Aquisições de gigantes dos lácteos movimentam o setor de queijos finos brasileiros

Apesar do momento repleto de operações, o mercado ainda está distante do ponto de maturação e a expectativa é que haja mais transações nos próximos meses.

Publicado por: MilkPoint

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O paladar do brasileiro tem evoluído em busca de queijos finos, resultando em um aumento de aquisições no setor lácteo, especialmente entre grandes grupos e queijarias artesanais. O consumo anual per capita é de 7,30 kg, abaixo dos 21 kg da Argentina. A Lei nº 13.860/2019 facilitou a regulamentação e produção de queijos artesanais. Operações incluem a compra de queijarias como a Laticínio na Morada e a Básel Lácteos, visando expansão no mercado de queijos finos. As exportações ainda são baixas, mas há interesse crescente.

A evolução gradativa do paladar do brasileiro em busca de novas experiências no mundo dos queijos finos resultaram em uma onda de aquisições no setor de lácteos, principalmente envolvendo grandes grupos e queijarias artesanais e especializadas em produtos para as classes A e B. Apesar do momento repleto de operações, o mercado ainda está distante do ponto de maturação e a expectativa é que haja mais transações nos próximos meses.

Segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias de Queijo (Abiq), o consumo anual per capita do brasileiro é de 7,30 quilos (kg), bem distante dos vizinhos argentinos, por exemplo, que gira em torno de 21 kg/ano. “Em 2017, o consumo médio do brasileiro era de 5,66 kg. O crescimento é contínuo desde a pandemia”, diz Fabio Scarcelli, presidente da Abiq.

No âmbito dos negócios, as operações se tornaram mais frequentes a partir da Lei nº 13.860/2019, que estabeleceu normas para as queijarias artesanais e de queijos finos. A lei regulamentou a produção, desde que inspecionada, de queijos artesanais com leite cru e estabeleceu formalmente a classificação conforme o método e o local de produção (“terroir”), além de definir a nomenclatura de queijos especiais do exterior, que agora são precedidos da expressão “tipo” (gorgonzola, gruyère, emmental, entre outros).

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Graças à lei, por exemplo, uma queijaria da região da Serra da Canastra passa a ter direito de usar a denominação, assim como tem a segurança de que a classificação não poderá ser usada por outras empresas aqui e lá fora. “Hoje, podemos dizer que o setor de queijos finos passa por um momento já vivenciado nos mercados de vinho e cervejas especiais. Com maior oferta e produtos de qualidade, o consumidor amplia o seu paladar”, afirma Henrique Rocha, sócio da consultoria Milk & Cheese.

Criado em 2018 por sócios do grupo de private equity Aqua Capital, o grupo UltraCheese nasceu voltado para o setor lácteo e hoje detém as marcas Itacolomy, Búfalo Dourado, Lac Lélo, Itacolomy e Cruzília, sendo esta última o braço de queijos finos. “A Cruzília é a queijaria artesanal mais premiada do Brasil, com 155 premiações. Com esta marca, equilibramos nosso portfólio e vamos levá-la para mais pontos de venda no país”, afirma Wagner Brilhante, CEO do grupo UltraCheese.

A opção pelas queijarias artesanais é poder trabalhar com margens mais elevadas, ao contrário dos queijos comoditizados (prato, mussarela e parmesão, por exemplo), que, por força da concorrência, operam com margens mais reduzidas. Em abril passado, o Grupo Ipanema Lácteos comprou a queijaria artesanal Laticínio na Morada, de Bueno Brandão (MG), dona da marca Serra das Antas. “É uma queijaria artesanal em nível de excelência, com potencial de exportação”, diz Fernando Menocci, co-CEO do grupo. Hoje focado em comoditizados, o Grupo Ipanema comercializa cerca de 1.500 toneladas/mês de queijos e cremes.

Segundo maior grupo do mercado, de acordo com a Abiq, com produção de 7 milhões de litros/dia, a Piracanjuba entrou no mercado de queijos finos em janeiro, com a compra da Básel Lácteos, de Antonio Carlos (MG). A marca é forte no mercado fluminense e o objetivo é expandir sua distribuição, segundo Lisiane Campos, diretora de marketing da empresa. “Vamos criar uma unidade especial de negócios para queijos finos”, diz. Em outra frente, desta vez em Alagoas, o grupo comprou o Laticínio Sertão, atuante em queijos comoditizados no Nordeste.

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Entre outras operações de destaque, houve ainda a compra da tradicional Quatá Alimentos pelo grupo francês Savencia Fromage & Dairy (dono da marca Polenghi), em março passado. A Quatá tem presença nacional, com forte participação tanto em queijos finos como comoditizados. Além da Polenghi, o Savencia já detinha as marcas Frescatino, Campo Lindo, Ile de France e Skandia. Em outubro do ano passado, o grupo Tirolez apostou na diversificação e adquiriu a Levitare, líder em queijos de leite de búfula no ramo de food service no mercado paulista, cujo portfólio inclui desde requeijão e manteiga até burrata de búfala servida em restaurantes diferenciados.

Hoje, as exportações ainda são residuais, entre 1% e 2% da produção total, em lotes voltados para públicos de queijos finos. Desde 2025, a Pardinho Artesanal, de Pardinho (SP), realizou cinco operações de remessas para os Estados Unidos, todas em lotes médios de 600 kg do queijo artesanal de longa maturação Mandala, desenvolvido a partir de leite cru de vacas Girsey (cruzamento das raças Gir e Jersey). “Conhecemos um importador norte-americano em um evento na Europa, ele se interessou e hoje distribui para empórios e bistrôs de Nova York e outras cidades”, afirma Vanessa Alcoléa, gestora industrial da Pardinho Artesanal. Apesar da ameaça de um novo “tarifaço”, Alcoléa acredita na permanência de envios regulares do produto. “O importador gostou tanto que até fechou uma operação quando a alíquota havia passado para 50%”, diz.

As informações são do Valor Econômico, adaptadas pela equipe MilkPoint.

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