Amônia em bezerreiros: quais são os detalhes invisíveis?

A maioria das casinhas de bezerras parece bem por fora. Mas o que está acontecendo do lado de dentro nem sempre é tão óbvio. Quando a cama úmida e o esterco se decompõem, eles liberam amônia. Nas casinhas, ela se acumula exatamente onde as bezerras estão respirando. Mesmo em níveis razoavelmente baixos, isso pode afetar a ingestão de alimentos, o crescimento e o desempenho geral.

Publicado por: MilkPoint

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A amônia, resultante da decomposição da cama úmida e do esterco em casinhas de bezerras, pode afetar o crescimento e a saúde dos animais. Um estudo de David Casper revelou que casinhas com altos níveis de amônia (10 ppm) impactam negativamente o desempenho, enquanto aquelas com níveis baixos (1,5 ppm) mostraram um aumento de peso de 0,14 libras. Para controlar a amônia, é crucial manter a cama seca, monitorar a umidade e realizar limpezas regulares.
A maioria das casinhas de bezerras parece bem por fora. Mas o que está acontecendo do lado de dentro nem sempre é tão óbvio.

Quando a cama úmida e o esterco se decompõem, eles liberam amônia. Nas casinhas, ela se acumula exatamente onde as bezerras estão respirando. Mesmo em níveis razoavelmente baixos, isso pode afetar a ingestão de alimentos, o crescimento e o desempenho geral. Durante um episódio recente do The Dairy Podcast Show, David Casper, proprietário do Casper's Calf Ranch em Illinois, explicou como a amônia se desenvolve nas casinhas de bezerras e o que isso significa do ponto de vista do manejo.

A ventilação é um ponto forte

As casinhas para bezerras continuam sendo amplamente utilizadas nas fazendas leiteiras porque, naturalmente, fornecem uma forte ventilação e mantêm as bezerras em espaços individuais fáceis de manejar. Elas também oferecem flexibilidade à medida que os rebanhos crescem e não exigem o mesmo nível de infraestrutura que os galpões fechados. "Na minha opinião, a casinha ainda seria o padrão-ouro em termos de ter a melhor qualidade ambiental possível, especialmente a qualidade do ar, e de não ter que lidar com problemas de ventilação", diz Casper.

Mesmo assim, a amônia pode aumentar à medida que a cama fica úmida. Quando ela se torna perceptível [pelo cheiro], as bezerras já foram expostas. "Quando começamos a usar casca de soja, comecei a notar amônia nas casinhas", conta Casper. "Eu conseguia sentir o cheiro e realmente percebi o problema. E foi aí que começamos a nos preocupar."

Essa percepção o levou a olhar mais de perto os níveis de amônia nas casinhas de bezerras e como eles se relacionam com o crescimento e a saúde das bezerras.

Medindo a amônia

Para entender melhor a questão, Casper avaliou os níveis de amônia em 90 casinhas de bezerras. As fêmeas foram colocadas em casinhas alternadas, divididas entre um grupo controle e um de tratamento, e a amônia foi medida semanalmente. "Uma vez por semana, passamos com um detector pessoal de amônia digital, e o virávamos com o sistema de medição voltado para baixo, na cama", diz ele. "Após 30 segundos, você obtém uma leitura estável, e essa era a leitura de amônia na casinha."

As casinhas de controle tiveram uma média de cerca de 10 partes por milhão (ppm), enquanto as tratadas tiveram uma média de cerca de 1,5 ppm — uma redução de 85%. "Na verdade, reduzimos os níveis de amônia nas casinhas em 85%", afirma Casper.

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Essa diferença foi significativa, pois os problemas de desempenho podem começar assim que a amônia excede a faixa de 4 a 6 ppm. "Basicamente, o limite é de quatro a seis partes por milhão", explica ele. "Acima disso, você começará a ver perdas ou desafios de desempenho."

Os níveis de amônia variaram bastante entre os abrigos. Camas mais úmidas, casos de diarreia e bezerras mais velhas foram todos fatores associados a leituras mais altas. "Algumas casinhas tinham valores de até 100 partes por milhão e outras eram muito baixos", diz Casper.

A amônia também tendeu a aumentar mais no final do período pré-desmame, à medida que as bezerras consumiam mais ração inicial (starter). "Em nossos estudos, as semanas sete e oito provavelmente tiveram as leituras de amônia mais altas", aponta Casper. "A primeira semana quase não teve leituras porque elas estão em uma cama de palha recém colocada e a produção fecal é mínima."

Impacto no crescimento das bezerras

Níveis mais baixos de amônia também foram associados a um melhor desempenho. Bezerras em ambientes com menos amônia ganharam mais peso durante o período pré-desmame. "Na verdade, também notamos uma resposta de crescimento", diz Casper. "Obtivemos 0,14 libras [aprox. 63 gramas] a mais de ganho médio diário."

O fornecimento de leite permaneceu o mesmo, o que aponta para as diferenças na ingestão [de ração] e no ambiente. "As bezerras que estavam em casinhas com níveis mais baixos de amônia comeram mais ração inicial e tiveram melhores taxas de crescimento", afirma ele. Além disso, as bezerras em casinhas com menos amônia também apresentaram maiores aumentos no perímetro torácico, indicando um desenvolvimento corporal geral superior.

Manejando a amônia nas casinhas

Embora a maioria das fazendas leiteiras não meça a amônia regularmente, várias áreas do manejo influenciam o quanto o gás se acumula nos abrigos.

A cama é o principal fator. Manter a cama seca e bem conservada ajuda a limitar a amônia. A palha profunda fornece isolamento e absorve a umidade, mas precisa ser renovada regularmente, especialmente no final do período de pré-desmame. "Uma bezerra pode suportar muito frio se tiver uma cama de palha profunda onde possa se aninhar e se manter aquecida", ressalta Casper.

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O controle da umidade também é importante. Casinhas com bezerras com diarreia ou com má drenagem tendem a ter níveis mais altos de amônia; portanto, identificar problemas precocemente pode ajudar a direcionar a limpeza ou a adição de cama extra para as casinhas certas.

O cheiro é outro indicador. Se a amônia já for perceptível ao checar as bezerras, os níveis já estão elevados. O "timing" (tempo) também importa. A amônia tende a aumentar à medida que as bezerras ficam mais velhas e consomem mais ração, portanto, o manejo da cama geralmente precisa ser mais agressivo nas últimas semanas antes do desmame.

Algumas medidas práticas e específicas para as casinhas que os produtores de leite podem usar incluem:

  • Adicionar palha fresca com mais frequência no terço traseiro da casinha, onde a umidade tende a se acumular primeiro.

  • Afastar a cama úmida da área de descanso da bezerra em vez de apenas colocar mais camadas limpas por cima.

  • Prestar muita atenção às casinhas de bezerras com diarreia e trocar/adicionar cama a elas primeiro.

  • Verificar a profundidade da cama no nível em que a bezerra fica, e não apenas na entrada frontal da casinha.

  • Limpar ou renovar totalmente as casinhas entre os lotes de animais, quando possível, para reduzir a umidade residual.

Prestar atenção a essas áreas pode ajudar a manter os níveis de amônia mais baixos e apoiar um desempenho mais consistente das bezerras durante todo o período de pré-desmame.

As informações são do Dairy Herd, traduzidas e adaptadas pela Equipe MilkPoint.

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