Especial Técnicos: veterinário do Sul da Bahia destaca mente aberta como diferencial no leite

Para Igor, o conhecimento técnico é indispensável, mas sozinho não transforma propriedades.

Publicado em: - 4 minutos de leitura

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 5

Sem tempo? Leia o resumo gerado pela MilkIA
A transformação da pecuária leiteira requer a combinação de conhecimento técnico, tecnologia e empatia para entender as realidades dos produtores. O MilkPoint criou o Especial Técnicos para destacar profissionais que contribuem para o setor, como Igor de Castro Oliveira Medeiros Neto, que enfatiza a importância de adaptar recomendações à realidade dos produtores. Ele enfrenta desafios como a baixa remuneração e a escassez de mão de obra, mas vê na tecnologia uma oportunidade para aumentar a eficiência. Para Igor, a disposição para aprender e a construção de confiança são essenciais na assistência técnica.
A transformação da pecuária leiteira passa, cada vez mais, pela capacidade de unir conhecimento técnico, tecnologia e sensibilidade para compreender a realidade de cada propriedade. Mais do que recomendar manejos ou implantar protocolos, o desafio da assistência técnica consiste em construir confiança e ajudar o produtor a evoluir de forma consistente.

É justamente para reconhecer esses profissionais que o MilkPoint criou o Especial Técnicos, série de entrevistas com médicos-veterinários, zootecnistas, agrônomos e consultores indicados pelos próprios integrantes da cadeia de produção de leite por sua contribuição ao desenvolvimento da atividade.

O entrevistado desta edição é Igor de Castro Oliveira Medeiros Neto, médico-veterinário que atua na região do Extremo Sul da Bahia.

Para Igor, o conhecimento técnico é indispensável, mas sozinho não transforma propriedades. Antes de qualquer recomendação, o profissional precisa entender a realidade de quem está do outro lado. "Cada técnico precisa adaptar seu conhecimento ao dia a dia do produtor. Não basta saber a teoria; é preciso entender a propriedade, saber conversar, convencer e mostrar resultados, sempre com embasamento científico", afirma.

Segundo ele, cada fazenda possui limitações, objetivos e ritmos próprios. O papel do técnico é justamente transformar as informações geradas pela pesquisa em soluções que façam sentido para aquela realidade, sem comprometer a confiança construída junto ao produtor.

Figura 1
Igor em visita a uma propriedade leiteira. Fonte: Igor de Castro Oliveira Medeiros Neto

A maior conquista foi conquistar confiança

Com apenas três anos de formado, Igor diz que sua trajetória ainda está no início, mas já coleciona experiências que marcaram sua carreira.

Ele lembra que, nos primeiros atendimentos, enfrentou resistência de muitos produtores, especialmente daqueles com décadas de experiência na atividade leiteira. Aos poucos, porém, o trabalho baseado em resultados foi mudando essa percepção.

Continua depois da publicidade

Hoje, uma das maiores satisfações é perceber que muitos produtores passaram a enxergar valor na assistência técnica. "Tenho muito orgulho quando um produtor de leite me procura antes mesmo do dia da visita porque está precisando de ajuda. Ver que eles reconhecem a diferença do trabalho, seja na reprodução, na produção ou até no resultado financeiro da propriedade, é muito gratificante."

Para ele, conquistar a confiança de produtores que já possuíam métodos consolidados foi uma das maiores lições desses primeiros anos de profissão e reforçou que credibilidade é construída diariamente.

Tecnologia abre oportunidades, mas o setor ainda enfrenta desafios

Na avaliação do veterinário, dois desafios continuam exigindo atenção da cadeia leiteira.

O primeiro está relacionado à remuneração da atividade. Segundo ele, muitos produtores convivem com margens apertadas e precisam lidar com custos elevados de produção de leite, o que dificulta novos investimentos e compromete a permanência de algumas propriedades no setor.

Continua depois da publicidade

Outro gargalo importante é a escassez de mão de obra. "Pelo menos na minha região, muitos produtores enfrentam dificuldades para encontrar pessoas para trabalhar nas fazendas. Isso acaba limitando o crescimento de diversas propriedades."

Ao mesmo tempo, Igor acredita que o avanço tecnológico representa uma das maiores oportunidades para os próximos anos.

Na sua visão, ferramentas voltadas à reprodução, nutrição, manejo e automação permitem produzir mais com maior eficiência, reduzindo a necessidade de mão de obra e melhorando tanto a produtividade quanto a qualidade do leite. "A tecnologia está ajudando o produtor a produzir mais, com menos animais e processos cada vez mais eficientes. Isso fortalece a atividade e contribui para sua permanência no campo."

Mente aberta faz toda a diferença

Depois de acompanhar propriedades com diferentes perfis, Igor percebe um comportamento comum entre aqueles que conseguem evoluir continuamente: disposição para aprender e implementar mudanças.

Segundo ele, os produtores de leite que mantêm a mente aberta para novos manejos, tecnologias e atualizações conseguem aproveitar melhor as oportunidades que surgem na atividade. "A nossa área está selecionando produtores que acompanham os avanços tecnológicos. Quem resiste muito às mudanças acaba ficando para trás."

Na avaliação do veterinário, muitas melhorias começam com ajustes simples de manejo, mas exigem disposição para testar novas práticas e acreditar nos resultados que elas podem proporcionar. Já os produtores de leite mais resistentes costumam enxergar essas mudanças com desconfiança e acabam perdendo oportunidades de aumentar a eficiência e a qualidade da produção.

Conhecimento, humildade e atualização constante

Para quem está iniciando na assistência técnica, Igor acredita que uma carreira sólida é construída sobre três pilares: estudo, honestidade e relacionamento.

Ele aconselha os jovens profissionais a não terem receio de admitir quando não souberem determinada resposta. "Não existe problema em dizer ao produtor que você ainda vai pesquisar e estudar aquele assunto. Muito pior é tentar responder algo sem segurança e comprometer a confiança construída."

Outro conselho é compreender que conquistar espaço dentro das propriedades exige paciência. Segundo ele, especialmente entre produtores mais experientes, é natural existir certa resistência inicial à presença de um novo técnico. A confiança surge gradualmente, conforme os resultados aparecem.

Por isso, além de investir em atualização constante, Igor acredita que o profissional precisa desenvolver uma boa comunicação e mostrar, na prática, que o conhecimento técnico pode gerar benefícios reais para cada propriedade.

QUER ACESSAR O CONTEÚDO? É GRATUITO!

Para continuar lendo o conteúdo entre com sua conta ou cadastre-se no MilkPoint.

Tenha acesso a conteúdos exclusivos gratuitamente!

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 5

Material escrito por:

Raquel Maria Cury Rodrigues

Raquel Maria Cury Rodrigues

Head do MilkPoint e Zootecnista pela UNESP de Botucatu

Acessar todos os materiais

Deixe sua opinião!

Foto do usuário

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração.

Qual a sua dúvida hoje?