Ordenha robotizada, compost barn e decisões difíceis: o caso real da Fazenda Coqueiros

Em Orizona (GO), a Fazenda Coqueiros não se tornou referência por acaso. Sua trajetória é resultado de decisões difíceis, feitas no tempo certo, sustentadas por algo ainda mais raro no campo: consistência. À frente da operação, Cláudio Pereira construiu um modelo baseado em evolução contínua - algo que, segundo ele, começou de forma simples, mas com uma diretriz muito clara.

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A Fazenda Coqueiros, em Orizona (GO), tornou-se referência na produção leiteira através de decisões estratégicas e consistência. Sob a direção de Cláudio Pereira, a fazenda evoluiu de um modelo pequeno com vacas Jersey para um sistema intensivo com genética Holandesa e ordenha robotizada. A integração de assistência técnica, nutrição, genética e bem-estar animal foi crucial para maximizar a produtividade, mesmo com limitações de área. A experiência será compartilhada no Interleite Brasil 2026.
Em Orizona (GO), a Fazenda Coqueiros não se tornou referência por acaso. Sua trajetória é resultado de decisões difíceis, feitas no tempo certo, sustentadas por algo ainda mais raro no campo: consistência.

À frente da operação, Cláudio Pereira construiu um modelo baseado em evolução contínua — algo que, segundo ele, começou de forma simples, mas com uma diretriz muito clara. “A Fazenda Coqueiros não virou referência por acaso — foi construída em cima de decisões difíceis e consistência ao longo do tempo. Nós começamos pequenos, com poucas vacas, mas com uma convicção clara: confiar na assistência técnica e fazer o básico bem feito.”

fazenda coqueiros

A operação começou pequena, com poucas vacas e uma convicção que moldaria todo o caminho dali em diante. No início, a escolha pela raça Jersey e pelo sistema de piquete rotacionado refletia exatamente isso — eficiência dentro de uma realidade de área limitada. Mas, com o tempo, veio um entendimento que mudaria o rumo do negócio: eficiência, sozinha, não sustenta crescimento sem escala produtiva. “Foi aí que tomamos uma das decisões mais importantes: migrar para a genética Holandesa e intensificar o sistema.”

Foi nesse momento que aconteceu uma das viradas mais relevantes da fazenda. A partir daí, a evolução deixou de ser pontual e passou a ser sistêmica. Genética, nutrição e estrutura começaram a avançar juntas. A cana deu lugar à silagem de milho, os investimentos em instalações ganharam força e a ordenha evoluiu — mas o grande divisor de águas foi a adoção do compost barn.

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“A partir disso, tudo passou a evoluir junto — genética, nutrição e estrutura. Saímos da cana e fomos para a silagem de milho, investimos em instalações, melhoramos a ordenha… mas o grande divisor de águas foi o compost barn. Ali, as vacas começaram, de fato, a expressar o potencial que a gente vinha construindo há anos.”

A partir desse salto, a evolução seguiu com ainda mais precisão. O avanço em genética, com acasalamento dirigido e uso de genômica, passou a direcionar o rebanho para um novo patamar. Mais recentemente, a entrada da ordenha robotizada elevou a produtividade a um nível superior, consolidando um modelo altamente eficiente, mesmo com limitações de área.

fazenda coqueiros

“Depois disso, seguimos avançando em genética com acasalamento dirigido e genômica, sempre buscando animais superiores. E mais recentemente, demos outro salto com a ordenha robotizada, levando a produtividade a um novo nível.”

Hoje, o foco da Fazenda Coqueiros é direto: extrair o máximo de cada vaca, com base em conforto, nutrição e genética. “Hoje, mesmo com área limitada, nosso foco é claro: máxima eficiência por vaca. Trabalhamos forte em conforto, nutrição e genética para extrair o máximo de cada animal. No fim, o que construiu essa trajetória foi simples — decisão técnica, coragem para investir e constância para evoluir todos os dias.”

Essa performance não vem de um único fator isolado, mas de um conjunto de pilares construídos e ajustados ao longo do tempo.

  • A assistência técnica, desde o início, ocupa papel central, trazendo direção e segurança nas decisões;
  • O melhoramento genético segue como um processo contínuo, sem espaço para acomodação;
  • A nutrição garante que o potencial genético seja convertido em produção real;
  • E o bem-estar animal fecha o ciclo: vacas confortáveis produzem mais — e com mais consistência.

A tecnologia entra como acelerador desse sistema. Não como tendência, mas como ferramenta prática de controle, eficiência e resultado. Ainda assim, existe um elemento que sustenta todos os outros: a perseverança. “Hoje, quem não acompanha a evolução acaba ficando para trás. A tecnologia entrou na fazenda como uma ferramenta para aumentar controle, eficiência e resultado. Mas, acima de tudo, tem um fator que sustenta tudo isso: a perseverança. Porque não é um caminho fácil — são anos de trabalho, decisões difíceis e muita persistência.”

Dentro dessa engrenagem, a assistência técnica assume um papel ainda mais estratégico ao integrar todas as áreas da fazenda. “A assistência técnica tem um papel central nos resultados da fazenda porque ela traz direção, controle e tomada de decisão baseada em dados. Hoje, eu trabalho com cinco áreas de assistência que se complementam.”

Hoje, o trabalho é estruturado em frentes que se conectam diretamente: nutrição, com acompanhamento constante de dieta e produtividade; agronomia, impactando a qualidade e o custo do volumoso; reprodução e sanidade, com controle rigoroso e visitas quinzenais; gestão, garantindo que produtividade caminhe junto com resultado econômico; e melhoramento genético, com foco contínuo na evolução do rebanho.

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“O grande diferencial não é só ter assistência, mas integrar todas essas áreas. A gente conecta nutrição, genética, reprodução, lavoura e gestão em um único objetivo. No fim, a assistência técnica transforma conhecimento em resultado — melhorando os índices reprodutivos, aumentando a produtividade e garantindo a viabilidade econômica da fazenda.”

Quando o assunto é extrair o máximo potencial genético das vacas, a lógica é direta: genética, sozinha, não faz milagre. É preciso criar as condições para que ela se expresse.

Nesse contexto, a ordenha robotizada tem papel decisivo ao permitir que as vacas sejam ordenhadas no seu próprio ritmo, reduzindo o estresse e aumentando a frequência — o que impacta diretamente na produção. O ambiente também é determinante: no compost barn, com camas bem manejadas, ventilação constante e pista de alimentação com aspersão, o conforto deixa de ser detalhe e passa a ser estratégia produtiva.

“Mas o principal é a soma desses fatores. Quando você junta conforto, manejo adequado, nutrição e tecnologia, a vaca consegue expressar aquilo que a genética promete.”

É justamente essa construção prática, feita ao longo do tempo, que será levada ao palco do Interleite Brasil 2026, em Uberlândia (MG). Mais do que teoria, a proposta é compartilhar uma trajetória real de evolução dentro de uma limitação comum a muitos produtores: a área. “No Interleite Brasil 2026, eu pretendo compartilhar uma experiência muito prática de construção de resultados dentro de uma realidade de área limitada.”

A apresentação percorre as diferentes fases do sistema, desde modelos mais simples até a intensificação com compost barn e ordenha robotizada, destacando os aprendizados ao longo do caminho. “talvez o principal aprendizado que eu quero compartilhar é que resultado não vem de uma mudança isolada, mas de uma sequência de ajustes bem feitos ao longo do tempo.”

Outro ponto central é a eficiência — como produzir mais por animal, equilibrando genética, nutrição, conforto e tecnologia, sem depender necessariamente de expansão territorial.

No fim, a Fazenda Coqueiros não conta apenas uma história de crescimento. Ela materializa uma ideia que muitos ainda subestimam: produtividade de alto nível não é um salto — é uma construção. E é exatamente esse tipo de construção que define quem vai liderar o próximo ciclo do leite no Brasil.

Se você ainda está buscando a “grande virada”, talvez esteja olhando para o lugar errado. O futuro não pertence a quem espera o momento perfeito — pertence a quem já está evoluindo, todos os dias, mesmo sem garantias.

O Interleite Brasil 2026, que ocorrerá de 18 a 20 de agosto, em Uberlândia, não é sobre apenas observar tendências. É sobre olhar, com clareza, o que já está funcionando — e refletir sobre como ajustar o seu sistema para evoluir os resultados. E atenção: o lote atual vira no dia 15/05. Vale se programar para garantir as melhores condições. Vamos juntos?

interleite brasil 2026

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Material escrito por:

Raquel Maria Cury Rodrigues

Raquel Maria Cury Rodrigues

Head do MilkPoint e Zootecnista pela UNESP de Botucatu

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