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Mercado de leite: é hora de discutir o problema certo

Sempre que os preços do leite oscilam (principalmente para baixo, como agora), o setor é pródigo em apontar os vilões: a má organização da cadeia, o varejo, os laticínios, a baixa representatividade dos produtores em Brasília, a fiscalização e, claro, as importações de leite, este o vilão principal.

Segundo o mantra comum, tudo isso e talvez mais um ou dois pontos são os responsáveis pela flutuação no preço do leite, a que chamamos de volatilidade. No intuito de contribuir com a discussão, é oportuno ir mais a fundo, evitando conclusões precipitadas que, no final das contas, podem apenas nos afastar de soluções que realmente são eficazes.

O primeiro ponto a se discutir: se a volatilidade é culpa de tudo isso que está aí, países com a cadeia mais organizada, que não importam leite e que têm uma rede de proteção bem mais robusta do que a nossa devem, por definição, ter menor volatilidade e produtores com uma vida bem mais fácil.

No intuito de comprovar a hipótese, fiz um exercício trivial. Comparei a dispersão dos preços mensais, em dólar, de janeiro de 2010 até outubro de 2018 em uma série de países, desde a Nova Zelândia, ícone da eficiência, exportadora e com uma cooperativa praticamente monopolista, até a Argentina, com tantos ou mais problemas do que nós. Os dados de Desvio Padrão, expressos em US$ por litro de leite, estão no gráfico 1. Um baixo desvio padrão indica que os pontos dos dados tendem a estar próximos da média ou do valor esperado. Um alto desvio padrão indica que os pontos dos dados estão espalhados por uma ampla gama de valores, resultando em maior volatilidade. No gráfico 2, mostro o Coeficiente de Variação, em %, que determina o desvio padrão em relação à média da amostra.

 

Uma rápida visita aos gráficos acima mostra que comprovar a nossa hipótese não vai ser tarefa fácil. Mesmo com todos os nossos problemas, não somos piores do que os outros nesse quesito. Os dados indicam que a volatilidade é uma característica do mercado global como um todo, pelo menos dos países que estão, em maior ou menor grau, a ele conectados (o Canadá, por exemplo, não conta – possui fortes barreiras para entrada de leite, não exporta e tem cotas internas de produção, evitando aumentos de oferta – e gerando altos custos que a sociedade local até então está disposta a pagar).

Vale comentar o caso da Nova Zelândia que, justamente por estar diretamente conectada ao mercado internacional, já que exporta quase a totalidade da produção, possui a maior volatilidade. Um aviso para aqueles que consideram que as exportações são a salvação da lavoura. Sim, elas são importantes e é louvável que o setor esteja se estruturando para exportar, mas é necessário alinhar as expectativas. O que as exportações farão é permitir que continuemos crescendo a produção, mas não melhorar a rentabilidade ou reduzir a volatilidade. O mercado internacional é, como nos mostra a Nova Zelândia, mais volátil do que o mercado brasileiro, sem contar que os preços médios são em geral inferiores aos nossos. Para ter exportações consistentes, temos que ter custos mais baixos – e o setor vem mostrando continuamente que, com preços baixos, não conseguimos produzir nem para o consumo interno.

Ainda, vale lembrar que, tanto os exportadores quanto aqueles com políticas públicas robustas de proteção verificam um ambiente de negócios em que há contínua saída de produtores da atividade. Engana-se quem pensa que estar nos Estados Unidos, Nova Zelândia ou Europa representa estar seguro, com altas margens e crescendo sempre. Os menos eficientes sempre deixam a atividade e a nota de corte é cada vez mais alta. Nada diferente do que temos aqui.

O que deveríamos estar discutindo hoje e não estamos

Diversos países e empresas estão discutindo hoje como lidar com a volatilidade, e não como evitá-la, já que isso incorreria em custos para a sociedade que são cada vez mais difíceis de empurrar.

Vejamos alguns exemplos.

Os Estados Unidos lançaram em 2011 um programa de proteção de margens ao produtor. Em situações catastróficas de margem (sendo a margem o preço do leite menos o preço de uma combinação de alimentos), o governo completa o valor. Mas essa situação catastrófica praticamente não ocorreu de lá para cá. A parte interessante é que o produtor pode fazer um seguro para valores ruins, mas que estejam acima desse gatilho. Desta forma, joga-se para o produtor a possibilidade de gerenciar melhor a rentabilidade da atividade. Isso não reduz a volatilidade do mercado em si, mas dá um instrumento adicional de gestão financeira.

Veja aqui artigos do MilkPoint sobre o tema:

Recentemente, a Fonterra, na Nova Zelândia, anunciou que vai introduzir uma nova ferramenta financeira para ajudar os produtores a terem mais certeza e precisão da remuneração que recebem pelo leite. Todos os produtores da Fonterra terão a oportunidade de participar mensalmente (exceto nos meses janeiro e fevereiro). O chamado Fixed Milk Price será referenciado ao NZX Milk Futures Market a uma taxa de serviços não superior a 10 centavos (6,88 centavos de dólar) por quilo de sólidos do leite, o que equivale a 0,84 centavos (0,57 centavos de dólar) por quilo de leite, inicialmente. Ao longo de uma estação, os produtores poderão fixar até 50% de sua produção estimada de leite por fazenda.

Veja a notícia completa aqui:

Até a Argentina, cheia de problemas, está caminhando nesse sentido. Na semana passada, lançou seu mercado futuro de lácteos, com 50.000 litros negociados no primeiro dia. A matéria publicada no MilkPoint diz que a cobertura funcionará como "uma ferramenta para minimizar o risco econômico gerado pela volatilidade dos preços".

Veja a noticia:

Estes países já entenderam que brigar com a volatilidade é uma luta inútil; melhor gerenciá-la. Que tal também olharmos para isso? Há alguns anos, o setor discutiu a criação de um mercado futuro de leite, mas o projeto não avançou. Já o seguro de margem nunca foi ventilado.

Parte do processo de profissionalização da atividade vai passar, em algum momento, por disponibilizar ferramentas para gerenciar o risco econômico da atividade. Isso vai envolver governo e laticínios, que podem ter um papel relevante nesse processo. Esse, aliás, será um dos temas principais do nosso Fórum MilkPoint Mercado 2019, que ocorrerá no dia 07 de agosto, às vésperas do Interleite Brasil.

MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

Engenheiro Agrônomo (ESALQ/USP), Mestre em Ciência Animal (ESALQ/USP), MBA Executivo Internacional (FIA/USP), diretor executivo da AgriPoint e coordenador do MilkPoint.

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EDSON JORGE BRAIDO

EM 14/01/2019

Minha opinião é que ninguém vê a sacanagem no leite longa vida na tal de ST. Tem varias empresas de fora de Sp a é obrigada a tirar a nota do estado que produz tira nota em Sp para fugir do ST gostaria de saber qual é a lei que autoriza fico no aguardo Edson 11 999 74 74 42 obrigado pela sua atencao??
EDSON JORGE BRAIDO

EM 14/01/2019

Estou no aguardo sobre ST Edson 11 9 99747442 obrigado
ANDRÉ GONÇALVES ANDRADE

ROLIM DE MOURA - RONDÔNIA - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 09/01/2019

Muito bom o tema levantado Marcelo. Como sempre vai de encontro aos problemas que o setor enfrenta.
O Jank fez uma consideração importante. Nossa volatilidade é decorrente do oposto que os demais países apresentados. É decorrente de uma flutuação ocorrida por excessiva valorização do leite em momentos de escassez interna. Como decorrência há abertura de oportunidades para importação a preços bem menores e consequentemente após um tempo a baixa de preços por ocorrer o processo inverso (produção interna + importação) geram excedentes que provocam baixas nos preços.
Penso que o problema central está no valor ótimo: preços que nosso consumidor está disposto a pagar e poder ter acesso aos produtos lácteos. Se partirmos dessa premissa, saberemos qual custo o nosso leite poderá ter, e quem não tiver competência para produzir dentro desses patamares, estará fadado a deixar a atividade, seja produtor individual, seja região produtora, ou coisa que o valha.
Mas ainda assim é um caminho (como o de discutir o lado da produção do produtor) igualmente complicado: não temos como controlar, mas temos como observar. Achar o ponto de equilíbrio desses valores não é tão complicado. Já equilibrá-lo é. Creio que, o que o amigo Sávio Santiago defende é exatamente isso. Crescer a produção dentro desse ótimo, criar excedentes para que internamente não haja mais tanta volatilidade, e cuidar de alocar esses excedentes (exportação), afim de não prejudicar nosso mercado. Equação difícil, mas não impossível.
Precisamos de muita proficiência que construir a várias mãos esse novo caminho!
Mãos a obra!
CLAUDIO NERY MARTINS

ACEGUÁ - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 09/01/2019

Parabéns, Marcelo, pelo artigo. Tive na NZ e pude comprovar a visão do empreendedor de leite de lá. Conhecem e administram a volatilidade dos preços, mantendo margens de compensação com reservas financeiras que garantem a estabilidade do negócio. Na verdade uma comparação com aquele mercado se torna difícil porque temos algumas diferenças marcantes em relação à intromissão do governo , muitas vezes pouco eficiente, nas variáveis do mercado. Diga-se , cargas impositivas pesadas nos insumos necessários para produção, acordos de comércio prejudiciais ao equilíbrio dos preços na cadeia leiteira entre países exportadores/importadores ou pressão facilitadora de importação para diminuir o valor da cesta básica.
As modificações que parecem que virão neste novo governo, podem deixar as coisas um pouco mais dependente da capacidade do produtor, o que vai funcionar, aí sim, como a linha de corte normal e justa, que realmente premia os mais eficientes.
CARLOS OTAVIO LACERDA

SÃO JOSÉ DOS CAMPOS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 08/01/2019

Já existe o mercado futuro de sólidos e manteiga nos USA(que eu conheço, talvez existam para outros produtos). Alguns operadores deste mercado, o Rabobank por exemplo, atuam no Brasil. Se viermos a exportar, o caminho para fixar preços em dólares já existe, como também mecanismos de proteção contra a variação do dólar. O desafio seria criar o mercado em reais
CARLOS OTAVIO LACERDA

SÃO JOSÉ DOS CAMPOS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 07/01/2019

Muito boa analise
LUÍS OTÁVIO DA COSTA DE LIMA

CRUZ ALTA - RIO GRANDE DO SUL - PESQUISA/ENSINO

EM 07/01/2019

Excelente Marcelo! Artigo pontual desde o título: realmente é necessário discutir os reais gargalos, e canalizar as energias na busca de soluções.. Queremos trancar a importação, mas preparar um nobre terreno para exportação (via de mão única não existe!), e ainda agravando o quadro quando imaginamos que isto irá rentabilizar a atividade... Abrir a fronteira é o futuro, mas obviamente depois de feito nosso dever como país, dando competitividade ao produtor..
Entendo também que nosso modelo atual está ultrapassado: produtor investe sem um "norte verdadeiro", a indústria é obrigada a adquirir o leite e fazer estoques (muitas vezes a um custo elevado em função de concorrência no campo) e ambos não rentabilizam o processo...
Sem dúvidas tu chegou ao ponto: nosso desafio é criar ferramentas para trabalhar na volatilidade, e não seguir na queda de braço de eliminá-la, até porque esta já viemos perdendo a muito tempo...
MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

PIRACICABA - SÃO PAULO

EM 07/01/2019

Obrigado Luís Otávio! Concordo com seu complemento. Estamos falando de melhor coordenação na cadeia produtiva, o que normalmente soa como um termo bonito, mas na prática difícil de ser feita. Instrumentos para trabalhar melhor a previsibilidade, ainda que em um horizonte de alguns meses, vão nesse caminho.
OSMAR REDIN

PORTO ALEGRE - RIO GRANDE DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 07/01/2019

Parabéns Marcelo, pelo excelente artigo. Com análise isenta sobre os problemas que enfrentamos na cadeia láctea.
Adiciona-se aí nossa desorganização e o difícil exercício de empatia dentro da cadeia. Temos que nos desarmar de nossas brigas dentro dos elos da cadeia. Sem uma uniformidade vamos estar sempre vulneráveis às oscilações do mercado. E quem paga a conta no final é o produtor!
MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

PIRACICABA - SÃO PAULO

EM 07/01/2019

Obrigado Redin! Acredito que, no final, tanto produtor quanto indústria pagam a conta. As margens das indústrias têm sido também um desafio.
MARCELO GARCEZ LOBO

ITATINGA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 07/01/2019

Houve época que havia a cota de leite, onde cada produtor estabelecia sua cota junto ao laticínio. O leite cota tinha preço melhor que o extra cota. Isto fazia com o produtor "ajustasse" sua produção ao longo do ano, programando e adequando seu rebanho buscando diminuir a sazonalidade de sua produção . Este sistema de cotas combinado com contrato entre produtor e laticínio poderia, a meu ver, ajudar os envolvidos na atividade leiteira. O que vcs acham ?
MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

PIRACICABA - SÃO PAULO

EM 07/01/2019

Marcelo, interessante você ter levantado esse ponto. Vamos procurar racionalizar em cima dele e, quem sabe, abordar este tema em um próximo artigo!
MURILO ROMULO CARVALHO

PESQUISA/ENSINO

EM 07/01/2019

Sempre ótimas análises. Tem muito o que se rever, estruturar e aprender antes de simplesmente dizer que X ou Y é o vilão. É necessário mais profissionalismo e maturidade da cadeia como um todo (produtores, indústria e consumidores), e melhora na eficiência. Só um adendo em relação a questão do Canadá. O sistema causa um aumento de custo sim, mas esse aumento é quase que irrisório quando se leva em conta fatores como qualidade e rastreabilidade. Por exemplo, um litro de leite chega para o consumidor final a 1.05-1.20CAD, o que equivale a R$2.90-3.20. No Brasil paga-se consideravelmente mais por um leite de qualidade similar. Enfim, o ponto que não é só o sistema de cotas que encarece (mas outros fatores também), e mesmo assim esse custo é bem baixo se considerado o benefício. Os canadenses, por exemplo, preferem pagar 10-20% a mais por um produto se ele for de origem canadense, simplesmente porque eles valorizam quem produz e sabem que podem confiar na qualidade daquele produto.
Além disso, o momento atual é de adversidade por aqui também. A cota reduziu mais de 1% em 2018, o mercado de venda de animais está muito fraco e os EUA forçaram um substancial aumento na entrada de leite. A resposta foi uma grande união dos produtores (por meio das associações de produtores) para impedir uma concessão ainda maior de mercado e uma promoção dos produtos de origem canadense. Hoje eu ligo a televisão e tem propaganda do Dairy Farmers of Canada falando sobre o novo "selo" nos produtos lácteos de origem 100% canadense. Ou seja, os produtores são unidos, os consumidores informados e a indústria é madura.
MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

PIRACICABA - SÃO PAULO

EM 07/01/2019

Legal, Murilo, obrigado pelas informações aí direto da fonte. Com certeza a eficiência da cadeia como um todo contrapõe em parte essa distorção de mercado, que ocorre no Canadá. Nós não temos isso (bem, temos em parte pela TEC), mas por outro lado temos o famigerado custo Brasil, que permeia desde infra-estrutura, até tributação de insumos.
LUIS EINAR SUÑE DA SILVA

GOIÂNIA - GOIÁS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 07/01/2019

Excelente posicionamento Marcelo.
Acompanhando todos os comentários, percebe-se a enorme diversidade de situações e opiniões que se apresentam.
Mesmo que ainda alguns não tenham ainda entendido que o a escala da régua está mais acima, que o ponto de corte subiu, e ainda insistem em não compreender que terminou-se a política assistencialista degradante da economia.
Saliento também por ser profissional de campo, o baixíssimo nível de instrução do produtor rural e a ínfima capacidade de gestão técnica da propriedade.
Milhares fornecem dados por ouvirem falar ou comentam o que o vizinho mais influente ou mais bem sucedido noutra atividade propala. Se o bendito está trabalhando mal e se encontra no vermelho, gera uma onda de pessimismo na região, contando a velocidade das mídias digitais que dispomos atualmente.
Num passado muito recente, houve uma manipulação tendenciosa que através de uma mídia paga, que pregava a necessidade do executivo "salvar as almas necessitadas", e assim não tivemos uma política de informações adequada e nenhum investimento para melhorar a instrução gerencial em nosso setor.
Todos os orgãos públicos foram transformados em seitas!
Vivemos outros tempos, disto tenho certeza.
O nosso mercado vai encontrar uma solução bem brasileira para isto, temos muita capacidade técnica no país um outro tanto ficará na poeira, assim são as leis da economia.
Neste momento, cada um de nós - que nos posicionamos no futuro, como nosso colega mencionou, temos a obrigação de contribuir com um pouquinho do conhecimento e dedicação para dar o salto que o país necessita.
Os eventos MilkPoint, Marcelo, certamente fazem parte desta excepcional contribuição que você proporciona como profissional e empresário.
Juntos somos muito melhores.
Abraço
MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

PIRACICABA - SÃO PAULO

EM 07/01/2019

Obrigado Luis Einar, sempre bom ouvir seus comentários e contribuições!
ROGERIO RUFINO

UBERLÂNDIA - MINAS GERAIS

EM 07/01/2019

Muito interessante só esqueceu de mencionar que recebemos em real pois leite aqui não é commodity cotada em dólar e nossos custos são. Só exportando para que o que recebemos seja assim. O contrário e subsídio. E os produtores americanos estão há 4 anos no vermelho. Invocaram o chapter 12 , a falência da categoria. Resposta do governo. Vendam o mais rápido possível. Leite e para quem tem a um de 1000 vacas lá . Virou industria. O New Zealand vai neste rumo .apenas o Canadá sobrevive até o dia que os EUA oporem subsídios a entrada do leitinho csnadense o mais caro do mundo
MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

PIRACICABA - SÃO PAULO

EM 07/01/2019

Sim, é verdade, Rogério. Os custos são dolarizados e a receita, não. Mas, na prática, temos recebido um valor em dólar maior do que outros países, ainda que a flutuação da nossa moeda gere uma incerteza adicional. Exportar de forma estrutural (e dolarizar receita) significa alinhar ao preço internacional (e à volatilidade deles), ou trabalhar em nichos de mercado, que dificilmente escoariam o volume que precisamos. Estamos dispostos?
VINICIUS CORREIA DE OLIVEIRA

EM 07/01/2019

Luiz Eduardo, realmente o mercado é soberano, isso não temos dúvidas e quem coloca o preço no leite é o consumidor. Porém, o que é injusto na composição de preços feito é somente em cima do UHT e do mussarela, e temos uma gama muito maior de produtos processados pelos laticinios. Talvez, para ser mais justo, seria interessante, na composição dos preços, fosse utilizado uma cesta com um mix de outros produtos cada um com um percentual pre definido.

Mas acredito q conseguiremos tornar mais saudavel a negociação produtor x laticinio nos próximos anos.
PAULO GOMES

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 05/01/2019

As políticas macro são importantes e combater a volatilidade é essencial fixando um preço mínimo. No entanto, o ideal seria uma política voltada ao pequeno produtor, que qualquer benefício que receba em assistência técnica e acesso às novas tecnologia seria pulverizado e alcançaria grande número de produtores. É mandatório capacitar o pequeno produtor base da economia familiar que absorve grande número de trabalhadores e ainda gera empregos. Mas, enquanto o Brasil continuar importando leite, pode esquecer que não terá política que vai resolver estas questões.
MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

PIRACICABA - SÃO PAULO

EM 07/01/2019

Paulo, acredito que preço mínimo não é o caminho. Ao se estabelecer preço mínimo e interferir no mercado, é necessário lançar mão de outros fatores que possam conter a oferta, como cotas, porque caso contrário o mercado não iria corrigir sozinho situações em que exista excesso de oferta. Os produtores continuariam produzindo, apesar de um mercado ruim. O resultado disso é um acúmulo maior de oferta. A Europa, durante décadas, "resolveu" isso com estoques de intervenção e cotas (direito de se produzir), a um custo enorme para a sociedade. Agora, estão buscando reduzir.
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 05/01/2019

Prezado amigo Marcelo Pereira de Carvalho: a saída é simples e se chama "subsídio", um nome proscrito no Brasil, mas que impede a derrocada que estamos verificando no setor, já que garante o sustento dos produtores nas baixas exacerbadas do produto. Fomentar uma política pública séria para o Setor, com privilégio à produção nacional, com a efetiva fiscalização das normas de qualidade (entre elas, o fim do latão) e seus pagamentos, e o fim da importação predatória e sem motivo, também, vai ajudar e muito, a manter abertas muitas porteiras que tendem, fortemente, a ser fechadas. Grande abraço!!!

GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
ALFA MILK - FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG
www.alfalatte.com.br
MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

PIRACICABA - SÃO PAULO

EM 07/01/2019

Difícil apostar nesse caminho, hein, Guilherme? Vai ser duro convencer o Paulo Guedes :)
EM RESPOSTA A MARCELO PEREIRA DE CARVALHO
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 08/01/2019

KKKKKKKKKKKKKKKK Contamos com a nova Ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para isso, amigo Marcelo Pereira de Carvalho, que já sinalizou estar sensível à cadeia produtiva do leite. É difícil, com certeza, mas, a curto prazo, não vejo solução mais eficiente para por fim à eterna crise do setor.
SÁVIO SANTIAGO

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 05/01/2019

Excelente matéria amigo !

Entendo que estamos ainda um pouco distante de avaliar novas ferramentas porque a mais básica que seria exportar somente o excedente: ou melhor, o que for necessário para anular ou positivar a balança ainda não está em operação.
O melhor da sua matéria é que você mora no futuro, exportar pode nos dar a falsa ideia que podemos continuar crescendo de forma ilimitada, e essa é uma preocupação quando verificamos o forte crescimento dos grandes eficientes.
Quanto ao seguro de margem, já discutimos isso com uma grande seguradora a nível mundial. A dificuldade é que o corte tem que ser muito crítico e não temos uma informação efetiva do que seria esse ponto, uma vez que temos um abismo entre sistemas e custos nas fazendas.
Você foi no ponto e vindo de você não poderia ser diferente !!!!
MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

PIRACICABA - SÃO PAULO

EM 05/01/2019

Obrigado Sávio! Muito bom que vocês (que moram também no futuro - gostei dessa!) já começaram a ver isso e se movimentar. De fato, é algo complexo. já discutimos no passado a criação de mercados futuros para o leite, mas não prosperou na época. Vale lembrar que essa discussão é ainda relativamente nova em muitos países, uma vez que a diminuição da chamada safety net dos produtores (leia-se subsídios e outras formas de proteção) faz com que todos estejam mais sujeitos às flutuações do mercado. Acredito que chegaremos lá, ainda que demore alguns anos.

Veja que lá no ano 2000, o MilkPoint já trouxe artigos sobre isso, nos EUA: https://www.milkpoint.com.br/noticias-e-mercado/panorama-mercado/mercado-futuro-e-mercado-de-opcoes-novo-mecanismo-de-protecao-contra-volatilidade-de-precos-do-leite-parte-1-de-4-8058n.aspx

Forte abraço!
ROBERTO JANK JR.

DESCALVADO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 05/01/2019

ótima discussão Marcelo. Observo que todos os países citados são exportadores líquidos e nós importadores líquidos. A relevância é que todos têm que lidar com o excedente da produção interna x volatilidade. Nós, porém, não atendemos a demanda com a produção interna e, portanto, lidamos com excedentes internalizados pontualmente como causa da volatilidade.
O resultado final pode ser parecido, mas vejo que com essa dicotomia, nosso horizonte é muito mais nebuloso. Veja que as próprias indústrias participam dessa internalizacao de leite e depois nao conseguem sair do imbróglio do UHT excedente, consequência mais visível da volatilidade . Ficamos sem horizonte por um problema cuja solução seria um jogo de ganha-ganha tanto em qualidade, profissionalismo, como em segmentação de mercado e adição de valor. Entramos em fria sem necessidade. Concordo com voce que urge pensarmos em soluções e certamente a primeira medida é equipararmos nossa qualidade ao resto do mundo e não continuar achando que nós estamos certos e eles errados.
abraços
MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

PIRACICABA - SÃO PAULO

EM 05/01/2019

Obrigado Roberto, concordo com você, nossa dinâmica é outra aqui, embora com resultados parecidos: volatilidade e imprevisibilidade. O que considero pouco produtivo é que em geral a percepção é de que, cessadas as importações, teríamos um mar de rosas, do tipo "seus problemas acabaram". Sabemos que a nossa capacidade interna de resposta a preços convidativos é bem mais alta do que as importações, ainda que, sem dúvida, estas contribuam para o quadro em questão.
JULIANO BAIOCCHI VILLA-VERDE DE CARVALHO

EM 05/01/2019

Bom artigo. Boas propostas. A formalização fiscal da atividade (escrituração) é um dos pré-requisitos para o sistema de hedge. Então, como brasileiro morre de medo de fiscal e da receita, é perigoso não ter adesão
GIOVANNI ARANTES

EM 05/01/2019

Exatamente esta a questão levantada pelo colega Antonio dos Anjos. Qualquer país desenvolvido, ainda que com grande volatilidade do preço do leite, tem esta como a variável mais importante, senão a única e desta forma planejar é muito mais simples. Por aqui temos que lidar com inúmeras variáveis relacionadas a custos e políticas incertas e aí nos resta tirar leite de pedra.
PAULO GOMES

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 05/01/2019

As políticas macro são importantes e combater a volatilidade é essencial fixando um preço mínimo. No entanto, o ideal seria uma política voltada ao pequeno produtor, que qualquer benefício que receba em assistência técnica e acesso às novas tecnologia seria pulverizado e alcançaria grande número de produtores. É mandatório capacitar o pequeno produtor base da economia familiar que absorve grande número de trabalhadores e ainda gera empregos. Mas, enquanto o Brasil continuar importando leite, pode esquecer que não terá política que vai resolver estas questões.