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Importância da raça Anglo-Nubiana para o semiárido

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PRODUÇÃO

EM 28/07/2011

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Pertencente às raças do tronco das cabras Asiáticas e Africanas, a Anglo-Nubiana é resultante de cruzamentos de cabras Nubianas, originárias do Sudão (Vale do Nilo), com cabras comuns da Inglaterra, a exemplo da Zaraibi e da Chitral (Sousa e Santos 1999). É uma raça de dupla aptidão, carne e leite, sendo considerada prolífera e muito rústica. São animais de grande porte, com pêlos curtos e pelagem variada (Ribeiro 2003).

A raça Anglo-Nubiana é bem aceita pelos criadores de caprinos no nordeste do Brasil, em função de suas qualidades de rusticidade e alta produção de carne e leite. De forma que estudos realizados com esta raça no semiárido têm comprovado essas qualidades.

Em pesquisa realizada na Estação Experimental de Pendência, pertencente à Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária da Paraíba S/A (EMEPA), localizada no Município de Soledade-PB, na microrregião do Curimatau Ocidental, no Agreste Paraibano, Souza et al. (2008) avaliaram as respostas fisiológicas dos seguintes grupos genéticos: (½ Boer + ½ SRD), (½ Anglo-Nubiana + ½ SRD), (½ Savana + ½ SRD), (½ Kalarari + ½ SRD) e (½ Moxotó + ½ SRD).

Durante o experimento, o ITGU calculado pela manhã foi de 71,25 e à tarde de 79,15. É sabido que os animais com maior grau de adaptação aos ambientes quentes, geralmente, apresentam a frequência respiratória (FR) menor quando comparados aos menos adaptados. Nesta pesquisa os mestiços de Anglo e de Moxotó apresentaram médias da FR inferiores aos mestiços de Boer, de Savanna e de Kalahari (Figura 1). Sendo assim, a Anglo demonstrou ser mais adaptada que os demais grupos genéticos (Boer, Savana, Kalahari) avaliados.

Figura 1 - Médias da frequência respiratória de caprinos de diferentes raças sob as condições do semiárido.



Ao avaliar a adaptabilidade de caprinos PO das raças Boer, Savanna, Anglo-Nubiana e Moxotó no sistema semiconfinado no semiárido, através de parâmetros fisiológicos e estruturas do tegumento, Silva et al. (2010) verificaram que todas as raças estudadas apresentaram boa adaptação, contudo a raça Anglo-Nubiana apresentou a maior média de glândulas sudoríparas (P<0,05) e a raça Savana a menor (P<0,05), com relação às demais (Figura 2).

Como a principal função dessas glândulas é a produção de suor, auxiliando na regulação térmica pelo resfriamento do corpo, o resultado indica que quanto maior a quantidade de glândulas sudoríparas, maior a facilidade de perder calor através da sudorese, reduzindo as perdas de calor por meio da respiração. Houve correlação negativa entre o número de glândulas sudoríparas e a FR (R2= -0,67) (Figura 2). Com o maior número de glândulas sudoríparas, a raça Anglo- Nubiana mantém a homeotermia com menor gasto de energia, favorecendo o desempenho da mesma em regiões quentes.

Figura 2 - Correlação entre a quantidade de glândulas sudoríparas (GS) e a freqüência respiratória (FR) de caprinos exóticos e nativos no Semiárido paraibano.



Silva et al. (2011) ao estudarem o efeito do ambiente sobre os parâmetros fisiológicos de cabras Parda Alpina e Anglo-Nubiana criadas em sistema semi-intensivo (Figuras 3 e 4) no semiárido paraibano, também na Estação Experimental de Pendência, pertencente à Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária da Paraíba S/A (EMEPA), concluíram que os caprinos da raça Anglo-Nubiana apresentaram-se mais adaptados às condições climáticas do Semiárido paraibano, uma vez que mantiveram a temperatura retal com menor esforço do aparelho termorregulador.

Figura 3 -Cabras das raças Parda Alpina e Anglo-Nubiana recebendo a ração concentrada no ambiente de confinamento.



Figura 4 - Animais das raças Anglo-Nubiana e Parda Alpina em pastagem de buffel, na Estação Experimental de Pendência, EMEPA - PB, no semiárido. Fonte: Arquivo particular.



Considerações finais:

A raça Anglo-Nubiana é uma boa alternativa para o semiárido brasileiro por ser uma raça de dupla aptidão, produz carne e leite satisfatoriamente.

Por ser uma raça bem adaptada às regiões quentes e secas, pode ser criada muito bem no sistema semiconfinado no semiárido.

Referências Bibliográficas

RIBEIRO, S. D. A. Caprinocultura: Criação racional de caprinos. São Paulo: Nobel, 1997. 318 p.

SILVA, E.M.N.; SOUZA, B.B.; SOUSA, O.B.;SILVA, G.A.; FREITAS, M.M.S. Avaliação da adaptabilidade de caprinos ao semiárido através de parâmetros fisiológicos e estruturas do tegumento. Revista Caatinga, Mossoró, v. 23, n. 2, p. 142-148, abr.-jun., 2010.

SILVA, G.A.; LOPES, J.J.; MARQUES, B. A.A. et al. Efeito do ambiente sobre os parâmetros fisiológicos de cabras parda alpina e anglo nubiana criadas em sistema semi-intensivo no semiárido paraibano. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIOMETEOROLOGIA, 4. 2011, Piracicaba - SP. Anais... Piracicaba - SP. CD-Rom.

SOUSA, W.H.; SANTOS, E. S. Criação de caprinos leiteiros: uma alternativa para o semi-árido. João Pessoa, PB: EMEPA-PB, 1999. 207 p.

SOUZA, B.B.; SOUZA, E.D.; SILVA, R.M.N.;CEZAR, M.F.; SANTOS, J.R.S.; SILVA, G.A. Temperatura superficial e índice de tolerância ao calor de caprinos de diferentes grupos raciais no semiárido nordestino. Ciência e Agrotecnologia, v.32, n.1, p.75-280, 2008.

BONIFÁCIO BENICIO DE SOUZA

Professor Associado - UAMV/CSTR/UFCG, Bolsista de Produtividade do CNPq

ELISANGELA MARIA NUNES DA SILVA

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CLAUDIR PIVA ROMERO

UMUARAMA - PARANÁ - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 29/07/2011

Muito interessante os comentários do prof. Bonifácio.

Parabéns.