Este texto é parto do texto publicado por Taylor Leach, da Iowa State University, na Dairy Herd Management, em março de 2026.
No momento do parto podem ocorrer os problemas mais caros e evitáveis em uma fazenda leiteira. E, embora um parto difícil possa não parecer grande coisa à primeira vista, a distocia, especialmente em novilhas, pode afetar seriamente os lucros. Para cada vaca ou novilha que sofre distocia, há aproximadamente uma perda de US$ 1.500 associada a isso, principalmente devido a redução do desempenho reprodutivo.
Essas perdas frequentemente acabam sendo normalizadas nas fazendas. É fácil ignorar a ocorrência de um parto difícil ou um bezerro natimorto porque, o pensamento é que isso sempre acontece, mas essa mentalidade pode levar a prejuízos maiores e oportunidades perdidas de melhorar o desempenho produtivo do rebanho. As fazendas tendem a ter um nível básico de problemas no rebanho, e os produtores acabam se acostumando com esses problemas, a passam a considerar como algo normal. Mas alguns desses problemas muitas vezes são evitáveis.
O local de parição é uma área em que mudanças intencionais de manejo podem fazer uma grande diferença. Coisas como o quão tranquilo é o local, com que frequência os animais são movimentados ou quantas vacas são agrupadas juntas podem influenciar o momento do parto, fazendo com que aconteça de forma tranquila. Todos esses pequenos ajustes se somam, e importam mais do que a maioria das pessoas imagina. Algumas mudanças melhoram apenas um pouco, mas quando combinadas, podem realmente impactar no resultado final da fazenda.
Novilhas não são apenas vacas pequenas
Um aspecto importante de se manter em mente é que as novilhas não parem da mesma forma que as vacas maduras. As novilhas entram em trabalho de parto mais cedo, ou permanecem mais tempo no segundo estágio do parto, do que as vacas (fase da expulsão do feto). Parte disso, acontece porque é uma experiência nova e elas estão em um ambiente diferente. As novilhas tendem a ficar mais inquietas durante o parto e têm níveis mais altos de cortisol. Esse estresse extra pode tornar a fase final do parto mais difícil e pode ser prejudicial tanto para a fêmea quanto para o bezerro.
Para novilhas em particular, esses níveis mais altos de cortisol se refletem em mais inquietação e trabalhos de parto mais longos. Se elas forem interrompidas, levam mais tempo para voltar ao trabalho de parto ativo. Um erro que acontece com muita frequência é mover as novilhas depois que elas já começaram o trabalho de parto. Isso não é um problema tão grande para vacas, mas pode interromper rapidamente o progresso no caso das novilhas. Uma vaca geralmente volta ao normal em cerca de uma hora, mas novilhas simplesmente não se recuperam da mesma maneira. Transferi-las para um local diferente pode fazer com que a progressão do parto pare por várias horas.
Repensando as instalações de parto e o estresse social
Não existe uma instalação de parição perfeita, mas todo sistema precisa de ajustes que as fazendas precisam considerar. Baias individuais são ótimas para biossegurança e dão às vacas a chance de se separar, mas também podem ser difíceis para novilhas.
O desafio com baias individuais para as novilhas é que esse modelo de baia isola socialmente o animal. Então, para novilhas, baias individuais podem ser mais estressantes, a menos que tenha outro animal em baias adjacentes. Baias coletivas, por outro lado, permitem que as vacas interajam de forma mais natural, mas exigem muito mais espaço do que a maioria das propriedades pode dispensar para essa finalidade.
O espaço mínimo para o parto é de 15 metros quadrados por animal. O espaço ideal é superior a 30 metros quadrados, o que é realmente desafiador de se conseguir em uma fazenda.
Uma adaptação que algumas fazendas fazem em um curral coletivo para dar a sensação mais próxima de uma baia individual é adicionando barreiras visuais. Isso ajuda as vacas a se sentirem mais seguras, mas também pode restringir a circulação de ar e dificultar o monitoramento de cada animal pelos trabalhadores.
Os animais gostam de ter as barreiras visuais presentes, mas isso também traz alguns desafios do ponto de vista da gestão. Encontrar o equilíbrio certo entre o conforto das vacas, biossegurança, mão de obra e praticidade é um desafio.
A dinâmica social das fêmeas deve ser considerada. Novilhas criadas juntas nem sempre se adaptam bem quando de repente são misturadas a um grupo de vacas mais velhas. As novilhas crescem juntas em lotes, então colocar uma em um grupo de vacas mais velhas pode realmente desestabilizá-la. Elas geralmente são bastante submissas, então acabam sendo empurradas e muitas vezes deixam de se alimentar por um tempo. No entanto, movê-las com uma antiga companheira de lote pode ajudar a reduzir o estresse, mantê-las mais calmas durante o parto e ajudá-las a se alimentar melhor.
O horário da movimentação também importa
As vacas tendem a ser mais agressivas pela manhã, então introduzir novilhas no final do dia pode ajudá-las a se adaptar de forma mais tranquila. Embora esses ajustes possam parecer pequenos, eles se acumulam, fazendo com que o parto ocorra de maneira mais tranquila e dando tanto à novilha quanto aa sua bezerra um início de lactação e vida mais adequado.
Treinando pessoas para o manejo do parto
As pessoas desempenham um papel importante em como o parto ocorre, mas muitas fazendas treinam os funcionários intensamente na sala de ordenha e muito menos para o manejo de parto. Frequentemente os trabalhadores se mostram inseguros sobre quando intervir ou quanto esperar. O treinamento é muito importante e pode ajudar nessas decisões. O treinamento é a melhor prática de gestão e deve estar em constante evolução.
Compreender quando intervir é apenas parte do treinamento. Outra parte importante é saber o que realmente acontece durante o parto. O útero usa apenas cerca de 36 kg de força para expulsar o bezerro, mas uma única pessoa pode facilmente puxar com algumas centenas de quilos de força. A maioria dos dispositivos de auxílio ao parto podem alcançar mais de 450 kg de força, e são necessários apenas cerca de 136 a 181 kg de força para quebrar o fêmur de um bezerro. Por isso as vezes dar um passo atrás e deixar o animal parir sozinho pode ser a melhor abordagem, especialmente com novilhas. Quanto menos assistência, melhor. Tende-se a querer ajudar mais as novilhas porque elas demoram mais e ficam mais inquietas. Mas isso é o oposto do que deveria ser feito.
A tecnologia pode apoiar essa abordagem ao reduzir interrupções desnecessárias. Para novilhas, ter pessoas entrando para verificar a posição do bezerro é estressante. Mas se for instalado um sistema de monitoramento por câmeras, isso permite monitorar sem intervir e sem criar estresse, então só se entra no local do parto quando é realmente necessário. O local do parto deveria ser tratado mais como uma maternidade humana, mantendo o espaço calmo, silencioso e com baixo estresse tanto para a vaca quanto para o bezerro.
Impactos de longo prazo
As escolhas do manejo do parto vão muito além do momento em que o bezerro nasce, os efeitos são de longo prazo. O parto estressante que poderia ter sido evitado não afeta apenas a vaca e a bezerra. Afeta a vaca durante toda a lactação subsequente. Também afeta a bezerra ao longo de sua vida, e afeta seus descendentes. Como esses efeitos se estendem por várias gerações, o verdadeiro custo econômico dos problemas de parto muitas vezes é muito maior do que parece no papel. Leite perdido, crescimento mais lento, novilhas de reposição piores e desafios adicionais de saúde somam-se silenciosamente ao longo do tempo.
Reduzir o estresse das novilhas no parto não é apenas um benefício para o bem-estar, é uma das maneiras mais eficazes de aumentar o desempenho de todo o rebanho. As escolhas feitas no local de parto hoje moldam o rebanho com o qual os produtores trabalharão nos anos seguintes. E é por isso que o local de parição deve ser visto como um lugar onde um pouco de atenção extra pode trazer grandes resultados.