De acordo com a entidade, os volumes globais de leite cresceram de forma significativa nos últimos meses e seguem em alta. Dados recentes reforçam essa tendência: um relatório da Ornua aponta que a captação global aumentou cerca de 4% em janeiro. Na União Europeia, o avanço foi ainda mais expressivo, com alta de aproximadamente 5,6% em dezembro e 4,5% em janeiro.
Para o presidente da EMB, Kjartan Poulsen, a magnitude desse crescimento foge completamente do padrão histórico. “Estamos testemunhando desenvolvimentos que nunca vimos dessa forma. Os sinais são claros: se nenhuma ação for tomada agora, estamos caminhando diretamente para uma queda acentuada nos preços do leite”, afirmou.
Pressão por intervenção imediata
Diante desse cenário, a EMB reforça o pedido para que a European Commission implemente imediatamente um programa de redução voluntária da produção. Segundo a entidade, esse mecanismo é o principal instrumento disponível no curto prazo para equilibrar a oferta e evitar uma nova crise no setor.
A proposta não é nova, mas enfrenta resistência política dentro do bloco. De acordo com o vice-presidente da EMB, Boris Gondouin, alguns dos principais países produtores ainda bloqueiam avanços concretos. A entidade fez um apelo direto à Alemanha, França e Dinamarca, pedindo que assumam responsabilidade e apoiem a ativação do programa. “Aqueles que continuam hesitando estão, conscientemente, aceitando outro colapso de preços e a perda massiva de propriedades rurais”, afirmou Gondouin.
Risco para a sustentabilidade do setor
O EMB alerta que, sem uma redução imediata na produção, a tendência é de agravamento da crise, com impactos diretos sobre a viabilidade econômica das fazendas leiteiras em toda a Europa. A preocupação vai além do curto prazo.
A entidade questiona se os produtores europeus conseguirão se manter na atividade nos próximos anos, especialmente diante de preços frequentemente abaixo dos custos de produção. “Se levamos a segurança alimentar da Europa a sério, precisamos agir agora para garantir preços estáveis ao produtor. Isso significa, acima de tudo, reduzir os volumes”, destacou Poulsen. Segundo ele, o número de produtores que abandonam a atividade já está crescendo, com impacto ainda mais forte entre os mais jovens, que enfrentam um cenário de incerteza e falta de perspectivas.
Um mercado em desequilíbrio
O atual aumento na produção ocorre em um momento em que a demanda não acompanha o mesmo ritmo, ampliando o risco de desequilíbrio estrutural no mercado. Para o EMB, o crescimento dos volumes já ultrapassa o que poderia ser considerado uma flutuação normal, configurando um movimento de excesso de oferta com potencial de pressionar fortemente os preços.
Diante disso, a entidade reforça que o tempo para medidas preventivas está se esgotando. A mensagem é clara: sem coordenação e ação política no curto prazo, o setor leiteiro europeu pode enfrentar mais um ciclo de crise, com consequências profundas para produtores, cadeias produtivas e a segurança alimentar do continente.
As informações são da European Milk Board (EMB) e do Agriland.
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