O futuro da produção de leite: relatório McKinsey revela quais devem ser as prioridades do setor

A pesquisa anual da empresa de consultoria McKinsey & Company, realizada com executivos de laticínios na América do Norte e Europa, mostra uma indústria que enfrenta intensa pressão de custos e margens, mesmo com o crescimento da demanda. Entenda a agenda de liderança para o próximo ano.

Publicado por: MilkPoint

Publicado em: - Atualizado em: - 5 minutos de leitura

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Em 2026, os laticínios nos EUA e Europa enfrentam desafios como inflação, restrições de mão de obra e riscos de oferta, incluindo problemas de saúde animal e clima. Apesar disso, a demanda por laticínios permanece forte. Executivos priorizam gestão de custos e crescimento de volume, com foco em inovação e sustentabilidade. A escassez de mão de obra é mais crítica nos EUA, enquanto na Europa há desconexão entre preocupações e prioridades. A adoção de tecnologia e inteligência artificial é seletiva, mas essencial para competitividade futura.
Nos primeiros meses de 2026, os laticínios nos Estados Unidos e na Europa encontram-se operando em um ambiente desafiador: definido por inflação de custos persistente, restrições de mão de obra, volatilidade de insumos e incerteza crescente em relação ao comércio e regulamentação, particularmente na Europa. Ao mesmo tempo, os riscos do lado da oferta estão aumentando à medida que os produtores lidam com questões de saúde animal (como a gripe aviária altamente patogênica, a larva-varejeira do Novo Mundo e a língua azul), além de interrupções relacionadas ao clima e restrições estruturais no crescimento da oferta de leite em diversos mercados europeus.

Ainda assim, a demanda principal permanece resiliente. Os consumidores continuam a priorizar os laticínios como uma fonte primária de nutrição, sustentando o crescimento em categorias-chave mesmo em um cenário macroeconômico mais cauteloso. Para os executivos, essas correntes cruzadas se traduzem em um imperativo claro: proteger as margens e a execução no curto prazo, enquanto investem seletivamente em temas de crescimento duradouros — mais notavelmente, a inovação liderada por proteínas.

Sobre a pesquisa

Foram entrevistados, conjuntamente, 204 executivos do setor de laticínios (116 nos EUA e 88 na Europa) e conduziram entrevistas com 41 executivos. Os participantes vieram de diversos tipos de empresas — incluindo processadores, varejistas e empresas de embalagens. A maioria das empresas participantes tem sede nos EUA e na Europa (Dinamarca, Alemanha, França, Itália, Holanda, Portugal, Espanha e Reino Unido).

Quais são as principais prioridades dos executivos de laticínios?

Tanto na Europa quanto nos Estados Unidos, a gestão de custos e o crescimento de volume estão entre as principais prioridades estratégicas. As prioridades dos executivos americanos são amplamente semelhantes às do ano passado. O talento está no topo da agenda dos líderes dos EUA, mas é menos prioritário na Europa. A sustentabilidade, por outro lado, continua sendo uma prioridade máxima na Europa, mas não nos Estados Unidos.

Disciplina de custos e margens

Em todas as regiões, a inflação de custos e a volatilidade dos preços das commodities continuam a comprimir as margens. Aproximadamente 65% dos entrevistados nos EUA classificam a gestão de custos entre suas três principais prioridades — em linha com 2024 (69%) e acima de 2023 (48%) — refletindo aumentos sustentados nos custos de matérias-primas e logística. Os líderes europeus relatam pressão semelhante.

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Essas pressões são evidentes nos resultados das margens. Nos EUA, quase 70% das empresas de laticínios pesquisadas relataram margens estagnadas ou decrescentes em 2025. A Europa mostra uma dinâmica comparável, com 57% relatando o mesmo cenário. "Os altos custos de matérias-primas e logística espremeram nossas margens, forçando-nos a buscar eficiências em outras áreas do negócio.", apontou um executivo de laticínios da América do Norte.

Crescimento de receita e volume

Em ambos os mercados, o crescimento de receita e volume continua sendo prioridade estratégica. Cerca de 55% dos processadores americanos e 65% dos europeus classificam o crescimento de volume como prioridade máxima. Os líderes europeus são mais contidos: cerca de 40% esperam que seus volumes permaneçam estáveis ou diminuam, possivelmente refletindo preocupações com restrições de oferta. O otimismo quanto à receita é compartilhado: 87% dos entrevistados americanos e 84% dos europeus antecipam aumentos de receita nos próximos três anos, impulsionados pela demanda por proteína.

Talentos e mão de obra

Este é um ponto de grande divergência. Nos EUA, 61% citam o talento como prioridade máxima, enfrentando desafios na retenção de mão de obra fabril e operacional. Na Europa, apenas 18% citam o talento como prioridade estratégica no nível do processador, embora a escassez de mão de obra seja uma preocupação nas fazendas.

Iniciativas de sustentabilidade

Na Europa, 53% dos executivos classificam a sustentabilidade entre suas três principais prioridades, contra apenas 16% nos EUA. O foco mudou de narrativas amplas de ESG para uma execução pragmática: conformidade regulatória, redução de emissões e eficiência operacional (como redução de metano e otimização de água e energia).

"As pessoas podem dizer que querem alimentos sustentáveis, mas, no momento, os consumidores não estão preparados para pagar por isso." — Executivo de laticínios europeu.

As preocupações dos líderes são consistentes com suas prioridades?

Nos EUA, as preocupações (lucratividade e economia doméstica) estão alinhadas com as prioridades. Já na Europa, há uma desconexão: os líderes citam a segurança de suprimento (45%) e a escassez de mão de obra (37%) como maiores preocupações, à frente da lucratividade. Isso reflete um ambiente onde restrições estruturais e regulamentações ambientais mais rigorosas moldam o que é viável.

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O envelhecimento da população agrícola agrava essas pressões. 64% dos executivos expressam preocupação com a sucessão nas fazendas, notando que o número de agricultores diminui mais rápido do que o volume de leite, sinalizando uma fragilidade estrutural.

O papel da inteligência artificial e da tecnologia

Embora os líderes reconheçam o potencial de produtividade da inteligência artificial, a adoção é seletiva. Cerca de 70% das organizações estão em fases piloto. Barreiras incluem preocupações com segurança, falta de expertise e ROI (retorno sobre investimento) incerto.

No entanto, a McKinsey nota um fosso de desempenho: líderes digitais em mercados de consumo e agrícolas geraram retornos totais aos acionistas significativamente maiores entre 2019 e 2024 do que seus pares, sugerindo que o investimento digital será um diferencial competitivo crucial.

Conclusões

O sucesso para os líderes de laticínios em 2026 exige foco e determinação, fundamentando-se em um manual estratégico que prioriza a proteção das margens por meio de uma gestão de custos rigorosa e disciplina operacional. De acordo com a consultoria, as empresas devem buscar a expansão lucrativa de volume ancorada na inovação de proteínas, ao mesmo tempo em que estabilizam seus pipelines de talentos, especialmente em funções operacionais qualificadas para capturar a próxima onda de crescimento.

Esse caminho envolve ainda a priorização de uma sustentabilidade pragmática, capaz de entregar impacto mensurável e valor ao negócio, além de investimentos deliberados em inteligência artificial com casos de uso claros e responsabilidade econômica. Em última análise, os líderes que combinarem essa execução disciplinada com aportes sustentados nas capacidades essenciais estarão melhor posicionados para enfrentar a volatilidade e prosperar no setor.

As informações são da McKinsey & Company, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint.

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