As projeções dos modelos climáticos da agência indicam uma probabilidade de 97% que o El Niño continue ativo até o início de 2027. O período entre outubro e dezembro de 2026 deve concentrar o ápice de intensidade, existindo 81% de chance de o fenômeno se enquadrar na categoria de muito forte. A probabilidade de o evento perder força e permanecer em patamares moderados é de apenas uma em cinco. Essa duração prolongada deverá exigir um planejamento contínuo de médio e longo prazo por parte dos órgãos de monitoramento e de prevenção de desastres naturais.
Fonte: NOAA
No cenário brasileiro, o fortalecimento do fenômeno altera significativamente o regime de chuvas e temperaturas de norte a sul. O padrão observado no Pacífico costuma provocar estiagens severas e prolongadas nas regiões Norte e Nordeste, reduzindo a vazão dos rios e afetando o abastecimento. Em contrapartida, a Região Sul passa a enfrentar a passagem mais frequente de frentes frias e ciclones extratropicais. O resultado é o volume elevado de precipitação acumulada, que eleva o nível de rios e causa enchentes, alagamentos e transtornos urbanos e rurais na faixa sul do país.
O diferencial do evento atual está no contexto climático em que ele se desenvolve. Dados de séries históricas apontam uma tendência constante de elevação na temperatura média global, registrada com mais intensidade a partir de 2013. O super El Niño atua sobre uma base ambiental que já se encontra mais quente do que a observada em episódios das décadas de 1980 ou 1990. Para setores produtivos fortemente dependentes do tempo, como a agricultura e a pecuária leiteira, a combinação de calor pré-existente com alterações drásticas na chuva aumenta a vulnerabilidade do solo, afeta as pastagens e exige estratégias locais de adaptação para conter perdas de safra e de produtividade.
Artigo escrito com informações da NOAA e MilkPoint Mercado.
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