Gigantes dos lácteos ampliam produção de queijo, mas preços globais devem seguir caminhos distintos

Os maiores processadores de leite do mundo estão apostando cada vez mais no queijo como estratégia para agregar valor à matéria-prima.

Publicado por: MilkPoint

Publicado em: - 3 minutos de leitura

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 1

Sem tempo? Leia o resumo gerado pela MilkIA
Os principais processadores de leite estão investindo no queijo para agregar valor, mas a expansão da produção não resultará em queda nos preços. O mercado de queijos, especialmente cheddar, está se polarizando. O cheddar enfrenta maior oferta e queda de preços, enquanto a muçarela, afetada por condições climáticas na Europa, está valorizada. A dinâmica de preços depende da produção de leite nas regiões, com EUA e Oceania aumentando oferta, enquanto a UE enfrenta desafios.
Os maiores processadores de leite do mundo estão apostando cada vez mais no queijo como estratégia para agregar valor à matéria-prima. Mas, ao contrário do que muitos poderiam imaginar, o aumento da produção não deve provocar uma queda generalizada nos preços. Pelo contrário: o mercado caminha para uma dinâmica cada vez mais dividida entre diferentes tipos de queijo e regiões produtoras.

O queijo consolidou-se como o principal motor de crescimento da indústria láctea global. Em um cenário marcado pela volatilidade dos preços do leite, empresas têm direcionado investimentos para produtos de maior valor agregado, ampliando capacidade produtiva e fortalecendo sua presença nesse segmento.

Esse movimento já se reflete no comércio internacional. Desde 2017, o volume global de queijo negociado cresceu cerca de 40%, impulsionado principalmente pelos investimentos realizados pelas sete maiores empresas de lácteos do mundo. Apesar da expansão da oferta, a expectativa de uma queda ampla nos preços não encontra respaldo no mercado. A tendência observada atualmente é mais complexa e depende diretamente da disponibilidade de leite em cada região.

O queijo cheddar, por exemplo, já apresenta um cenário de maior oferta. Segundo dados da Global Dairy Trade (GDT), seus preços recuaram cerca de 6,5% nos últimos 12 meses. Isso ocorre porque os principais países produtores — Estados Unidos, Nova Zelândia e Oceania — continuam registrando crescimento na produção de leite. Nos Estados Unidos, a oferta aumentou aproximadamente 2% em relação ao ano passado, enquanto a Nova Zelândia registra expansão próxima de 4%, com perspectivas positivas para a próxima temporada.

Figura 1

Oferta elevada reduz pressão sobre o cheddar

Para Tom Booijink, especialista sênior em lácteos do Rabobank, os investimentos realizados pelos fabricantes norte-americanos na ampliação da capacidade industrial tornam improvável um cenário de escassez de cheddar no curto prazo. A situação, porém, é bastante diferente para os queijos cuja produção depende majoritariamente da União Europeia, como a muçarela.

As recentes ondas de calor reduziram significativamente a produção de leite em importantes países produtores, como França e Alemanha. No Reino Unido, uma análise da Unidade de Inteligência Energética e Climática apontou um declínio considerado sem precedentes durante a onda de calor de junho, com queda diária de até 4,3% na captação e um déficit acumulado de aproximadamente 16,5 milhões de litros em apenas nove dias.

Com menor disponibilidade de leite e demanda aquecida, a muçarela passou a registrar valorização. Atualmente, o queijo é negociado em torno de € 3.448 por tonelada, superando o cheddar, cotado próximo de € 3.138 por tonelada — uma inversão incomum para o mercado europeu. "Historicamente, o cheddar costuma valer mais que a muçarela. Hoje ocorre exatamente o contrário, uma situação bastante excepcional", observa Booijink.

Mercado deve ficar mais polarizado

Na avaliação do Rabobank, o comportamento dos preços dependerá, sobretudo, da evolução da produção de leite nas principais regiões exportadoras.

Enquanto Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia devem continuar ampliando sua oferta, a União Europeia enfrenta um cenário mais desafiador. Além das condições climáticas, a região conta hoje com um rebanho leiteiro menor e produtores menos estimulados a expandir a produção.

Outro fator que limita esse crescimento é a rentabilidade das fazendas leiteiras. Com os preços do leite significativamente abaixo dos registrados há um ano e custos elevados de insumos, como diesel e fertilizantes, há pouco incentivo econômico para aumentar a produção.

Como resultado, o mercado global de queijos tende a ficar ainda mais segmentado. De um lado, o cheddar deve continuar pressionado pela maior oferta internacional. De outro, queijos mais dependentes da produção europeia, como a muçarela, podem permanecer sustentados por preços mais elevados diante da restrição na disponibilidade de leite.

Artigo escrito por Harry Holmes, publicado no Dairy Reporter, traduzida pela Equipe MilkPoint. 

Vale a pena ler também: 

Président aposta em licenciamento e lança queijo muçarela Bob Esponja em formato stick

QUER ACESSAR O CONTEÚDO? É GRATUITO!

Para continuar lendo o conteúdo entre com sua conta ou cadastre-se no MilkPoint.

Tenha acesso a conteúdos exclusivos gratuitamente!

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 1

Publicado por:

Foto MilkPoint

MilkPoint

O MilkPoint é maior portal sobre mercado lácteo do Brasil. Especialista em informações do agronegócio, cadeia leiteira, indústria de laticínios e outros.

Deixe sua opinião!

Foto do usuário

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração.

Qual a sua dúvida hoje?