Probióticos de nova geração: relevância para adição em produtos lácteos

Probióticos de nova geração mostram efeitos na saúde intestinal, controle glicêmico e pressão, com ótima viabilidade em laticínios como queijos, iogurtes e sobremesas. Confira

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Probióticos de nova geração (NGPs, em inglês) são cepas bacterianas que vão além dos probióticos tradicionais como Lactobacillus e Bifidobacterium, e que foram isoladas do microbioma humano, apresentando potenciais benefícios à saúde mais específicos e avançados, como propriedades anti-inflamatórias e de proteção contra doenças metabólicas Bacteroides, Clostridium, Faecalibacterium e Akkermansia representam os gêneros de nova geração de probióticos de maior interesse para a ciência e para a indústria de alimentos.

 

Saúde intestinal e metabólica com NGPs

Relatos identificando possíveis efeitos terapêuticos e benéficos à saúde humana do consumo dos probióticos de nova geração. Dentre os efeitos benéficos do consumo de NGPs, é possível observar a produção de peptídeos bioativos e ácidos graxos de cadeia curta, regulação da absorção de lipídeos e carboidratos da dieta e modulação da microbiota intestinal.

Além disso, estudos também associam os NGPs a efeitos terapêuticos relevantes, como:

  • Melhora do perfil lipídico sanguíneo

  • Redução da resposta glicêmica

  • Efeito imunomodulador

  • Diminuição da pressão arterial sistêmica

  • Aprimoramento da permeabilidade da barreira intestinal

Esses resultados reforçam o potencial dos NGPs como aliados na promoção da saúde e no suporte a tratamentos de condições metabólicas e intestinais.

 

NGPs em laticínios: resultados promissores

Produtos lácteos despontam como uma matriz favorável para serem suplementados com probióticos de nova geração e trabalhos recentes tem demonstrado isso.  Um estudo recente mostra que o queijo pastoso (spreadable cheese) e iogurte tipo Grego manteve níveis adequados de Akkermansia muciniphila acima de 8 log UFC/g ao longo de 21 dias de estocagem refrigerada, sendo o mesmo valor mantido após sobrevivência ao trato gastrointestinal. Adicionalmente, foi relatado a produção de atividade biológica com atividade antioxidante, anti-glicêmica e anti-hipertensiva sem impacto negativo nos parâmetos de qualidade do produto, como cor e textura,

Em nosso laboratório conseguimos resultados semelhante com sobremesa láctea de chocolate (viabilidade de 8-10 log UFC/g) sem perda ao longo do trato gastrointestinal com atividade biológica proporcional ao nível de adição do microorganismo, além de excelente qualidade microbiológica ao longo de 28 dias de estocagem refrigerada. 

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Os resultados embora confirmam o potencial extremamente positivo da matriz láctea como veículo ideal para adição de probióticos de nova geração. Contudo estudos sensoriais com consumidores bem como estudos clínicos in vivo em modelo animal e/ou humano utilizando produtos lácteos devem ser realizados para ter uma resposta consistente e robusta do impacto desses microrganismos

Autores

Hugo Scudino1, Matheus R. S. Carmo2, Aline S. Garcia-Gomes2,  Eliane T. Mársico1, Adriano G. Cruz2 

 

1Universidade Federal Fluminense, Faculdade de Veterinária

2Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia, Departamento de Alimentos

Referências bibliográficas

Al-Fakhrany, O.M. &  Elekhnawy, E. (2024).  Next-generation probiotics: the upcoming biotherapeutics.  Molecular Biology Reports, 51, 58.

Fonseca, M. et al. (2024). Can a functional cheese spread incorporating Akkermansia muciniphila deliver beneficial physicochemical and biological properties while enhancing probiotic stability and viability during aerobic storage and in vitro digestion?  LWT – Food Science and Technology, 200,  116187.

Saareka, M. H. (2019).Safety aspects of next generation probiotics. Current Opinion in Food Science, 30, 8-13

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Material escrito por:

Matheus Rodrigues Silva do Carmo

Matheus Rodrigues Silva do Carmo

Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia, Departamento de Alimentos

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Eliane Teixeira Mársico

Eliane Teixeira Mársico

Universidade Federal Fluminense, Faculdade de Veterinária

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Adriano Gomes da Cruz

Adriano Gomes da Cruz

Engenheiro Químico, Doutor em Tecnologia de Alimentos (UNICAMP), Professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ) - Departamento de Alimentos.

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