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Os benefícios da ''vaca de alto rendimento''

POR ISRAEL FLAMENBAUM

COWCOOLING - FLAMENBAUM & SEDDON

EM 30/10/2020

7 MIN DE LEITURA

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A vaca leiteira israelense é conhecida por sua alta produção, apesar da produção de leite em Israel ser realizada em condições climáticas relativamente adversas. Uma vaca em Israel rende em média mais de 12.500 kg por ano, sendo o rendimento em uma fazenda leiteira excelente cerca de 15.000 kg por vaca por ano. Essas conquistas foram alcançadas pelos produtores de leite israelenses com muitos anos de trabalho árduo, melhorias nutricionais e de manejo contínuas, incluindo, é claro, o fato de lidarem bem com o calor do verão.

É claro para todo produtor que é desejável que se alcance a maior produção de leite por vaca possível. No entanto, são poucos os que são capazes de quantificar as implicações econômicas e ambientais da obtenção de altas produtividades de leite.

A. Benefícios econômicos de se obter um alto rendimento para uma vaca

É comum pensar que quanto maior a produção de leite por vaca, menor o gasto com alimentação por litro de leite produzido. Existem gastos que estão diretamente relacionados a cada litro de leite produzido e há gastos que diminuem proporcionalmente com o aumento da produção de leite. Nesta parte do artigo, pretendo me referir apenas às despesas com alimentação, que variam de 40% a 60% do custo total por litro de leite. A diminuição do custo da alimentação de um litro de leite com o aumento da produção de vacas decorre do fato de que o custo da alimentação para manutenção do corpo é o mesmo em vacas de baixa e alta produção. Portanto, quanto maior o rendimento da vaca, mais o custo de vida é diluído no volume produzido.

Duas pesquisas foram realizadas em Israel para estudar a relação entre o nível de produção de leite do rebanho e o consumo de ração (MS por litro de leite produzido). O primeiro estudo aconteceu há quase 20 anos e avaliou a eficiência alimentar ao longo de 20 anos em 40 fazendas leiteiras, localizadas no norte de Israel, com produção anual de rebanho variando entre 9.000 e 11.000 litros por vaca. A segunda pesquisa foi realizada no ano passado, em 90 fazendas leiteiras de grande porte com produção anual de rebanho variando entre 10.000 e 13.500 litros por vaca. A razão da alimentação para a produção de leite (kg MS por litro de leite produzido) variou nestes levantamentos entre 0,85 e 0,66, em fazendas leiteiras com média entre 9.000 e 14.000 litros por vaca/ano, respectivamente. Na figura a seguir são apresentados os resultados dos dois levantamentos, extrapolando os dados para uma produção anual de 15.000 litros por vaca.

Figura 1 - Média de alimentação necessária (Kg MS), para produção de 1 litro de leite em rebanhos com produção de leite por vaca anual variando entre 9.000 e 15.000 litros

As informações apresentadas na figura serviram para calcular o custo de produção do volume anual de leite em uma fazenda israelense típica de 4 milhões de litros, comparando fazendas com diferentes níveis de produção por vaca, variando entre 10.000 e 14.000 litros anualmente.

O custo médio da alimentação por kg de matéria seca é atualmente em Israel de US$ 0,35. Surpreendentemente, os números da última pesquisa mostram uma diferença insignificante de US$ 0,02 por kg de MS, entre as rações mais e menos caras nas fazendas produtoras, fato que me permitiu usar US$ 0,35 por kg de MS ao calcular o custo de alimentação em diferentes cenários de nível de produção de leite.

Em comparação com fazendas que produzem 10.000 litros por ano, o custo de alimentação para atingir o volume anual de leite será reduzido em 55.000 dólares e 125.000 dólares, quando a produção anual de leite por vaca é de 12.000 e 14.000 litros, respectivamente (93% e 87% dos custos de alimentação para atingir a cota anual de leite em fazendas com produção anual de 10.000 litros). Alcançar a produção anual de 15.000 litros (fazenda de maior produção em Israel hoje) reduzirá as despesas com alimentação em 150.000 dólares (84% do custo da alimentação para atingir o volume de leite com vacas produzindo 10.000 kg anualmente). A economia alcançada pela produção com "vacas de 15.000 litros" significa um aumento da receita líquida da fazenda em quase 20%. Devemos ter em mente que essas economias estão relacionadas apenas aos gastos com alimentação.

Além dos benefícios descritos acima, devemos pensar também que as fazendas de baixa produção por animal requerem 400 vacas para atingir o volume total, enquanto as de alta produção o fazem com apenas 266 vacas, o que significa que essas fazendas economizam também os custos de manter 134 vacas adicionais. Essa economia pode dobrar o benefício econômico gerado pela obtenção de vacas de alto rendimento.

Vamos ver como funciona com as fazendas leiteiras brasileiras. Usamos uma dieta com preço de R$ 0,90 por Kg de MS e produzimos 2 milhões de litros de leite anualmente. Comparamos fazendas atingindo produção anual de 12.000 litros/vaca em vez de 9.000 (eficiência alimentar de 0,85 e 0,71 kg MS/litro, respectivamente) e descobrimos que isso irá economizar para o produtor R$ 250.000 em despesas anuais com alimentação, além da economia relacionada a produzir essa quantidade de leite com 55 vacas a menos e a economia adicional relacionada à sua manutenção.

B. O aspecto ambiental de alcançar um alto rendimento para uma vaca

Ao discutir os aspectos ambientais da produção de leite, deve-se levar em consideração a imagem atual da nossa indústria perante a população mundial, como uma “poluidora ambiental”. A produção de leite interage com o meio ambiente de duas maneiras principais. Na primeira, com o ar e a atmosfera, por meio dos diversos gases de efeito estufa emitidos pela vaca. A segunda, com o solo e a água, pelas secreções minerais das vacas. Neste artigo optei por trazer dados de dois estudos recentes sobre o tema publicados este ano (as fontes são fornecidas no final do artigo).

O primeiro estudo foi publicado por uma equipe de especialistas italianos que discutiram os vários aspectos para se conseguir uma produção de leite particularmente alta por vaca, entre eles, a poluição do ar e do solo com a liberação de gases e minerais, como resultado do nível da produção das vacas e da eficiência da produção de leite. Na prática, optei por trazer neste artigo os aspectos ambientais para alcançar altas produções de leite por vaca nos dois canais principais. Liberação de carbono para o ar (dióxido de carbono CO2 e metano CH4), por um lado, e liberação de fósforo (P) e potássio (K) para o solo e água, por outro.

Na tabela a seguir, são apresentadas as liberações de carbono, nitrogênio e fósforo em fazendas leiteiras italianas da década de 1990 com produção média anual de leite por vaca de 4.200 kg em comparação com dados de 2018, nas quais o nível de produção foi de 7.100 kg. Esses números são comparados também à produção de leite esperada em 2030 em duas situações: na primeira, assumindo que o progresso genético da vaca italiana média permanecerá o mesmo de hoje (8.700 kg) e, na segunda, com o progresso genético calculado de acordo com a produção média das vacas nas 100 maiores fazendas leiteiras na Itália hoje (15.000 kg).

A partir da tabela apresentada acima, observa-se uma relação positiva significativa entre a diminuição na liberação de gases de efeito estufa para o meio ambiente e de minerais para o solo e água, por litro de leite produzido e o nível de produção anual de leite. Atingir um nível de produção anual de 15.000 kg por vaca tem o potencial de reduzir a liberação de carbono, nitrogênio e fósforo para o meio ambiente para menos da metade da quantidade liberada hoje.

O segundo estudo examinou a mudança na extensão da liberação de poluentes no meio ambiente pelo setor de lácteos dos EUA, ao longo dos dez anos entre 2007 e 2017.

Entre esses anos, a produção média anual de leite por vaca nos EUA passou de 8.400 para 9.800 kg. A concentração de gordura no leite aumentou de 3,55 para 3,90% e a concentração de proteína aumentou de 2,92 para 3,22%, de forma que, de fato, a produção de leite corrigido para gordura e proteína (FPCM), aumentou de 8.400 para 10.500 kg (um aumento de 25%). Em 2017, apenas 75% das vacas foram requeridas para produzir a quantidade de leite produzida em 2007, apenas 83% dos alimentos, 80% da área de cultivo e 70% do volume de água foram necessários. Esses fatos levaram a uma redução para 80% do volume de excretas das vacas, 82% da excreção de nitrogênio, 86% da excreção de fósforo e 80% da excreção de metano em comparação com 2007. A liberação total de gases de efeito estufa na atmosfera em 2017 representou 80% do volume de sua liberação em 2007.

A partir dos estudos e levantamentos apresentados neste artigo pode-se conhecer claramente os benefícios econômicos e ambientais de se obter altos níveis de produção por vaca e o impacto positivo que eles têm na imagem futura da indústria leiteira mundial aos olhos do público.

Fontes:

The effects of improved performance in the U.S. dairy cattle industry on environmental impacts between 2007 and 2017.  Journal of Animal Science, 2020, 1–14.

How to manage cows yielding 20,000 kg of milk: technical challenges and environmental implications. Italian Journal of Animal Science.  ISSN: (Print) (Online) Journal homepage: https://www.tandfonline.com/loi/tjas20

ISRAEL FLAMENBAUM

Especialista no estudo do estresse térmico em vacas leiteiras, professor na Hebrew University of Jerusalém, tem ministrado cursos e treinamentos sobre o assunto em diversos países.

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