O aquecimento ôhmico pode melhorar o queijo probiótico?

Aquecimento ôhmico inova a produção de queijos probióticos, mantendo bactérias vivas, ampliando benefícios funcionais e oferecendo sabor mais equilibrado.

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O aumento do interesse por alimentos saudáveis trouxe desafios para produtos probióticos, que podem alterar sabor e acidez. Pesquisas buscam reduzir o metabolismo dessas bactérias sem comprometer sua viabilidade. O aquecimento ôhmico (AO) emerge como uma técnica inovadora para modular o comportamento microbiano. Um estudo investigou o efeito do AO em diferentes intensidades na cepa Lactobacillus acidophilus em queijo Minas Frescal, revelando que o AO preservou a viabilidade das bactérias, aumentou peptídeos bioativos e melhorou o sabor, sem comprometer a segurança microbiológica. Essa abordagem pode facilitar o desenvolvimento de produtos lácteos probióticos mais agradáveis e saudáveis.

Nas últimas décadas, o interesse dos consumidores por alimentos mais saudáveis aumentou consideravelmente. No caso de produtos probióticos, esse avanço traz um desafio importante: quando adicionados à matriz alimentar, esses microrganismos podem metabolizar os componentes do alimento e liberar substâncias que alteram o sabor, aumentam a acidez e comprometem a aceitação sensorial do produto.

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Para contornar esse problema, tem sido pesquisadas estratégias para atenuar o metabolismo dessas bactérias, e assim, reduzir sua atividade metabólica sem comprometer sua viabilidade. Dessa forma, os benefícios à saúde são mantidos, mas os efeitos indesejados sobre o alimento são minimizados. Tecnologias emergentes, como o ultrassom, já foram exploradas com esse propósito, mas sua eficácia depende fortemente da intensidade do processo. Além disso, a aplicação de tecnologias emergentes em probióticos ainda é pouco explorada e representa uma fronteira promissora no desenvolvimento de alimentos funcionais.

Nesse contexto, o aquecimento ôhmico (AO) surge como uma alternativa inovadora. Essa técnica utiliza a resistência elétrica do alimento para gerar calor de forma uniforme e rápida, sendo menos agressiva do que os métodos térmicos convencionais. Ao variar a intensidade do campo elétrico aplicado, é possível modular o comportamento enzimático e microbiano, influenciando diretamente as propriedades nutricionais, funcionais e tecnológicas do produto final. 

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Portanto, este estudo teve como objetivo investigar os efeitos do aquecimento ôhmico, em diferentes intensidades (4, 6 e 8 V/cm) na atenuação da cepa probiótica Lactobacillus acidophilus LA-5 e seu impacto sobre o queijo Minas Frescal, um dos queijos mais consumidos no Brasil. Foram produzidas cinco formulações do queijo: sem probiótico (controle, C1), com probiótico (7-8 log UFC / g, PROB), e com o probiótico atenuado por AO (OH4, OH8 e OH12). Os queijos foram analisados ao longo de 14 dias quanto a pH, proteólise, viabilidade e sobrevivência probiótica (inclusive em simulação gastrointestinal), produção de metabólitos, propriedades funcionais (como atividade antioxidante, antidiabética e antihipertensiva) e atividade antimicrobiana.

De acordo com os resultados, o aquecimento ôhmico conseguiu preservar a viabilidade das bactérias (acima de 6 log UFC/g) ao mesmo tempo em que aumentou a liberação de peptídeos bioativos e a atividade funcional do produto. Além disso, observou-se uma menor produção de ácidos orgânicos, especialmente nos tratamentos de maior intensidade (OH8 e OH12), o que pode suavizar o sabor e tornar o produto mais agradável ao paladar. Curiosamente, a menor intensidade (OH4) manteve atividade antimicrobiana moderada, similar à formulação com o probiótico (PROB), mostrando que o método não compromete a segurança microbiológica.

Conclui-se que o uso do AO mostrou-se uma estratégia eficaz para modular o metabolismo de probióticos, sem comprometer sua viabilidade e, ao mesmo tempo, melhorar as características funcionais e nutricionais do queijo Minas Frescal. Essa abordagem abre caminho para o desenvolvimento de produtos lácteos probióticos mais estáveis, agradáveis ao paladar e benéficos à saúde, com grande potencial para atender às crescentes demandas do mercado de alimentos funcionais.

Referências bibliográficas

Barros, C.P. et al. (2025). Ohmic heating for attenuation of Lactobacillus acidophilus LA-5 in Minas Frescal cheese: probiotic survival, biological activity, and in vitro antimicrobial activity. Food Research International, 220, 117176.

Bevilacqua, A. et al. (2024). Effect of ultrasound-attenuation on technological and functional properties of two strains of Lactiplantibacillus plantarum isolated from table olives. Ultrasonics Sonochemistry, 110, 107057.

Giordano, I., & Mauriello, G. (2023). Ultrasound Attenuation Improves Some Surface Properties of the Probiotic Strain Lacticaseibacillus casei ATCC 393. Microrganisms, 11, 142.

Sain, M. et al. (2024). Effect of Ohmic Heating on Food Products: An In-Depth Review Approach Associated with Quality Attributes. Journal of Food Processing and Preservation, 2024, 2025937.

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Material escrito por:

Cássia P. Barros

Cássia P. Barros

Universidade Federal Fluminense (UFF), Faculdade de Veterinária, Niterói, RJ, Brasil

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Monica Freitas

Monica Freitas

Universidade Federal Fluminense (UFF), Faculdade de Veterinária, Niterói, RJ, Brasil

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Adriano Gomes da Cruz

Adriano Gomes da Cruz

Engenheiro Químico, Doutor em Tecnologia de Alimentos (UNICAMP), Professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ) - Departamento de Alimentos.

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