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Logística do leite: da gestão do relacionamento até os centros de controle operacional

O grande desafio da gestão logística no mercado leiteiro é promover fluidez em toda cadeia, pois hoje são inúmeros gargalos que precisam ser monitorados.

Publicado por: MilkPoint

Publicado em: 21/07/2021 - 4 minutos de leitura

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O leite sempre cumpriu um papel importante na alimentação da humanidade. O seu consumo remete a mais de 11 mil anos e, atualmente, bilhões de pessoas o consomem no mundo, sendo o Brasil o quarto país no ranking mundial de produção de leite, de acordo com a Empresa Brasileira de pesquisa (Embrapa).

Com o aumento da demanda, inúmeras fraudes foram deflagradas na composição do leite e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) instituiu normativas que ampliaram as exigências de qualidade que envolvem a política leiteira.

Para acompanhar o crescimento do mercado consumidor e todas as exigências vigentes, o produtor rural tem profissionalizado a sua gestão por meio da participação em programas educativos e de incentivos, que elevam os níveis de qualidade e produtividade nas propriedades rurais.

A produção de seus derivados na cadeia de suprimentos do leite desempenha um papel fundamental em sustentar a rotina dos profissionais envolvidos sem comprometer a qualidade, gerando cada vez mais eficiência operacional.

O grande desafio da gestão logística no mercado leiteiro é promover fluidez em toda cadeia, pois hoje são inúmeros gargalos na operação que precisam ser monitorados incessantemente. Para isso, o grande agente transformador é a tecnologia.

Captar milhões de litros de leite com a qualidade necessária exige uma gestão do relacionamento com a base fornecedora. O engajamento pode ser promovido com aplicativos móveis, que visam direcionar, instruir e informar os fornecedores, seja o transportador ou o produtor rural.

Os gestores da logística de transporte interagem rotineiramente com inúmeras variáveis na sua rotina. Na relação com o produtor, por exemplo, comunicar-se é fundamental. Só assim é possível ter, em tempo hábil, informações como alterações de horário na ordenha, que impactam no atendimento da coleta e recebimento de prévias de disponibilidade de volume de leite, já que a capacidade de armazenar na fazenda não significa produção real.

Diante deste cenário, a indisponibilidade do leite precisa ser analisada constantemente, seja por falta de produção na propriedade rural ou impedimentos físicos e de qualidade, como estradas bloqueadas, desvios não planejados e temperatura do leite entre outros. Sem essa gestão são inúmeros os impactos na densidade logística, que envolve deslocar um veículo para circular sem atingir a capacidade mínima ao fim da rota.

O planejamento e a execução da coleta de leite no chamado transporte de primeiro percurso, ou seja, o leite cru transportado da fazenda para o laticínio, é uma das etapas mais suscetíveis a fraudes e falhas operacionais, por isso o carreteiro, exposto a condições adversas, precisa de direcionamento e apoio constante.

Entregar na palma da mão todo o planejamento do dia e proporcionar um processo automatizado evitam grandes perdas. Além disso, ter a visibilidade do que fazer, como fazer e, de forma imperceptível, informar todas as ocorrências, desvios e gerar alertas, é um grande ganho para toda cadeia leiteira quando se aplica a tecnologia.

Outro fator relevante propiciado por um sistema informatizado é ter a previsibilidade da chegada do veículo, permitindo evitar o trânsito nas plataformas de carregamento e recebimento das indústrias e postos, além de reduzir o tempo de descarga, que impacta na disponibilidade do veículo para outras operações. As informações das demandas por unidade fabris, recepções e expedições previstas precisam estar acessíveis, automatizadas e consolidadas para ter essa tomada de decisão em tempo hábil.

Há ainda outras métricas fundamentais para a gestão da cadeia do leite, como avaliar se todas as coletas de leite nas propriedades respeitam o limite máximo de 48 horas e se há indicadores de temperatura e alertas de execuções fora do planejado, tal como desvios, registros fora de locais definidos e permanência em locais não permitidos.

Ainda conectado ao processo de transporte do leite, os laticínios investem em processos de auditoria das normativas vigentes, que avaliam rigorosamente todos os aspectos sanitários; rotinas de análise do leite; condições dos veículos utilizados no transporte, na capacitação, identificação e disponibilização de equipamento de proteção individual para os motoristas.

A utilização de plataformas dinâmicas que abrangem o processo de relacionamento com os produtores rurais permite acompanhar as demandas e o atendimento desses processos por meio das programações que entendem todo o fluxo de deslocamento dos veículos e promovem a rastreabilidade.

Além disso, com o poder computacional das arquiteturas cada dia mais robustas e a automação nas conectividades, não apenas pessoas se comunicam, como também os objetos. Por isso, a instrumentação e o sensoriamento de veículos capturam dados automaticamente e compilam em bases de dados, que permitem gerar camadas sedimentares na consolidação de informações.

Outro ponto a ser considerado nos sistemas dedicados à cadeia do leite é a experiência do usuário (UX), que deve ser captada na sua essência, aplicando uma metodologia capaz de definir o perfil de cada usuário, adaptando a tecnologia para promover o dinamismo necessário.

Como vemos, o futuro está na antecipação de informações em todos os níveis, seja operacional, tático ou estratégico. Para isso é necessário entender o passado, aplicando modelos de dados propositivos de pensamento de máquina e inteligência artificial.

Nota-se que são inúmeras informações fornecidas em todas as etapas e vários envolvidos e processos para monitorar. O fator-chave para orquestrar todo esse universo é a centralização de todas as informações em uma plataforma.

Os conhecidos Centros de Controle Operacionais (CCO), já aplicados em outros setores, como o de mineração, precisam ganhar espaço na logística do leite. Assim como um quebra-cabeça, cada módulo pode ser implantado parte a parte, iniciando nos preceitos da logística 3.0, no qual eliminamos o papel, até a chegada à logística 4.0, cujas máquinas conversam entre si e possibilitam ao fator humano a concentração de seus esforços nas ações as quais são imprescindíveis: a promoção das relações humanas.

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Autor

Jefferson de Oliveira Monteiro, Gerente de Delivery da Engineering.

*Fonte da foto do artigo: por  Krivosheevv/Depositphotos.

 
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