À frente da gestão está Izabela Cortes Cardoso, administradora e uma das lideranças femininas de destaque no setor leiteiro. Ao lado do produtor Elísio Alves Cardoso e da equipe da fazenda, ela vem conduzindo uma nova fase da propriedade, marcada pela profissionalização da gestão, uso crescente de tecnologias e preparação para um novo ciclo de expansão.
A história da Figueireda Riacho na atividade leiteira começou em 2004, mas alguns momentos foram decisivos para transformar a propriedade no sistema altamente estruturado que existe hoje.
O primeiro grande marco ocorreu em 2014, com a construção do compost barn para alojar 400 vacas, acompanhada de uma nova sala de ordenha e da área administrativa. Foi também nesse período que Izabela passou a integrar a gestão da fazenda, dando início ao processo de sucessão familiar e à implantação de uma cultura mais orientada por planejamento, indicadores e organização dos processos.
Outro avanço importante veio em 2020, quando toda a recria passou a ser alojada em sistema de confinamento. A decisão, como tantas outras na propriedade, foi sustentada por dados técnicos que demonstravam os benefícios para desempenho e manejo.
Mais recentemente, a chegada de Marcelo, marido de Izabela, fortaleceu a equipe de gestão, especialmente nas áreas de agricultura e do novo projeto de expansão da fazenda, que prevê uma estrutura preparada para aproximadamente 1.500 animais, com nova sala de ordenha e ampliação do setor administrativo.
Para Izabela, entretanto, existe um fator que explica boa parte dessa evolução. "O que mais impulsionou nosso crescimento foi a coragem do Elísio de investir. Ele é apaixonado pelo leite. Claro que genética, alimentação e mão de obra caminham junto com tudo isso, mas é preciso ter disposição para acreditar no projeto."
Fazenda Figueireda Riacho.
Crescer sem perder a organização
Hoje, com mais de 700 vacas em lactação, o principal desafio já não está apenas dentro da porteira, mas na capacidade de coordenar pessoas, processos e comunicação em uma operação cada vez mais complexa.
Segundo Izabela, implementar novos protocolos durante um período de expansão é como "montar uma roda com o carro andando". Por isso, a fazenda estruturou uma rotina de gestão baseada em encontros frequentes entre as equipes.
Semanalmente, os responsáveis por cada setor se reúnem para apresentar resultados, discutir prioridades e alinhar as atividades seguintes. Todos os colaboradores também participam de reuniões mensais, quando são apresentados os principais indicadores da fazenda. No dia a dia, a comunicação por rádio e a proximidade dos gestores com a operação ajudam a garantir agilidade na tomada de decisões.
Ao mesmo tempo, a propriedade continua investindo em ferramentas capazes de simplificar processos e ampliar a eficiência, como softwares de gestão do rebanho e colares de monitoramento das vacas.
Mais do que incorporar tecnologia, o objetivo é envolver quem está na operação na construção das soluções. "Pensamos sempre em enxugar e facilitar os processos, dando liberdade para quem executa participar dos momentos de definição", explica.
Equipe da Fazenda Figueireda Riacho.
Indicadores que aproximam as pessoas dos resultados
Se hoje a cultura de gestão da Figueireda Riacho é reconhecida pelo uso inteligente de indicadores, Izabela admite que esse processo passou por um período de intenso aprendizado. "Confesso que já fui a doida dos indicadores. Era número para todo lado." Com o amadurecimento da gestão, a fazenda percebeu que mais importante do que medir tudo é acompanhar aquilo que realmente orienta as decisões.
Hoje, cada setor apresenta semanalmente seus próprios resultados e compartilha também aprendizados vivenciados ao longo da semana. O modelo fortalece o senso de responsabilidade dos colaboradores e torna as decisões mais objetivas. "Quando as pessoas apresentam seus próprios números, elas se sentem mais comprometidas com o resultado. Além disso, os indicadores trazem imparcialidade. As decisões deixam de ser tomadas pelo que é mais confortável ou pelo que alguém deseja e passam a ser guiadas pelos fatos."
Essa cultura também reduz conflitos internos, fortalece o alinhamento entre equipes e cria um ambiente em que todos entendem claramente os objetivos da propriedade.
Sustentabilidade que fortalece o crescimento
Na Figueireda Riacho, sustentabilidade não é tratada como um projeto paralelo, mas como parte da estratégia de crescimento do negócio. A fazenda investe em geração de energia fotovoltaica, aproveitamento da água da chuva, fertirrigação, utilização do composto orgânico na agricultura e comercialização do esterco produzido no sistema.
No manejo dos animais, o bem-estar também ocupa posição central. As vacas permanecem alojadas em compost barn com cama de maravalha, ventilação e aspersão, enquanto o monitoramento eletrônico do rebanho, o controle de moscas e os cuidados com o bezerreiro complementam a estratégia voltada à saúde animal.
Segundo Izabela, essas práticas criam uma base sólida para que a fazenda continue crescendo de forma estruturada. "Crescer é desafiador. Um investimento acaba puxando outro e, quando percebemos, parece que estamos construindo uma nova fazenda novamente."
Um relato transparente sobre pessoas, processos e constância
Durante o Interleite Brasil 2026, Izabela levará ao público um relato bastante prático sobre a realidade da criação de bezerras na propriedade, compartilhando não apenas os resultados positivos, mas também os desafios enfrentados ao longo da trajetória.
Ela pretende mostrar que não existem fórmulas prontas para construir uma operação eficiente. "Não existe receita de bolo. Existe constância nos processos, autonomia e participação de quem realiza as tarefas, gestor presente e objetivos claros."
Outro aspecto que pretende dividir com o público é uma conquista que considera especialmente significativa. Pela segunda vez, ela precisou se afastar parcialmente da rotina da fazenda em razão da maternidade — e viu a operação continuar organizada, crescendo e entregando resultados. "Isso enche meu coração de orgulho e admiração pelo time que estamos formando."
Mais do que apresentar números, a palestra será um convite para refletir sobre um tema cada vez mais importante na pecuária leiteira: como construir equipes capazes de sustentar o crescimento do negócio mesmo diante das mudanças.
Participe do Interleite Brasil 2026
A história da Fazenda Figueireda Riacho mostra que crescimento sustentável não acontece apenas com investimentos em infraestrutura. Ele depende de pessoas preparadas, decisões baseadas em dados, liderança presente e coragem para evoluir continuamente.
Esses e muitos outros aprendizados estarão em debate no Interleite Brasil 2026, de 18 a 20 de agosto, em Uberlândia (MG). Durante três dias, produtores, técnicos, consultores, pesquisadores e lideranças da cadeia leiteira se reunirão para discutir soluções práticas capazes de aumentar a eficiência, a competitividade e a sustentabilidade da produção de leite no Brasil.
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