Arla Foods conecta produtores, varejo e foodservice para criar mais valor ao leite

Em um mercado cada vez mais pressionado por sustentabilidade, eficiência e mudanças no comportamento do consumidor, agregar valor ao leite deixou de ser apenas uma estratégia comercial - e passou a ser uma necessidade para garantir a sobrevivência e a competitividade da cadeia láctea global.

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No Milk Pro Summit, Tatiani Bula Sundgaard, da Arla Foods, destacou a importância de agregar valor ao leite como uma necessidade para a competitividade da cadeia láctea. A cooperativa, que pertence a mais de 7.200 produtores e gera cerca de 15 bilhões de euros anualmente, busca parcerias com varejo e foodservice para garantir preços competitivos e produtos de qualidade. A sustentabilidade é vista como responsabilidade compartilhada entre todos os elos da cadeia, visando benefícios econômicos e ambientais.
Em um mercado cada vez mais pressionado por sustentabilidade, eficiência e mudanças no comportamento do consumidor, agregar valor ao leite deixou de ser apenas uma estratégia comercial — e passou a ser uma necessidade para garantir a sobrevivência e a competitividade da cadeia láctea global.

Foi com essa visão que Tatiani Bula Sundgaard, da Arla Foods, apresentou no Milk Pro Summit o modelo da cooperativa europeia, que aposta na construção de parcerias entre produtores, varejo e foodservice para gerar mais valor ao leite e dividir responsabilidades ao longo da cadeia. “Produzimos um produto nobre e precisamos garantir que esse valor chegue até o consumidor final”, destacou.

milk pro summit

A Arla Foods pertence a mais de 7.200 produtores de leite e se consolidou como uma das maiores marcas de laticínios da Europa, com receita anual de cerca de 15 bilhões de euros. Presente atualmente em sete países, a cooperativa celebrou recentemente 25 anos de atuação com uma estratégia clara para os próximos anos: ampliar participação no varejo e liderar a criação de valor associada à sustentabilidade. “A missão da empresa é garantir o maior valor possível para o leite dos nossos produtores, ao mesmo tempo que criamos oportunidades para o crescimento deles”, afirmou Tatiani.

Segundo ela, a construção desse valor acontece em diferentes frentes. Para os produtores, o objetivo é assegurar um preço de leite competitivo. Para os consumidores, a meta é tornar a Arla a marca preferida. Já para a sociedade, o foco está em ampliar o acesso a produtos mais saudáveis e acessíveis às diferentes classes sociais.

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Dentro desse modelo, a Arla trabalha com diferentes categorias de leite — orgânico, especial, pools específicos para clientes e leite commodity — mas parte de um princípio comum: todo leite possui valor. “Todo o nosso leite é de alta qualidade”, ressaltou.

A executiva destacou ainda que os padrões mais elevados de qualidade normalmente caminham junto com melhores práticas de bem-estar animal, sustentabilidade e rastreabilidade. Em alguns casos, esse diferencial chega diretamente ao consumidor em forma de produtos premium. “Temos, por exemplo, um leite que em 24 horas sai da fazenda e já está engarrafado. O consumidor paga mais por isso porque percebe valor em um produto mais fresco”, explicou.

Um dos pontos centrais da palestra foi justamente o papel das parcerias estratégicas com varejo e foodservice na criação desse valor adicional. A Arla desenvolve programas específicos em conjunto com grandes clientes, como Starbucks e McDonald’s, conectando diretamente produtores rurais às demandas dessas empresas.

No Reino Unido, por exemplo, cerca de 640 produtores de leite participam de programas patrocinados pelos próprios clientes da Arla. O funcionamento é baseado em adesão voluntária: os produtores interessados se candidatam para integrar o projeto e, uma vez aprovados, passam a atender critérios mais rigorosos relacionados principalmente ao bem-estar animal e à sustentabilidade. Em contrapartida, recebem remuneração diferenciada. “O cliente paga mais por isso e o produtor também ganha mais”, destacou Tatiani. Além do retorno financeiro, os produtores passam a ter maior integração com a cadeia e com os próprios clientes finais. “Eles se sentem parte do negócio”, afirmou.

Do lado do varejo e do foodservice, as vantagens também são claras. Segundo a executiva, os programas garantem relatórios frequentes sobre bem-estar animal, apoio financeiro aos produtores para adequação aos padrões exigidos e a formação de grupos dedicados exclusivamente ao atendimento dessas empresas.

Para Tatiani, esse modelo reforça um ponto fundamental para o futuro da cadeia leiteira: a sustentabilidade econômica e ambiental não pode ser sustentada apenas pelo produtor rural. “O produtor e o consumidor não vão pagar essa conta sozinhos. Essas parcerias são fundamentais para agregar valor ao leite, incentivar o produtor a ser cada vez mais eficiente e sustentável e ainda dividir a responsabilidade desse financiamento necessário para a mudança”, afirmou.

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A declaração sintetiza uma transformação importante no setor global de lácteos. Se antes sustentabilidade era tratada muitas vezes apenas como exigência ou custo adicional ao produtor, agora ela passa a ser encarada como responsabilidade compartilhada entre todos os elos da cadeia — incluindo indústria, varejo, foodservice e consumidor. “Além de importante, essa parceria é uma responsabilidade conjunta da cadeia toda”, reforçou.

Segundo Tatiani, a Arla Foods trabalha diretamente com seus clientes para ampliar o valor agregado dos produtos, oferecer mais opções aos consumidores e garantir maior retorno ao leite produzido pelos cooperados.

Em um mercado global cada vez mais competitivo, competir apenas por volume ou preço tende a ser uma estratégia limitada. A diferenciação, segundo ela, passa pela capacidade de construir valor percebido e verificável tanto para quem produz quanto para quem consome. Isso exige alinhamento entre os elos, compartilhamento de dados, rastreabilidade, transparência e compromisso mútuo do campo até a gôndola.

Mais do que vender leite, o modelo apresentado pela Arla Foods no Milk Pro Summit mostra uma cadeia que busca vender propósito, qualidade, confiança e conexão entre produção e consumo — transformando atributos como sustentabilidade e bem-estar animal em valor econômico real para todos os envolvidos.

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Material escrito por:

Raquel Maria Cury Rodrigues

Raquel Maria Cury Rodrigues

Head do MilkPoint e Zootecnista pela UNESP de Botucatu

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