. O fato é que não posso ou não devo me furtar de abordar temas que, embora delicados, são necessários. Essa é a razão de ser de nosso trabalho, desde o dia número 1, em 06/04/2000.
A maioria de nós conhece bem a importância socioeconômica do leite no Brasil, principalmente em função do número de pessoas envolvidas na atividade e do tamanho da cadeia, que movimenta mais de R$ 70 bilhões ao ano.
Seção Editorial: "A saída para os problemas do leite no Brasil é barrar ou limitar as importações. Esta, afinal, é a pauta que domina o setor desde que o MilkPoint começou, no ano 2000. Sem as famigeradas importações, a história do leite seria absolutamente diferente. Teríamos preços consistentemente mais altos e produtores e indústrias teriam lucros superiores. Mas...será mesmo?", por Marcelo Pereira de Carvalho, CEO da AgriPoint
Seção Editorial: "Um interessante estudo produzido pela consultoria Deloitte, em 2016, mostrou que, ao invés de valorizar principalmente preço, performance e sabor, os novos direcionadores de consumo envolviam cada vez mais transparência, cidadania corporativa, saúde e bem-estar e segurança. É uma mudança e tanto! Mais e mais, as pessoas estão buscando consumir de empresas que têm, efetivamente, um propósito maior do que lucrar e crescer", por Marcelo Pereira de Carvalho, Diretor Executivo da AgriPoint.
Editorial: "A enorme competência do agronegócio brasileiro termina quando o tema é dialogar com a sociedade. Esse é um problema histórico, agora potencializado em uma época em que cada cidadão é um formador de opinião. Não adianta comprar espaço na Globo e colocar o Antônio Fagundes falando bem do agronegócio. Esse mundo não existe mais!", por Marcelo Pereira de Carvalho, Diretor Executivo da AgriPoint.
Editorial: "E se, ao invés do aluno se matricular em cada curso, pudesse ter acesso a todos os cursos que temos, sempre que quisesse? E se, a cada mês, produzíssemos novos cursos de alta qualidade, com os melhores professores, de forma que o conteúdo se mantivesse sempre atrativo? E se, além dos cursos de estúdio, gravássemos cursos a campo, com especialistas e com produtores? E se o valor investido para ter acesso a todo esse portfólio representasse, por hora de curso, uma fração do que atualmente se paga? Por fim, e se esse serviço se ampliasse e se tornasse a maior plataforma de capacitação do agronegócio brasileiro?", por Marcelo Pereira de Carvalho, Diretor Executivo da AgriPoint.
Editorial: "Há alguma coisa estranha ocorrendo com a nossa atividade. Não estou falando da drástica queda de preços (após elevações recordes). O buraco é mais embaixo. Ou estamos passando por uma forte mudança estrutural, ou o leite está sob alerta no Brasil e ninguém discute isso, seja porque não temos dados concretos para embasar nossa análise, seja porque estas questões estruturais passam ao largo, já que o foco é sempre o problema atual que, hoje, é materializado nas importações de leite. Afinal, temos o costume de atacar os sintomas e não as causas. Vamos aos dados nus e crus. ", por Marcelo Pereira de Carvalho, Diretor Executivo da AgriPoint.
Seção Editorial: "O leite sempre foi uma atividade que aguentou desaforos técnicos e econômicos. Tentasse qualquer um produzir soja com os mesmos índices de eficiência proporcional que vemos no leite. Ou cana, ou algodão, ou frango. O que ocorreria? Sequer seriam cobertos os custos operacionais e a quebra seria líquida e certa. Já o leite sempre permitiu a exploração em um nível sub-ótimo de produtividade, com custos de oportunidade muito baixos (e, não raro, não cobertos pelos preços)", por Marcelo Pereira de Carvalho, Diretor Executivo da AgriPoint.
Seção Editorial: "Uma coisa é certa: não se pode dar qualquer chance ao azar. Hoje, com o advento das redes sociais, a velocidade de difusão das informações é muito maior (é quase que instantânea!) e o efeito de eventos como o descrito neste artigo pode ser muito maior do que o verificado há alguns anos, com prejuízos muito mais sérios às empresas envolvidas", por Marcelo Pereira de Carvalho, Diretor Executivo da AgriPoint.
Seção Editorial: "Em 2016, o Interleite ganha uma roupagem diferente e que representa bem a transformação pela qual passamos nesse período.
Seção Editorial: "Por que os dados oficiais não estariam corretos? (...) todos sabemos, temos um déficit de informações estatísticas que nos forçam a estimar os dados faltantes a partir de outras variáveis mais ou menos conhecidas", por Marcelo Pereira de Carvalho, Diretor Executivo da AgriPoint.
Seção Editorial: "Quais as razões para que uma atividade com tamanha importância e abrangência nacional, que gera milhões de empregos diretos, não tenha uma entidade nacional, com uma agenda moderna e que possa ser a interlocutora do setor?", por Marcelo Pereira de Carvalho, Diretor Executivo da AgriPoint.
"O processo de urbanização, o aumento da renda, a mudança de hábitos alimentares e o aumento populacional, confrontados com as restrições para a expansão da produção agrícola, a competição da terra com o uso não-alimentar, os problemas climáticos e o preço do petróleo, não deixavam dúvidas: os alimentos subiriam a novos patamares. Produzir comida seria, novamente, algo estratégico. As proteínas animais, incluindo o leite, tinham (e têm) papel relevante nessa nova realidade, porém, o que se viu desde 2007 foi uma volatilidade significativa dos preços das commodities - nosso exemplo aqui será evidentemente os lácteos. Sim, atingimos por algumas vezes patamares nunca antes vistos, mas retornamos em [...]", por Marcelo Pereira de Carvalho, Diretor Executivo da AgriPoint.