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Formulação de rações para vacas leiteiras

POR JUNIO CESAR MARTINEZ

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 22/10/2010

20 MIN DE LEITURA

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Este texto objetiva fornecer informações técnicas, esclarecer sobre os passos e informações necessárias para formulação de rações para vacas leiteiras, assim como descrição de metodologias para tal formulação.

Reafirmo que esse texto é de cunho informativo, sem pretensão de ensinar detalhadamente como formular ração para bovinos, visto que são necessários anos de estudos em nutrição de ruminantes para estar apto a desempenhar corretamente esta função.

O artigo será dividido nos seguintes tópicos:

  • Agrupamento de animais e exigências nutricionais;
  • Ingredientes para a formulação de rações para bovinos;
  • Sistemas de formulação de rações;
  • Composição dos alimentos e exigências nutricionais;
  • Formulação de ração através do Quadrado de Pearson;
  • Formulação de rações utilizando o NRC (2001).


Agrupamento de animais e exigências nutricionais

Com o objetivo de estabelecer um programa nutricional para vacas leiteiras, há a necessidade de se agrupar os animais em função das diferentes fases por que passam durante o período entre um parto e outro. Com base nas exigências nutricionais da vaca leiteira, são identificadas 4 fases distintas ao longo da curva de lactação:

  1. período seco da vaca: em geral 60 dias pré-parto
  2. início de lactação: do parto aos 100 dias pós-parto
  3. meio de lactação: dos 101 aos 200 dias pós-parto
  4. final de lactação: dos 201 aos 305 dias pós-parto


Período seco

Durante os primeiros 40 dias do período seco, as exigências nutricionais da vaca podem ser supridas sem grandes dificuldades, pois o animal consegue ingerir quantidade adequada de alimento.

Vacas que na secagem apresentarem condição corporal ao redor de 3,5 (escala de 1 a 5), podem ser alimentadas apenas com volumoso de boa qualidade e mistura mineral. Vacas com escore de condição corporal (ECC) abaixo de 3,5 podem necessitar de suplementação com concentrado.

Na fase final do período seco, nas últimas 3 semanas que antecedem o parto, a vaca entra no período de transição, que se estende até 3 semanas pós-parto. Nessa fase pré-parto, o crescimento acelerado do feto e o início da síntese de colostro aumentam significativamente a exigência nutricional da vaca.

Este fato é agravado pela queda no consumo de alimento por parte da vaca nesta fase final. Estes fatos implicam na necessidade de se aumentar as densidades energéticas, proteicas e de minerais e vitaminas das rações de vacas leiteiras nas 3 semanas que antecedem o parto.

O manejo de vacas leiteiras nas 3 últimas semanas pré-parto têm grande impacto na produção de leite, reprodução e saúde da vaca durante a futura lactação. Vacas que parem magras, com condição corporal abaixo de 3,5, não têm reservas de energia suficientes para apresentar pico de lactação alto.

Vacas que parem com excesso de condição corporal, especialmente com escore acima de 4,0 são mais propensas a apresentarem distúrbios metabólicos após o parto, baixa produção de leite e perda excessiva de condição corporal após o parto.



Início de lactação (1 a 100 dias pós-parto)

Esta é a fase de maior produção de leite da vaca. A produção é crescente até aproximadamente 60 dias pós-parto, quando a vaca atinge o pico de lactação. As 3 primeiras semanas após o parto são as mais críticas para a vaca leiteira.

Muitos dos problemas que acometem vacas leiteiras ocorrem durante este período e estão normalmente ligados à mudanças drásticas de metabolismo, alterações hormonais, aumento na demanda de nutrientes, depressão da imunidade, estresse do parto e início da lactação. Todos estes fatores podem ser exacerbados quando o manejo pré-parto é inadequado.

O grupo de vacas em início de lactação é o que recebe a alimentação com maior concentração de nutrientes, ou seja, com maior teor de concentrado. Em função da mudança drástica em apenas 60 dias, do final do período seco ao pico de lactação, é necessário que o aumento na dose de concentrado seja gradativo nas primeiras semanas pós-parto.

O consumo de alimento é crescente pós-parto, porém abaixo do necessário para suprir as exigências da vaca até o pico de lactação. O pico de consumo de MS só ocorre 30 a 60 dias após o pico de lactação. Isto resulta na perda de condição corporal da vaca nos primeiros 30 a 60 dias pós-parto. Os principais objetivos ao se formular rações para vacas em início de lactação são maximizar o pico de lactação e minimizar a perda de condição corporal pós-parto.



Meio de lactação (101 a 200 dias pós-parto)

Nesta fase, a vaca atinge o pico de consumo de matéria seca, a produção de leite apesar de ainda ser alta, está em declínio e tem início a reposição de condição corporal. As exigências em energia, proteína, minerais e vitaminas são menores que na fase anterior. Ajustes devem ser feitos na ração, com redução no teor de concentrado da mesma.



Final de lactação (201 a 305 dias pós-parto)



Nesta fase a ingestão de nutrientes é bem maior que a demanda, uma vez que a produção está em franco declínio. Esta é a fase de maior reposição da condição corporal da vaca. Excesso de concentrado nesta fase, além de elevar os custos de produção, pode favorecer a ocorrência de vacas com condição corporal excessiva, fator predisponente para distúrbios metabólicos pós-parto.



Vacas primíparas 

Vacas primíparas em início de lactação são os animais de maior exigência nutricional do rebanho. Entretanto, ocupam posição hierárquica inferior ao das vacas multíparas, que são dominantes em relação as primíparas.

Seja em sistemas confinados ou em sistemas em pastagens, é importante agrupar estas vacas separadamente das demais. Em rebanhos que utilizam pastagens, apesar do problema não ser tão intenso durante o pastejo, o fornecimento do concentrado em grupo pode ser crítico para estas vacas se mantidas juntas com as multíparas. Neste caso, certamente não conseguirão comer a quantidade necessária de concentrado.



Ingredientes para a formulação de rações para bovinos

Os alimentos volumosos mais utilizados nos sistemas de produção de leite no Brasil são as pastagens, as silagens de milho, sorgo ou capim e a cana-de-açúcar. Animais mantidos exclusivamente em pastagens tropicais bem manejadas têm seu potencial de produção de leite limitado em 8 a 14 kg/vaca/dia.

As vacas dificilmente conseguem ingerir quantidades de forragem suficiente para produções maiores que as citadas. Quando alimentadas exclusivamente com silagem de milho ou sorgo, o teor baixo de proteína destes alimentos limita a produção a patamares inferiores ao das pastagens tropicais. No caso da cana-de-açúcar as limitações em proteína são tão severas que não permitem sequer a manutenção do animal.

O uso de alimentos concentrados tem por objetivo suprir as deficiências nutricionais das forrageiras e permitir produções elevadas das vacas leiteiras. Os concentrados são na grande maioria compostos por suplementos energéticos, suplementos proteicos e suplementos minerais e vitamínicos.

Tanto os suplementos energéticos quanto os proteicos contêm energia e proteína, com raras exceções. Os suplementos energéticos são assim chamados por conterem teores altos de energia e teores baixos de proteína. Por outro lado, os suplementos proteicos contêm teores elevados de proteína, podendo também ser ricos em energia.



Suplementos energéticos

No Brasil, os principais suplementos energéticos utilizados nos concentrados de vacas leiteiras são os grãos de cereais como o milho, o sorgo, o milheto e diversos subprodutos como a polpa cítrica, a casca de soja, o farelo de arroz, o farelo de trigo e o farelo de mandioca, dentre outros.

Estes ingredientes contêm teores altos de energia, entre 75 a 92% de NDT (%MS), mas são pobres em proteína bruta, com teores normalmente inferiores a 12% (%MS). O farelo de trigo tem 16 a 18% de proteína bruta (%MS).



Suplementos proteicos

Os principais suplementos proteicos utilizados nos concentrados de bovinos no Brasil são o farelo de soja, o farelo de algodão e a ureia, fonte de nitrogênio não protéico. O farelo de soja tem 47 a 50% de PB e 82% de NDT (%MS).

O farelo de algodão tem 38 a 41% de PB e 66 a 75% de NDT (%MS). A ureia é fonte de nitrogênio não protéico e contêm 45% de nitrogênio. Como a proteína tem 16% de nitrogênio, o equivalente proteico da ureia é de 281%, ou seja, cada kg de ureia equivale a 2,81 kg de proteína bruta.

As sementes de oleaginosa como a soja grão e o caroço de algodão são boas fontes de proteína, porém ricas em energia devido ao teor alto de óleo, ao redor de 18% da MS. A soja grão tem de 36 a 40% de PB e 101% de NDT.

O caroço de algodão tem ao redor de 24% de PB e 90% de NDT (%MS). O farelo de amendoim é um suplemento proteico com 50 a 52% de PB, com oferta crescente no país. Suplementos com teores médios de PB são o farelo de girassol (30% de PB), o resíduo de cervejaria (20 a 25%) e o farelo glúten de milho -21 (refinasil ou prómil) com 21 a 24% de PB.



Suplementos minerais e vitamínicos

Os concentrados para vacas leiteiras devem conter núcleo mineral na sua composição. A formulação do núcleo mineral vai depender da exigência do animal e da composição mineral dos alimentos consumidos pelo bovino.

Pastagens são ricas em vitaminas A, D e E, não havendo a necessidade de suplementar os animais. Entretanto, forragens conservadas na forma de silagem ou feno perdem quantidades grandes dessas vitaminas, principalmente de vitamina A, sendo recomendado suprir essas vitaminas no concentrado.



Sistemas para formulação de rações

A maioria dos países desenvolvidos desenvolveu seus próprios modelos de exigência nutricional para bovinos e tabelas com a composição nutricional dos principais alimentos utilizados nas formulações de rações. No Brasil, o modelo mais utilizado é o modelo americano do NRC (2001).

Nos últimos 30 anos, houve evolução considerável no campo do conhecimento da nutrição de ruminantes. O número crescente de estudos na área e a informatização têm permitido o desenvolvimento de programas de formulação cada vez mais precisos.

Alguns modelos iniciais eram simples e apresentavam as exigências das vacas leiteiras em NDT, PB, e minerais e vitaminas. As formulações podiam ser feitas manualmente, com número não muito grande de cálculos a serem efetuados.

Nos modelos atuais, as exigências energéticas são apresentadas em termos de energia líquida de lactação. As exigências proteicas são determinadas para a população microbiana ruminal (proteína degradável no rúmen) e para o bovino (proteína metabolizável).

Atualmente, tem havido avanço considerável do conhecimento das exigências em aminoácidos essenciais para vacas leiteiras de alta produção. Os programas atuais também têm evoluído quanto à adequação dos teores de fibra nas rações, com vistas à manutenção de pH ruminal adequado.

Do conceito de fibra bruta houve evolução para a adequação das exigências em FDN. Mais importante que o teor total de FDN é a porcentagem de FDN proveniente de forragem na ração, pois esta é fração mais efetiva em estimular a ruminação.

Finalmente, estudos têm sido conduzidos com o objetivo de determinar a efetividade da FDN de cada alimento. Diversos modelos já adotam valores de FDN efetiva nas tabelas de composição dos alimentos e trazem exigências dos animais neste quesito.

A utilização de programas de computação é imprescindível quando queremos utilizar estes modelos atuais na sua plenitude.

 

Composição dos alimentos e exigências nutricionais

Na Tabela 1 são apresentadas as composições bromatológicas de diversos alimentos utilizados nas rações de vacas leiteiras no Brasil.

Tabela 1. Composição bromatológica dos alimentos.

Na Tabela 2 são apresentadas as exigências nutricionais de uma vaca leiteira mantida em pastagem ao longo da lactação de 6250 kg de leite em 305. Também são apresentadas formulações de rações para essa vaca no início, meio e final de lactação. Os cálculos foram feitos utilizando o NRC (2001).



Tabela 2. Rações para vacas leiteiras durante a lactação.
 


Na tabela 2, pode-se observar que à medida que a lactação da vaca avançou no tempo e a produção de leite foi sendo reduzida, foram feitas alterações na ração total. Tanto os teores de energia como os teores de proteína bruta foram reduzidos na ração.

A concentração de proteína degradável no rúmen foi muito pouco alterada. Já a concentração de PNDR foi reduzida de 5,3 para 4,5%, uma vez que a exigência da vaca em proteína metabolizável diminuiu, mas não a exigência do rúmen em PDR. Na prática isto significou redução no teor de farelo de soja e aumento no teor de ureia na ração com o avançar da lactação.



Formulação de ração através do Quadrado de Pearson

Quando ainda não se dispunha de computadores para a formulação de ração, os modelos traziam as exigências energéticas e proteicas do animal em tabelas, e os cálculos eram feitos manualmente.

Tomemos por exemplo um modelo que adotasse as exigências energéticas do animal em NDT e as exigências proteicas em PB. Será usada como exemplo uma vaca adulta de 500 kg de peso vivo, no pico de lactação, com produção de 25 kg de leite/dia, com 3,5% de gordura e 3,1% de proteína bruta. Os ingredientes disponíveis para a ração são pasto de alta qualidade, polpa cítrica, farelo de soja e mistura mineral.

De acordo com o programa, o consumo de MS esperado é de 16,78 kg/dia. As exigências para manutenção e produção de leite são de 11,91 kg de NDT e de 2,56 kg de PB.

Suponhamos que a dose fornecida de concentrado seja de 1 kg de matéria natural de concentrado por kg de leite. Portanto, 25 kg de leite divididos por 3 resulta na dose de 8,3 kg de matéria natural de concentrado por vaca/dia. O teor de MS do concentrado é de 90%, portanto serão necessários 7,47 kg de MS de concentrado (8,3 x 0,9).

O consumo total predito pelo programa é de 16,78 kg de MS. Assim o animal terá que ingerir 9,31 kg de MS de pasto. Esta ingestão de pasto fornecerá 6,05 kg de NDT (9,31 x 0,65) e 1,49 kg de PB (9,31 x 0,16). 
Portanto o concentrado terá que fornecer 5,86 kg de NDT (11,91 - 6,05) e 1,07 kg de PB (2,56 - 1,49).

Para fazermos o cálculo do concentrado em matéria natural, teremos que incluir os 5,86 kg de NDT e 1,07 kg de PB nos 8,3 kg de concentrado que a vaca irá consumir. Isto é, teremos que formular um concentrado com 70,6% de NDT e 12,9% de PB na matéria natural. Vamos arredondar os valores para 71% de NDT e 13% de PB.

Para formular o concentrado com 13% de PB com os ingredientes polpa cítrica e farelo de soja pode-se utilizar o quadrado de Pearson, da seguinte maneira:

O teor de PB do milho moído na MS é 9,4%. Para calcular o teor de PB na matéria natural, basta multiplicarmos 9,4 pelo teor de MS do milho:

9,4 x 0,88 = 8,27% de PB na matéria natural


O mesmo é feito para o farelo de soja:

50 x 0,88 = 44 % de PB na matéria natural

 

Para facilidade de cálculo vamos arredondar os valores para 8% de PB na matéria natural do milho. Agora se monta o quadrado de Pearson:

  • Milho: 8% de PB 31
  • 13% de PB
  • F. soja: 44% de PB 5/36

Na coluna da esquerda colocamos os dois ingredientes que irão compor o concentrado. Na região central do quadrado colocamos o teor de PB almejado e na coluna da direita colocamos a diferença entre os valores calculados de forma cruzada, ou seja: na linha do farelo de soja colocamos o resultado da subtração entre o teor de PB do milho e o teor de PB almejado, ou seja, 8 - 13 = 5. Na linha do milho de soja procedemos da mesma forma, 44 - 13= 31.

Então somamos 31 + 5 = 36. Para calcular a proporção de cada ingrediente, procede-se da seguinte maneira:

 

  • Milho: (31 / 36) x 100 = 86,11%
  • F. Soja: (5 / 36) x 100 = 13,89%


Portanto, na batida de 100 kg de concentrado deverão ser incluídos:

 

  • 86,11 kg de milho
  • 13,89 kg de farelo de soja

 

Para incluir 5 kg de núcleo mineral nos 100 kg de ração e manter o teor de 13% de PB na mistura, será necessário fazer o seguinte ajuste:

 

  • Polpa cítrica: 80,00 kg
  • Farelo de soja: 15,00 kg
  • Núcleo mineral: 5,00 kg


Após todos estes cálculos, fica claro que não faz sentido abrir mão da utilização de um programa informatizado de formulação de ração.



Formulação de rações utilizando o NRC (2001)

 

A seguir apresentaremos os passos para a utilização do NRC(2001). O programa encontra-se disponível na internet (site: http//:www.nap.edu). Antes da instalação do programa, é necessário alterar a configuração regional do seu computador para o inglês (USA), pois no sistema americano, vírgula é ponto e vice-versa.

Ao iniciar o programa siga os seguintes passos para formular a ração:

  • clique na janela "inputs"
  • clique "program settings"
  • Na coluna da esquerda aparecerão os itens Units e Basis:

Sugestão: formule a ração com base na unidade métrica (metric) e em matéria seca (dry matter).

  • Na coluna do meio, constará o item Cabeçalho (header text) e rodapé (footer text):

Escolha a seu critério como gostaria que saísse o impresso dos relatórios. Sugestão: left( long date); center (simulation fale name); right (page number)

  • Na coluna da direita tem-se o item "Ration Results":

Os itens ali escolhidos aparecerão na tela quando estiver formulando a ração, para que você possa efetuar os ajustes necessários em proteína, energia, etc.

Sugestão: use a sugestão do programa mantendo clicado o item "use default results based on animal type" na parte inferior do lado direito da tela.

 

Completado o item Program settings, vamos agora descrever o animal.

  • clique o item "animal description" e preencha as seguintes opções:

Tipo de animal: vaca em lactação (lactating cow).
De baixo para cima preencha os itens: intervalo entre partos, idade ao primeiro parto, ordem da lactação, dias em lactação, condição corporal, dias prenhe, peso vivo e idade em meses.

  • clique em "production":
  1. Digite o peso da vaca na idade adulta;
  2. Escolha a raça do animal;
  3. Clique no quadrinho inferior para computar o peso do bezerro ao nascer com base no peso da vaca na idade adulta determinado;
  4. Digite a produção de leite;
  5. Digite o teor de gordura do leite;
  6. Digite o teor de proteína bruta do leite.
  • Clique em "Management/Environment"
  1. Digite a temperatura média do local no período em questão
  2. Digite se os animais estão pastejando (grazing) ou não
  3. Em caso de pastejo, determine a distância média percorrida da ordenha ao pasto
  4. Digite quantas vezes por dia ela percorre essa distância
  5. Digite se o terreno é plano ou montanhoso


Concluídas todas as etapas do "Inputs" clique a próxima janela:

  • FEEDS

Após clicar a janela FEEDS, vamos escolher os alimentos:

  • clicar em "add feeds to ration":
  • Ao fazer isto aparecerá na tela a biblioteca de alimentos. Clique os alimentos desejados e então clique o botão "add".
  • Após a escolha dos alimentos, cheque a composição de cada um deles e faça as alterações necessárias de acordo com a análise bromatológica dos seus ingredientes.


Concluídas todas estas etapas clique na janela RATION para formular a ração.

  • RATION

Coloque as quantidades de cada ingrediente e cheque os resultados na tela a direita. Use seus conhecimentos de nutrição para formular uma boa ração

  • REPORT

Ao clicar esta janela você encontrará os relatórios que podem ser visualizados ou impressos.

  • SIMULAÇÃO

Vamos agora utilizar o NRC (2001) para formular dietas para uma vaca leiteira. Alimente o programa com os seguintes dados:

Animal type: lactating cow

  • Age: 53 months
  • Body weight: 540 kg
  • Days pregnant: 60
  • Days in milk: 150
  • Condition score: 3
  • Calving interval:12
  • First calving: 24
  • Mature weight: 540
  • Breed: Holstein
  • Milk production: 20
  • Milk fat: 3.6
  • Milk crude protein: 3.2
  • Grazing
  • Distance: 200 m
  • One way trips: 4
  • Flat


Escolha os alimentos:

  • Bermudagrass hay, tifton-85
  • Corn grain ground, dry
  • Soybean meal, 44
  • Urea
  • Vitamin premix 1

Corrija os valores do tifton-85 simulando um pasto de alta qualidade:

  • NDF: 60
  • CP: 13
  • Lignin: 3

 

Ração 1

Digite 12 kg de MS de pasto, 5,1 kg de milho, 0,3 kg de mistura mineral, totalizando 17,4 kg de MS, conforme proposto pelo programa (Predicted DMI). Lembre-se que o programa é em inglês e, portanto deve-se usar ponto ao invés de vírgula, ou seja, 5.1 e não 5,1.

Acompanhe no RATION RESULTS: NEL Allowable milk: 23.3 kg/d

Isto significa que a ração é capaz de suprir Energia Líquida de lactação (Nel) para a produção de 23,3 kg de leite. Há sobra de energia, uma vez que a vaca está produzindo 20 kg. Isto é recomendável uma vez que aos 150 dias de lactação esta vaca deverá estar ganhando condição corporal. Entretanto, o ganho de 0,4kg/d mostrado no SUMARY REPORT, está um pouco acima do ideal, exigindo que se monitore a condição corporal da vaca para evitar vacas obesas na secagem.

Uma unidade de condição corporal corresponde à aproximadamente 80 kg de peso vivo. O objetivo é que a vaca chegue ao momento da secagem, aos 305 dias de lactação (12 meses de intervalo entre partos) com condição corporal 3,5. Portanto, esta vaca deveria ganhar 0,5 (3,5 - 3,0) unidades, ou seja, 40 kg de peso vivo (0,5 x 80) nos 155 dias restantes de sua lactação. Isto significa 40/155 = 0,258 kg/d.

Sendo conservador, uma vez que a qualidade do pasto pode variar ou a vaca pode estar consumindo menos pasto que o previsto por causa de estresse térmico ou outros fatores, seria prudente manter esta sobra de energia (0,4 kg/d), desde que a condição corporal do animal seja monitorada regularmente.

MP Allowable milk: 14.5 kg/d

Observe que há proteína metabolizável suficiente para apenas 14,5 kg de leite/d, quando o objetivo é atingir 20 kg de leite. Recordando, a proteína metabolizável é representada pelos aminoácidos provenientes da digestão intestinal da proteína microbiana, PNDR e proteína endógena. Portanto, o primeiro passo para aumentar a disponibilidade de proteína metabolizável para a vaca é tentar aumentar a síntese microbiana no rúmen.

Observe que na parte inferior do quadro RATION RESULTS está escrito em negrito que há falta de PDR. Olhe no RATION RESULTS que há um balanço negativo de 357g. Isto significa que a síntese microbiana está sendo limitada no por falta de PDR.

A forma mais barata de tentar suprir esta deficiência é através da adição de ureia. Uma deficiência do programa é que o NRC (2001) considera PDR como uma entidade única, desconsiderando que na realidade ela é composta por peptídeos, aminoácidos e amônia. Vale lembrar que a adição de ureia adiciona apenas amônia ao fluido ruminal e, portanto, a resposta em produção de leite sugerida pelo programa pode não ser obtida na íntegra na prática.

Na tentativa de suprir a deficiência de PDR adicione 0,15 kg de ureia e retire os correspondentes 0,15 kg de milho, mantendo o consumo total em 17,4kg de MS. Observe que continua sobrando energia (suficiente para 23,1 kg de leite) e que agora há proteína metabolizável para 19,2kg de leite.

Este aumento na disponibilidade de proteína metabolizável ocorreu devido a uma maior síntese de proteína microbiana, que pode ser constatada checando o SUMARY REPORT. Houve um aumento na proteína metabolizável proveniente de bactérias (MP-Bacterial =939 g/d contra 751g/d antes da adição de ureia).

Observe também que o balanço de PDR mostra uma sobra de 68 g, valor este adequado.

Apesar do aumento em produção de leite, ainda não foi possível fazer a vaca produzir os desejados 20 kg/d, por falta de proteína metabolizável, que ainda apresenta um balanço negativo de - 51g/d.

Há duas formas de suprir esta proteína metabolizável:

a) A primeira alternativa é suprir mais milho, mais ureia e menos pasto, a fim de aumentar o NDT e a PDR da dieta e estimular uma maior síntese de proteína microbiana. Lembre-se que a produção de proteína microbiana é computada pelo NRC(2001) como: kg de NDTajustado * 0,13

b) A Segunda alternativa é suprir um pouco de farelo de soja, a fim de aumentar o suprimento de PNDR para o intestino. Forneça 4,5 kg de miho, 0,5 kg de farelo de soja, 0,1 kg de ureia, 0,3 kg de mineral e 12 kg de pasto. Observe que continua havendo sobra de energia e que houve aumento na disponibilidade de proteína metabolizável, agora suficiente para produzir 20,5 kg de leite/d.

Após fazer os ajustes em energia e proteína, cheque no SUMARY REPORT se o teor de fibra (NDF e FNDF) está adequado e a relação entre CF e CNF.


Considerações finais

Formulação de ração é um tema importante e deve ser encarado com cuidado, pois um balanceamento incorreto não surtirá os efeitos desejados. Se fornecermos menos nutrientes do que o necessário, a vaca não apresentará o seu potencial genético e perderemos dinheiro.

Se fornecermos mais nutrientes do que o necessário, gastaremos mais dinheiro, causaremos desequilíbrio no organismo do animal e causaremos efeitos ambientais indesejáveis com a maior produção de dejetos e lixiviação de nutrientes para o lençol freático.

Para formulações gratuitas, procure o departamento técnico da cooperativa ao qual é cooperado, ou um extensionista da EMPAER ou algum outro órgão de extensão do governo, ou mesmo instituições de pesquisa como universidades, escolas agrotécnicas ou centros de difusão de tecnologia.

Para formulações e acompanhamento vip, existem um grande número de consultores autônomos ou empresas de consultoria na área.

JUNIO CESAR MARTINEZ

Doutor em Ciência Animal e Pastagens (ESALQ), Pós-Doutor pela UNESP e Universidade da California-EUA. Professor da UNEMAT.

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MANOEL TENORIO

OLHO D'AGUA DAS FLORES - ALAGOAS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 31/08/2020

Formula outra ração ...
MANOEL TENORIO

OLHO D'AGUA DAS FLORES - ALAGOAS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 31/08/2020

Excelente !
ANTONIO ANDRADE DE

GARARU - SERGIPE - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 15/06/2020

Muito boa esta matéria. Acredito que como o custo da ração concentrada está muito alto e o preço do leite baixo a escolha dos ingredientes e as quantidades da mistura é o x da questão. Aqui no sertão de Sergipe acredito que o custo mais baixo seria farelo de trigo, farelo de algodão, caroço de algodão É núcleo mineral chegaria a um custo de 1,00/kg. Também a utilização de silagem de sorgo boliviano e cevada seria muito bom pra redução do custo da ração. Tem como formular uma ração balanceada com estes ingredientes?
MARIANA BARBOSA

SÃO RAFAEL - RIO GRANDE DO NORTE

EM 14/08/2019

Muito bom, mas como faço um concentrado e quis as quantidades para o pré parto, e tem diferença com as vacas de primeira cria ?
NICOMEDIO ALVES MOREIRA

IPORÁ - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 11/07/2019

gostaria de receber a formula de fazer ração para gado de leite em
JOSÉ EDUARDO LEITE DA COSTA MELO

PEDRA - PERNAMBUCO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 08/10/2018

Se a vaca da 15 quilos de leite quantos quilos de concentrado eu devo colocar pra ela
MANOEL TENORIO

OLHO D'AGUA DAS FLORES - ALAGOAS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 31/08/2020

Geralmente se usa 1 kg de concentrado para cada 2,5 a 3 kg de leite produzidos pela vaca.
GERALDO TYBINKOVSKI

CRICIÚMA - SANTA CATARINA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 16/07/2018

Ola
Moro em Cricuuma SC
A raçao que for eço pras minhas vacas é 22 %
Nos mesmo que fazemos
Usamos farelo soja milho moido nucleo para vacas leiteiras
Volumoso : mombaça tifton 85 silagem milho.porem com tudo isso nao consigo elevar o score corporal delas
Detalhe:elas comem ate deixar sobra tanto no cocho tanto no piquete mesmo assim nao aumentam o score
Vc pode me dar uma dica?
MANOEL TENORIO

OLHO D'AGUA DAS FLORES - ALAGOAS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 31/08/2020

Acresce um ingrediente proteico na dieta !
RAIMUNDO MIRANDA ANDRADE

EM 16/07/2018

Excelente texto
CRAUDINEI

NOVA CANAÃ DO NORTE - MATO GROSSO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 02/07/2018

moro em mt grosso quero uma formulade racao com milho farelo de algodao e soja
LUCIANO SOARES AUGUSTO

S.GERALDO DO ARAGUAIA - PARÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 21/05/2018

Qual o teor de proteina da torta de dende. C9mo posso formulat uma raçao para vaças de leite em regime de pasto com uma lactação hoje de10 a12 Litos so no pasto. Mais vai entrar o verão e eu gostaria de suplementar .
LECY ESTEVAN

EM 12/03/2018

Tenho piquete formado de Mombaça tofi com irrigação que engorda vaca de descarte com 45 duad no mínimo posso usar todos estes egredientes que está escrito junto com farelo de soja farelo de algodão vê acrescentar goudura e melaço e virginiamicina, e as proteína para engorda e vocês podem passar para mim a receita de quantidade por kg. Vocês vendem estes produtos
EUSTAQUIO DIAS FONSECA

MONTES CLAROS - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 08/07/2020

eustaquio de município de montes claros MG estou dando minhas vaca cana+cameru farelo de soja e milho
esta correto?
CICERO GARCIA DE ARAÚJO

MARACAJÚ - MATO GROSSO DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 12/03/2018

Junio estou tendo um problema sério com as vacas leiteiras elas crian e ficam debilitadas vindo a morrer algumas tenho salvas aplicando cálcio outras não estou dando volta são todas vacas saudáveis.
MARIA DAS GRACAS

ARAGUATINS - TOCANTINS

EM 19/11/2017

EU QUERIA SABER QUAIS AS QUANTIDADES E INGREDIENTES PARA UMA BOA LACTACAO LEITEIRA DE PEQUENO POSTE
VENICIUS

VÁRZEA NOVA - BAHIA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 23/09/2017

Bom dia. Qual a medida de soja, torta de algodão e milho para uma vaca de 18 litro de leite?
VENICIUS

VÁRZEA NOVA - BAHIA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 23/09/2017

Qual a medida certa da torta de algodão,milho e soja para uma vaca de 15 litro de leite?
JOSE BRAGANCA NETO

OURO FINO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 19/08/2017

Olaria tenho umas vacas leiteira e queria saber se farelo de soja e bom para aumentar a produção de leite
MURILO JOISE DUARTE LANZIOTTI

CONSELHEIRO LAFAIETE - MINAS GERAIS

EM 11/08/2017

Bom dia .

preciso que me ajude a formular uma ração para vaca de leite, pois estou sem silagem, pastegem fraca, o que posso fazer.
SFW LOMBA CONFECÇÃO

EM 22/06/2017

esto fazendo uma raçao com 100kl fuba contra 50kl soja mas sal mineral essa for e ideal
MARIA LUIZA CÂNDIDA DA COSTA PEREIRA

PEROLÂNDIA - GOIÁS

EM 28/05/2017

Bom dia! Gostaria de saber qual a porcentagem de soja crua triturada grosseiramente na preparação de ração para preparar 100quilos de ração?pois trabalho com milho triturado,núcleo. Tem como ajudar -me com as porcentagem correta de cada item
CRISTIANO JOSÉ

TRÊS CORAÇÕES - MINAS GERAIS - ESTUDANTE

EM 04/04/2017

Uma dúvida o final da lactação dos 200 aos 305 vou manter a mesma contida de ração,reduz ou formula outro tipo de relação  pois a tendência  é  somente redução de de leite
MilkPoint AgriPoint