Gráfico 1: Captação mensal de leite - Brasil
Evolução da captação
Os dados do segundo trimestre reforçam o movimento de desaceleração do crescimento da oferta de leite já observado no início do ano. No segundo trimestre de 2026, a captação avançou apenas 1,0% na comparação anual, após ter crescido 10,2% no segundo trimestre de 2025. Movimento semelhante ocorreu no primeiro trimestre: o crescimento foi de 2,7% em 2026, frente à alta de 5,2% registrada no mesmo período de 2025.
Como resultado, a captação acumulada no primeiro semestre de 2026 cresceu 1,8% frente ao mesmo período do ano anterior, enquanto, no primeiro semestre de 2025, o avanço havia sido de 7,6% em relação a 2024. Os números mostram, portanto, que a captação permanece em trajetória de crescimento e em níveis historicamente elevados, mas com uma expansão consideravelmente mais moderada em 2026.
Gráfico 2: Variação anual da captação no segundo trimestre - Brasil
Entendendo a sazonalidade
Quando comparada ao primeiro trimestre de cada ano, a captação de leite apresenta um padrão recorrente de redução no segundo trimestre, refletindo a sazonalidade da produção leiteira brasileira. Em 2026, a captação recuou 2,5% na comparação com o primeiro trimestre, uma queda mais intensa do que a registrada em 2025, de apenas 0,9%.
Ainda assim, o movimento permanece consideravelmente mais brando do que o observado historicamente: com exceção de 2025, todos os demais anos da série apresentaram retrações superiores à registrada em 2026. Assim, embora a sazonalidade tenha sido mais forte neste ano, a redução da oferta entre o primeiro e o segundo trimestre ainda foi relativamente menor sob uma perspectiva histórica.
Gráfico 3: Variação da captação no segundo trimestre em relação ao primeiro trimestre
Desempenho mensal
No desempenho mensal, a captação apresentou crescimento nos três meses do trimestre na comparação com os mesmos períodos de 2025. Abril registrou o avanço mais expressivo, de 1,9%, enquanto maio e junho apresentaram variações mais moderadas, de 0,4% e 0,7%, respectivamente, indicando um ritmo de crescimento bastante próximo da estabilidade dos volumes do ano passado.
Tabela 1. Captação total mensal de leite no Brasil
Analisando a dinâmica ao longo do trimestre, observa-se um movimento sazonal já esperado para o período. Abril apresentou captação 3,0% inferior à de maio, enquanto maio ficou 0,6% acima de junho. Esse comportamento, com avanço em maio e leve recuo em junho, está alinhado ao padrão sazonal normalmente observado ao longo do segundo trimestre.
Análise estadual
Entre os estados, Minas Gerais manteve a liderança em volume captado, com 1,575 bilhão de litros no segundo trimestre de 2026, crescimento de 1,0% em relação ao segundo trimestre de 2025. Na sequência aparecem o Paraná, com 1,068 bilhão de litros (+4,9%), e o Rio Grande do Sul, com 867 milhões de litros (+5,4%).
Na análise regional, considerando primeiro a comparação trimestral (segundo trimestre de 2026 frente ao primeiro trimestre do mesmo ano), que ajuda a evidenciar os efeitos sazonais sobre a captação, o Sul apresentou leve recuo de 0,4%, enquanto o Sudeste registrou queda de 5,0%. As retrações também foram observadas no Centro-Oeste (-3,6%) e, de forma mais intensa, no Norte (-9,5%). O Nordeste foi a única região a apresentar crescimento no período, com avanço de 1,1%.
Já na comparação anual (segundo trimestre de 2026 frente ao mesmo período de 2025), o cenário foi diferente. O Sul, além de permanecer como a região de maior captação, com 2,781 bilhões de litros, apresentou crescimento de 4,2%. O Nordeste também avançou, com alta de 2,7%, enquanto o Sudeste, com 2,345 bilhões de litros, permaneceu praticamente estável. Em sentido contrário, Centro-Oeste e Norte registraram retrações de 7,2% e 7,0%, respectivamente.
Gráfico 4: Comparação da captação regionalizada
Rentabilidade melhora e favorece a atividade leiteira
Na comparação anual, a captação do segundo trimestre de 2026 avançou 1,0% frente ao mesmo período de 2025, ritmo significativamente inferior ao crescimento de 10,2% registrado no segundo trimestre do ano passado. A forte expansão observada em 2025 ocorreu após um período de maior rentabilidade da atividade no final de 2024, que ampliou os estímulos à produção nos primeiros meses de 2025. Em contrapartida, a redução das margens ao longo do final de 2025 enfraqueceu esse incentivo, contribuindo para a desaceleração do crescimento da captação observada no início de 2026.
Além dos efeitos sazonais, a rentabilidade segue sendo um importante direcionador da oferta de leite. Nesse sentido, a recuperação recente do RMCA (Receita Menos Custo de Alimentação) sinaliza uma melhora das condições econômicas para o produtor, o que tende a aumentar novamente a atratividade da atividade. Caso esse movimento se sustente, poderá contribuir para uma maior sustentação da produção nos próximos meses, embora os efeitos da melhora de rentabilidade sobre a oferta ocorram com alguma defasagem.
Gráfico 5: RMCA (rentabilidade menos custo alimentação)
O que podemos esperar para os próximos meses?
Para os próximos meses, a sazonalidade da produção, combinada à melhora recente da rentabilidade da atividade, tende a contribuir para a manutenção da captação em patamares elevados. A recuperação do RMCA aumenta os estímulos ao produtor, mas seus efeitos sobre a produção ocorrem com alguma defasagem. Dessa forma, o cenário aponta mais para uma sustentação da oferta do que para uma aceleração expressiva do crescimento da captação no curto prazo.
Ao mesmo tempo, as condições climáticas permanecem como um importante ponto de atenção. A possível intensificação do El Niño pode alterar o regime de chuvas e as condições de produção nas principais regiões leiteiras, influenciando tanto a disponibilidade de alimento quanto a resposta produtiva dos rebanhos.
Assim, embora a perspectiva de maior rentabilidade favoreça a atividade e ajude a sustentar os atuais níveis de produção, a intensidade do crescimento da oferta nos próximos meses deverá depender principalmente da evolução das condições climáticas e da resposta dos produtores à melhora das margens. O cenário-base, portanto, é de captação ainda elevada, porém estável ou com crescimento mais moderado do que o observado ao longo de 2025.
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