É essa transformação que será o foco da palestra de Allan André Tormen, produtor de leite, presidente do Sindicato Rural de Erechim (RS) e Coordenador da Comissão de Leite e Derivados da Federação da Agricultura, da Farsul (Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul) e vice-presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da CNA , durante o Interleite Brasil 2026, que acontece entre os dias 18 e 20 de agosto, em Uberlândia (MG), com o tema "Capacitando e fortalecendo a produção de leite no Brasil".
À frente da Agropecuária Tormen, referência em produção de leite de alta produtividade, Allan construiu uma trajetória que une a prática diária dentro da fazenda à participação ativa nas principais discussões sobre o futuro da cadeia leiteira brasileira. Para ele, essa dupla atuação permite compreender os desafios do setor sob uma perspectiva rara: a de quem vive a realidade da produção e, ao mesmo tempo, participa das decisões que impactam milhares de produtores.
"Quando a gente senta na cadeira do representante da classe sem entender como se produz, não tem propriedade para falar. Eu vivo da atividade. O leite não é mais um negócio para mim, ele é o meu negócio."
Sua relação com a atividade começou cedo. Formado em escola agrícola, Allan iniciou a produção de leite aos 16 anos e acompanhou, na prática, os desafios de crescer, investir e enfrentar as oscilações do mercado. Essa vivência, segundo ele, é o que permite levar às discussões institucionais a realidade de quem está dentro da porteira. "Eu consigo levar para a representação a dor real do produtor, entender onde aperta o sapato, quais são os gargalos da atividade e o que realmente é possível fazer."
Produtividade é consequência, não ponto de partida
Embora a Agropecuária Tormen seja reconhecida pelos elevados índices produtivos, Allan faz questão de inverter uma lógica bastante comum no setor. Na sua visão, produtividade não deve ser perseguida de forma isolada. Ela surge como consequência de uma série de decisões bem executadas.
O primeiro pilar é garantir a saúde ruminal dos animais, por meio de um manejo alimentar consistente e de uma nutrição equilibrada. O segundo está relacionado à saúde da glândula mamária, reduzindo a contagem de células somáticas (CCS), a incidência de mastite e, consequentemente, perdas produtivas e reprodutivas. Há ainda um terceiro componente que, segundo ele, vem ganhando importância nas propriedades mais eficientes: a gestão ambiental.
Na Agropecuária Tormen, os dejetos deixaram de ser encarados apenas como um resíduo para se tornarem fonte de valor. Eles são utilizados na produção de biofertilizantes, fertirrigação e até na reposição da cama utilizada no sistema de compost barn, fechando ciclos produtivos e reduzindo desperdícios. "O dejeto precisa deixar de ser um passivo e se transformar em um ativo."
O quarto pilar está no período de transição das vacas
Segundo Allan, garantir partos bem conduzidos, com vacas em bom escore corporal e produção adequada de colostro, influencia diretamente o desempenho das bezerras, o início da lactação, a reprodução e toda a produtividade futura do rebanho. Para ele, quando esses fatores caminham juntos, a sustentabilidade econômica aparece naturalmente — e, com ela, a sustentabilidade ambiental.
Quem coloca o leite no tanque são as pessoas
Se manejo e nutrição explicam parte dos resultados, Allan acredita que existe outro fator ainda mais decisivo para o sucesso de uma fazenda. As pessoas. "O que determina o tamanho de uma fazenda não é a quantidade de vacas. É a quantidade de pessoas que trabalham ali e entregam valor para o negócio." Por isso, desenvolver equipes tornou-se prioridade dentro da Agropecuária Tormen.
Atrair bons profissionais, investir em capacitação e criar condições para que permaneçam na empresa faz parte da estratégia de crescimento da propriedade tanto quanto investir em máquinas ou instalações. Mas, para Allan, pessoas só conseguem entregar resultados consistentes quando existe uma cultura organizacional sólida.
Ele defende que toda empresa precisa desenvolver uma cultura baseada na melhoria contínua, em que cada colaborador compreenda que sempre existe uma oportunidade de aperfeiçoar processos, reduzir desperdícios e gerar mais valor.
Outro princípio que procura reforçar dentro da equipe é que uma empresa não deve funcionar como uma família, mas como uma comunidade. Enquanto famílias costumam depender de pessoas específicas, comunidades se fortalecem justamente pela capacidade de compartilhar responsabilidades. "A fazenda não pode depender de uma pessoa. Ela precisa depender da equipe."
Crescer exige cuidar do dinheiro
Entre os assuntos que mais preocupam os produtores atualmente estão o aumento dos custos, os juros elevados e a volatilidade do mercado. Na avaliação de Allan, porém, existe um equívoco frequente dentro das propriedades. Muitos produtores dedicam enorme esforço para calcular o custo de produção, mas deixam em segundo plano um indicador ainda mais importante. "O custo de produção não paga a conta. O que paga a conta é a liquidez."
Segundo ele, construir um negócio robusto significa gerar caixa suficiente para atravessar períodos de baixa sem comprometer investimentos nem recorrer excessivamente ao crédito.
Ferramentas como irrigação também fazem parte dessa estratégia, funcionando como instrumentos de mitigação de risco ao garantir maior estabilidade na produção de forragens. Para Allan, crescer continua sendo importante, mas esse crescimento precisa acontecer de forma equilibrada. Não basta aumentar a produção. É necessário aumentar também a eficiência operacional, reduzir desperdícios, fortalecer o caixa e preservar a capacidade de investimento da propriedade.
O futuro da cadeia passa por relações mais maduras
Além da gestão dentro das fazendas, Allan acompanha de perto outro desafio considerado decisivo para a competitividade do leite brasileiro: o relacionamento entre produtores e indústrias. Na sua avaliação, ambos ainda precisam amadurecer a forma como enxergam essa relação.
O produtor deve compreender a indústria como seu cliente, enquanto a indústria precisa reconhecer o produtor como um fornecedor estratégico, capaz de entregar qualidade, previsibilidade e regularidade. "Não tem como o produtor ir bem e a indústria ir mal. Também não tem como a indústria ir mal e o produtor ir bem."
Ele acredita que maior transparência nas informações de mercado e um relacionamento baseado em confiança permitirão ganhos de eficiência para toda a cadeia leiteira. Também defende que o produtor amplie sua visão para além da porteira. "Se ele não entender o que acontece da porteira para fora, não consegue gerenciar o negócio."
Uma nova forma de enxergar a fazenda
Durante sua participação no Interleite Brasil, Allan pretende compartilhar justamente essa mudança de mentalidade que vem orientando a evolução da Agropecuária Tormen. Para ele, as propriedades leiteiras passaram por uma transformação profunda. "As nossas fazendas deixaram de ser fazendas. Elas se transformaram em indústrias de produção de leite."
Isso significa trabalhar com processos padronizados, procedimentos operacionais bem definidos, redução constante de desperdícios e melhoria contínua da qualidade entregue à indústria. Mais do que implantar ferramentas de gestão, Allan acredita que o grande desafio é construir uma cultura capaz de evoluir continuamente. "Implementar um sistema de gestão robusto não é fazer um projeto. É iniciar uma jornada. Todo dia existe algo para melhorar."
É justamente essa experiência — construída ao longo dos últimos anos e inspirada em metodologias de gestão aplicadas à produção de leite — que ele pretende dividir com o público durante o evento.
Participe do Interleite Brasil 2026
A trajetória da Agropecuária Tormen mostra que os desafios da produção de leite vão muito além do manejo dos animais. Produzir com eficiência exige gestão, cultura organizacional, equipes preparadas, disciplina financeira e disposição para melhorar continuamente.
Esses e muitos outros aprendizados estarão em debate no Interleite Brasil 2026, de 18 a 20 de agosto, em Uberlândia (MG). Durante três dias, produtores, técnicos, consultores, pesquisadores e lideranças da cadeia leiteira se reunirão para discutir soluções práticas capazes de aumentar a eficiência, a competitividade e a sustentabilidade da produção de leite no Brasil.
Garanta sua participação com 15% de desconto e venha fazer parte das conversas que estão ajudando a construir o futuro da pecuária leiteira brasileira.